Clavis Libri

Personagem

Henrique

Quem é

Rapaz mineiro de quinze anos, filho de um fazendeiro importante cliente de Miranda, que vem à Corte terminar os preparatórios para a Academia de Medicina e se hospeda no sobrado. De aspecto acanhado e delicado, é o estudante que Botelho flagra com Dona Estela, que vai ao capinzal com a lavadeira Leocádia e que reaparece, anos depois, no quarto ano de medicina, de carro com Pombinha.

Trajetória

Chega de Minas recomendado a Miranda, que o hospeda porque o pai dele dá bons lucros à casa. Parece cuidadoso nos estudos, pouco gastador, e Estela, que toma conta da mesada, mostra por ele uma estima quase maternal (capítulo II).

Botelho o surpreende com Estela no quintal e, em vez de denunciar, o aconselha e lhe promete proteger os negócios com a senhora (capítulo II).

o estudante, fugindo-lhe das mãos, afastou-se com um gesto de repugnância e desprezo
Capítulos I a II: O cortiço de João Romão e a casa de Miranda

De manhã, sai com Miranda para o armazém e as aulas (capítulo III). No grito do pai à janela, aparece de relance, bonito (capítulo VII).

E via-se de relance Dona Estela, com a sua palidez de flor meia fanada, e Zulmira, lívida, um ar de fastio a fazê-la feia, e o Henriquinho, cada vez mais bonito, e o velho Botelho, indiferente, a olhar para toda esta porcaria do mundo com o profundo desprezo dos que já não esperam nada dos outros, nem de si próprios.
Capítulos VI a VII: O domingo de Rita Baiana e o pagode

Faz sinais a Leocádia enquanto ela lava e, no dia do coelho branco, propõe por gesto a condição do presente (capítulo VIII).

Este, sempre com seu sistema de conversar por mímica, declarou com um gesto qual era a condição da dádiva.
Capítulos VIII a IX: Jerônimo, Leocádia e o escândalo de Florinda

Bruno, o marido, os surpreende, e Henrique foge sem ser reconhecido (capítulo VIII). Namorisca Pombinha da janela, na manhã da festa do título (capítulo X). Anos depois, no quarto ano de medicina, passa de carro com ela, que está coberta de joias (capítulo XXIII).

Dentro do carro ia Pombinha, coberta de joias, ao lado de Henrique; ambos muito alegres, em pândega. O estudante, agora no seu quarto ano de medicina, vivia à solta com outros da mesma idade e pagava ao Rio de Janeiro o seu tributo de rapazola rico.
Capítulos XXI a XXIII: O fim de Bertoleza e a ascensão de Romão

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Sexualidade e Classe social. Ele é o rapaz de fora que o sobrado hospeda por interesse comercial e que passa a viver à solta na cidade.

Henrique é mais agido do que age. Em cada cena há alguém que o conduz, Estela que cuida do que ele gasta, Botelho que o aconselha, Leocádia que lhe cobra o filho, e o gesto próprio dele é a mímica com que propõe o presente e o recuo com que rejeita o velho.

O texto o dá como acanhado, de delicadezas de menina, e o mostra fazendo sinais à lavadeira e fugindo do marido dela; não o julga, só o expõe. A repugnância diante de Botelho pode ser lida como o limite de quem aceita o que lhe oferecem mas não aceita ser tratado como cúmplice, ou como o susto de um rapaz diante de um homem que viu demais.

Relações

  • Dona Estela: a mulher que toma conta da mesada dele e com quem Botelho o flagra.
  • Botelho: o velho que o aconselha e a quem ele rejeita.
  • Miranda: o negociante que o hospeda e cuja mulher cuida da mesada dele.
  • Pombinha: a moça do cortiço a quem ele namorisca da janela e com quem passa de carro.