Descrição que apela aos sentidos (o que se vê, ouve, cheira, prova ou toca) e faz o leitor perceber a cena, não só entendê-la.
Em Odisseia
mas Odisseu, desejando ver ao menos a fumaça subindo da sua terra, anseia por morrer.
O desejo de Odisseu vira uma imagem que se vê de longe, a fumaça que sobe das casas de Ítaca. O leitor enxerga o que o herói quer enxergar, e a saudade fica concreta em vez de abstrata.
Canto I: O concílio dos deuses e Telêmaco, Atena
como quando alguém esconde um tição na cinza escura, no limite do campo, onde não há outros vizinhos, guardando a semente do fogo para não ter de acendê-lo em outro lugar, assim Odisseu se cobriu de folhas.
Canto V: Calipso e a balsa, o narrador
e choravam em voz aguda, mais copiosamente que aves, águias-marinhas ou abutres de garras curvas, a quem os camponeses tiraram os filhotes antes de poderem voar;
Canto XVI: Pai e filho, o narrador
com a cauda fez festa e baixou as duas orelhas, mas já não pôde chegar perto de seu dono; e Odisseu, olhando para o lado, enxugou uma lágrima,
Canto XVII: O mendigo no palácio, o narrador
o lamento arde, as faces estão em lágrimas; de sangue estão salpicadas as paredes e as belas vigas; cheio de vultos está o pórtico, cheio também o pátio, vultos que correm para o Érebo, sob a treva; o sol desapareceu do céu, e uma névoa má se espalhou.
Canto XX: Os presságios, o adivinho Teoclímeno
dentro do recinto crescia uma oliveira de longas folhas, vigorosa, em plena força; o tronco era grosso como uma coluna. À volta dela construí o quarto, até o terminar, com pedras cerradas, cobri-o bem por cima e pus portas juntas, bem ajustadas.
Canto XXIII: O leito de oliveira, Odisseu
como quando a terra aparece acolhedora a nadadores cuja bem construída nau Poseidon despedaça no mar, empurrada pelo vento e pela onda pesada; poucos escapam do mar cinzento para a terra firme nadando, e muito sal lhes cobre a pele, e eles pisam a terra alegres, tendo fugido ao mal; assim era acolhedor para ela o marido que ela olhava, e do pescoço não largava de todo os braços brancos.
Canto XXIII: O leito de oliveira, o narrador
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.