O leitor ou o público sabe algo que o personagem ignora, e por isso as palavras e os atos do personagem ganham um sentido que ele mesmo não percebe.
Em Odisseia
muitas aves andam sob os raios do sol, e nem todas trazem sinal; quanto a Odisseu, morreu longe.
Eurímaco afirma com segurança que Odisseu “morreu longe”, e o leitor já sabe, pelo canto anterior, que ele está vivo e retido numa ilha. A certeza do pretendente, no momento em que tenta desprezar o sinal, ganha por isso um sentido que ele mesmo não percebe.
Canto II: A assembleia de Ítaca, Eurímaco
Telêmaco, que palavra te escapou da cerca dos dentes! Um deus, se quiser, salva facilmente um homem, mesmo de longe.
Canto III: Telêmaco em Pilos, Atena, com a figura de Mentor
Ai de mim, a terra de que mortais alcanço desta vez? Serão violentos, selvagens e injustos, ou hospitaleiros, com mente que teme os deuses?
Canto XIII: A chegada a Ítaca, Odisseu
pois odioso é para mim, tanto quanto as portas do Hades, aquele que, cedendo à pobreza, diz falsidades.
Canto XIV: Na cabana de Eumeu, Odisseu
e os deuses me deram ainda outras dores e gemidos: pois, chorando e sofrendo pelo senhor igual a um deus, fico aqui sentado e crio porcos gordos para que outros os comam, enquanto ele, desejoso de comida, talvez erre entre povos e cidades de língua estranha.
Canto XIV: Na cabana de Eumeu, Eumeu
com a cauda fez festa e baixou as duas orelhas, mas já não pôde chegar perto de seu dono; e Odisseu, olhando para o lado, enxugou uma lágrima,
Canto XVII: O mendigo no palácio, o narrador
os deuses também, semelhantes a estrangeiros de outras terras, assumindo formas de todo tipo, percorrem as cidades, observando a desmedida e a boa ordem dos homens.
Canto XVII: O mendigo no palácio, um dos pretendentes
se Odisseu viesse e chegasse à terra pátria, logo as portas, por mais largas que fossem, seriam estreitas para ti, fugindo pelo vestíbulo para fora.
Canto XVIII: Iro e os pretendentes, Odisseu
dizia muitas mentiras, semelhantes às verdades; e, enquanto ela ouvia, corriam lágrimas e se desfazia a sua pele.
Canto XIX: Penélope e a cicatriz, o narrador
coragem, filha de Icário, de longe famosa; isto não é sonho, mas visão boa, que se cumprirá para ti. Os gansos são os pretendentes; e eu, que antes era a águia, agora vim de novo, teu marido, que a todos os pretendentes imporei um destino indigno.
Canto XIX: Penélope e a cicatriz, a águia do sonho, na voz de Penélope
para beber vinho; a morte não lhe estava no ânimo. Quem imaginaria que um só homem, entre tantos convivas, por mais forte que fosse, traria para ele a morte má e o negro destino?
Canto XXII: A matança dos pretendentes, o narrador
Euricleia, estende-lhe o firme leito fora do sólido quarto que ele mesmo construiu; ali, depois de colocarem fora o firme leito, lançai a roupa de cama, com peles, mantos e cobertas brilhantes. Assim falou, pondo o marido à prova.
Canto XXIII: O leito de oliveira, Penélope
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.