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Personagem

Pombinha

Quem é

Filha de Dona Isabel, viúva de um dono de casa de chapéus que faliu, e a moça mais querida da estalagem: pálida, enfermiça, de modos de menina de boa família, escreve as cartas e faz as contas de todos. Casaria com o moço do comércio João da Costa, mas a mãe adia o casamento até a puberdade que não vem. Entre o domingo na casa de Léonie e o casamento, o narrador a faz ver pela primeira vez o que as cartas escondiam, e o fim a mostra morando com Léonie, cocote, sustentando a mãe e protegendo a filha de Piedade.

Trajetória

Aparece na manhã do cortiço, como a flor do lugar, e a mãe recusa casá-la antes de ela se tornar mulher, mesmo sabendo que o casamento as tiraria da estalagem (capítulo III).

A filha era a flor do cortiço. Chamavam-lhe Pombinha. Bonita, posto que enfermiça e nervosa ao último ponto; loura, muito pálida, com uns modos de menina de boa família.
Capítulos III a V: O cortiço acorda e Romão contrata Jerônimo
não era decente, nem tinha jeito, dar homem a uma moça que ainda não fora visitada pelas regras! Não! Antes vê-la solteira toda a vida e ficarem ambas curtindo para sempre aquele inferno da estalagem
Capítulos III a V: O cortiço acorda e Romão contrata Jerônimo

Aos domingos, de vestido novo, passa o dia escrevendo as cartas que os moradores ditam, um de cada vez, e o narrador diz o que isso lhe deixa dentro (capítulo VI).

a pobre rapariga ia acumulando no seu coração de donzela toda a súmula daquelas paixões e daqueles ressentimentos, às vezes mais fétidos do que a evaporação de um lameiro em dias de grande calor
Capítulos VI a VII: O domingo de Rita Baiana e o pagode

No sobrado de Miranda, Henrique a namorisca da janela (capítulo X). No domingo da festa do título, passa a tarde com a mãe na casa de Léonie, que a conduz à alcova e lhe impõe um contato que a deixa envergonhada; ela só sai depois do beijo da reconciliação, aceita o anel por insistência da mãe e volta calada (capítulo XI). Dois dias depois, no capinzal atrás do cortiço, adormece sob as mangueiras e acorda com o primeiro sangue (capítulo XI).

Trouxe de lá impressões de íntimos vexames, que nunca mais se apagariam por toda a sua vida.
Capítulos X a XI: Título de barão, navalhada e visita de Pombinha

Corre para casa, a mãe cai de joelhos e chama o noivo para marcar o casamento (capítulo XII). Quando Bruno lhe pede que escreva a Leocádia, vê pela primeira vez o que as cartas escondiam, e passa a julgar o noivo bom, passivo e sem ideal.

Uma aluvião de cenas, que ela jamais tentara explicar e que até aí jaziam esquecidas nos meandros do seu passado, apresentavam-se agora nítidas e transparentes.
Capítulos XII a XIV: Casamento, cortiço rival e plano de vingança
sentia repugnância em dar-se ao noivo, e, se não fora a mãe, seria muito capaz de dissolver o ajuste
Capítulos XII a XIV: Casamento, cortiço rival e plano de vingança

Só não rompe por causa da mãe, e sai vestida de noiva para a igreja de São João Batista entre as lágrimas e as bênçãos dos vizinhos (capítulo XII). Leocádia nem quer ouvir a carta que ela escreveu em nome de Bruno (capítulo XIX). Passa numa vitória ao lado de Henrique quando João Romão espera a família de Miranda (capítulo XXIII).

Depois de dois anos de casada, faz de tudo para ser a esposa que o marido queria, escorrega para um poeta boêmio e depois para um ator, é abandonada, vai morar com Léonie e se torna cocote, sustentando a mãe até a morte dela (capítulo XXII).

escondeu a sua mal-educada e natural intuição pelo que é grande, ou belo, ou arrojado, e fingiu ligar interesse ao que ele fazia, ao que ele dizia, ao que ele ganhava
Capítulos XXI a XXIII: O fim de Bertoleza e a ascensão de Romão
A serpente vencia afinal: Pombinha foi, pelo seu próprio pé, atraída, meter-se-lhe na boca.
Capítulos XXI a XXIII: O fim de Bertoleza e a ascensão de Romão

Nas visitas à estalagem, protege a filha de Piedade com a simpatia que Léonie um dia teve por ela (capítulo XXII).

A cadeia continuava e continuaria interminavelmente; o cortiço estava preparando uma nova prostituta naquela pobre menina desamparada, que se fazia mulher ao lado de uma infeliz mãe ébria.
Capítulos XXI a XXIII: O fim de Bertoleza e a ascensão de Romão

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ela são Sexualidade, Classe social e Corrupção e decadência. O símbolo que a acompanha em cena é a estalagem São Romão: é ali que cresce, que sabe o segredo de todos e que reaparece, no fim, como protetora de outra moça (capítulo VI, capítulo XXII).

O texto sustenta duas leituras da queda de Pombinha e não escolhe. Numa, o meio faz o que a natureza dela pedia: ela tentou por dois anos esconder o que pedia algo maior e, quando faltou o equilíbrio, caiu (capítulo XXII). Na outra, é uma mulher que se cansou de fingir e escolheu outra vida (capítulo XXII).

Pombinha é a leitora do cortiço: escreve as cartas, guarda os segredos e é a primeira a entender, no capítulo XII, o que as lágrimas de Bruno escondem. O que ela sabe a afasta do noivo já no capítulo XII, e é com esse saber que atravessa os dois anos de casamento em que finge interesse pelo marido (capítulo XXII). O narrador abre o destino da filha de Piedade logo depois do dela (capítulo XXII) e não a absolve nem a acusa.

Relações

  • Léonie: a madrinha de Juju que a prepara na tarde da alcova e que a acolhe depois do casamento desfeito.
  • Piedade: a mãe cuja filha ela passa a proteger.
  • Henrique: o rapaz do sobrado que a namorisca da janela e com quem ela passa pela rua.