Quem é
Mulher de Miranda e mãe de Zulmira, que o marido se muda para o sobrado a fim de afastar dos caixeiros, e a quem o livro mostra pelos olhos dos outros: o marido que sabe do adultério dela e não a deixa por causa do dote, o parasita Botelho que a flagra com Henrique, os moradores do cortiço que comentam o que veem pelo muro. Fala pouco em cena; quando fala, é para negar, para encerrar a conversa ou para pôr à prova o pretendente da filha.
Trajetória
Casada havia treze anos, mora no sobrado com o marido, com quem, desde o flagrante, passou a dormir e a comer em separado, e com a filha, de cuja paternidade o marido duvida; o dote que trouxe é o que sustenta a casa comercial dele (capítulo I).
a sua casa comercial garantia-se com o dote que ela trouxera, uns oitenta contos em prédios e ações da dívida pública
Cuida da mesada de Henrique, filho de um fazendeiro cliente do marido, e encarrega o marido das compras, que ele lança na conta do pai com comissão de usurário. Flagrada por Botelho com o rapaz num canto do quintal, nega de pronto e é ela quem manda encerrar a conversa (capítulo II).
Nós não estávamos fazendo nada! disse Estela, recuperando o sangue-frio.
Na noite do pagode, Leocádia diz tê-la visto aos beijos com o estudante, e Alexandre diz que já viu a sombra dela na parede com outro homem, um barbado e careca (capítulo VII); no grito de Miranda à janela, ela aparece de relance com o resto da casa (capítulo VII).
E via-se de relance Dona Estela, com a sua palidez de flor meia fanada, e Zulmira, lívida, um ar de fastio a fazê-la feia, e o Henriquinho, cada vez mais bonito, e o velho Botelho, indiferente, a olhar para toda esta porcaria do mundo com o profundo desprezo dos que já não esperam nada dos outros, nem de si próprios.
Na festa do título de barão corre entre criados e fornecedores com a filha e Henrique (capítulo X). Quando o casamento de Zulmira com João Romão está decidido, é ela quem vai marcar o dia, mas Botelho avisa que torce o nariz ao boato da crioula (capítulo XXI).
Lá em casa rosnou!... O Miranda defende-o, afirma que não... Ah! Aquilo é uma grande alma! Mas Dona Estela, você sabe o que são as mulheres!... Torce o nariz e... Em uma palavra: receio que esta história nos traga qualquer embaraço!...
Na confeitaria da Rua do Ouvidor, recebe o pretendente sem o cumprimento que os outros lhe dão e o faz corar com perguntas sobre a companhia lírica (capítulo XXIII).
só Dona Estela conservou inalterável a sua fria máscara de mulher que não dá verdadeira importância senão a si mesma.
Dona Estela dirigiu, de má, a João Romão várias perguntas sobre a companhia lírica, o que confundiu por tal modo ao pobre do homem, que o pôs vermelho e o desnorteou de todo.
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ela são Casamento, Classe social e Honra e reputação. O símbolo que a acompanha é o sobrado de Miranda, onde ela vive e de cuja janela olha o cortiço sem se misturar.
Estela é a mulher que o dote faz inamovível: o marido não pode romper com ela sem perder o capital da casa, e o texto a mostra segura dessa posição, no quintal com Henrique e na confeitaria com João Romão. Na cena do flagrante, o que se vê é a rapidez com que recobra o sangue-frio.
Estela quase nunca tem fala própria sobre o que sente. O que se sabe dela vem do marido, do parasita, dos vizinhos, e o livro só a deixa falar quando a fala serve a uma defesa ou a um teste. As duas leituras que o texto sustenta para a máscara fria da confeitaria são o orgulho de quem se acha acima do pretendente e o cuidado de quem sabe que o casamento da filha mexe com a casa toda.
Relações
- Miranda: o marido que sabe do adultério dela e depende do dote, e de quem vive separada.
- Zulmira: a filha a quem ama menos do que o instinto pede, por supô-la filha do marido.
- Henrique: o rapaz de quinze anos de quem toma conta da mesada e com quem Botelho a flagra.
- Botelho: o parasita que a flagra e promete discrição.
- João Romão: o pretendente de Zulmira que ela recebe com frieza e põe à prova com perguntas.