Quem é
Torneiro hábil e vadio, antigo capoeira de eleição, amante de Rita Baiana quando o livro o apresenta. Ganha numa semana o que gasta num dia, toca violão e canta o chorado no pagode, e tem ciúmes e brigas de longa data com Rita. É o rival de Jerônimo na navalhada e quem o livro mata na praia, em emboscada.
Trajetória
Aparece primeiro pelo nome: as lavadeiras dizem que Rita sumiu havia oito dias em pândega com ele (capítulo III). Chega ao pagode com Porfiro, de violão e cavaquinho, e o narrador o retrata (capítulo VII).
Era oficial de torneiro, oficial perito e vadio; ganhava uma semana para gastar num dia
Pernas e braços finos, pescoço estreito, porém forte; não tinha músculos, tinha nervos.
Desafia aos gritos Miranda, que ameaça chamar a polícia da janela do sobrado, e canta o chorado que cala o fado de Jerônimo (capítulo VII). Desconfia do português e troca com ele um olhar de desafio (capítulo IX). Na noite do samba, vence a primeira parte da luta com golpes de pé e de cabeça, é dominado pelo varapau de Jerônimo e, para escapar, fere-o na barriga com a navalha e foge (capítulo X).
Jerônimo era alto, espadaúdo, construção de touro, pescoço de Hércules, punho de quebrar um coco com um murro: era a força tranquila, o pulso de chumbo. O outro, franzino, um palmo mais baixo que o português, pernas e braços secos, agilidade de maracajá: era a força nervosa; era o arrebatamento que tudo desbarata no sobressalto do primeiro instante. Um, sólido e resistente; o outro, ligeiro e destemido, mas ambos corajosos.
Ninguém o denuncia, e é proibido de voltar à estalagem sob ameaça de polícia (capítulo XI, capítulo XII). Muda-se para o Cabeça-de-Gato, onde fica protegido e vira chefe de malta, o que esfria o namoro com Rita (capítulo XIII). Quando sabe que Jerônimo voltou do hospital, o ciúme cresce nele como a sede de um ferido (capítulo XIV).
um ciúme doido, um desespero feroz rebentou-lhe por dentro e cresceu logo como a sede de um ferido
Atraído à Praia da Saudade por uma mentira sobre Rita, é segurado por dois vultos, desarmado pelo Pataca e espancado até a morte (capítulo XV).
Soltaram-no então. O capoeira, mal tocou com os pés em terra, desferiu um golpe com a cabeça, ao mesmo tempo que a primeira cacetada lhe abria a nuca.
A malta do Cabeça-de-Gato, cerca de cem sob a dança de Porfiro, entra na estalagem para vingá-lo, e a batalha só é interrompida pelo incêndio no número 88 (capítulo XVII).
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Sexualidade e Classe social. O símbolo que o acompanha em cena é o fado e o chorado: o violão e a voz com que cala o fado de Jerônimo no pagode (capítulo VII).
O texto o apresenta pelo que gasta e pelo que perdeu: o ofício de torneiro que ele domina e o emprego de contínuo que chamava de ideal (capítulo VII), e a morte vem de uma emboscada e de uma mentira, não da luta de frente em que o texto o mostrou (capítulo X, capítulo XV).
Firmo e Jerônimo são o par que o narrador desenha pela força, a nervosa e a tranquila (capítulo X), e a diferença é também de posição: o capoeira vive do que ganha numa semana, o cavouqueiro de poupança que depois se desfaz. Quem sai vivo da briga é o que tinha o varapau e os ajudantes.
Relações
- Rita Baiana: a amante por quem briga e que passa a temê-lo.
- Jerônimo: o rival que ele fere e que o mata na emboscada.