Quem é
Aleksiêi Nílitch Kiríllov é o engenheiro de uns vinte e sete anos, magro, moreno, de olhos negros sem brilho, que fala aos tropeços e troca a ordem das palavras, recém-chegado à cidade (capítulo III da Primeira Parte). Mora num pavilhão do pátio da casa de Filíppov, depois de arrancar das mãos do capitão Lebiádkin a nagaika com que este chicoteava a irmã, e vive de chá, que bebe à noite andando pelo quarto até o amanhecer (capítulo III da Primeira Parte). Esteve na América com Ivan Chátov, os dois deitados quatro meses numa cabana, doentes, um pensando numa coisa e o outro em outra (capítulo IV da Primeira Parte). É um dos que receberam uma ideia de Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin, e a levou mais longe que o dono: se Deus não existe, o homem é Deus, e a prova é matar-se sem desespero e sem motivo, só para mostrar que não depende do medo da morte (capítulo III da Primeira Parte, capítulo VI da Terceira Parte). É o niilismo metafísico do romance, e é também o homem que brinca no chão com um bebê e uma bola vermelha de borracha, que serve chá e vitela ao vizinho Chátov e que diz amar a vida (capítulo I da Segunda Parte, capítulo V da Terceira Parte). O que quer é vencer a dor e o medo, e com isso tornar-se deus; o que teme é o que ele mesmo diz ter lhe atormentado a vida inteira, Deus (capítulo III da Primeira Parte). Sabe, ou diz saber, de uns poucos segundos de harmonia em que o tempo para e tudo é bom (capítulo I da Segunda Parte, capítulo V da Terceira Parte). Onde se engana é em tomar por vontade pura o que está preso a outras coisas: ao acordo com Piotr, que ele nega e cumpre (capítulo VI da Segunda Parte), a uma ferida diante do Cristo que morreu na mentira (capítulo VI da Terceira Parte), e ao corpo, que na hora de atirar ri, esconde-se e morde (capítulo VI da Terceira Parte).
Trajetória
Aparece pela primeira vez no capítulo III da Primeira Parte, trazido por Lipútin à casa de Stiepan Trofímovitch. Quando Lipútin revela, rindo, que ele escreve sobre as causas do aumento dos suicídios na Rússia, ele se ofende por ter sido citado e usado, nega que seja artigo e diz que despreza falar. Stiepan Trofímovitch, ao se despedir, observa que ele quer construir a ponte da cidade e ao mesmo tempo defende a destruição geral, e que não o deixarão construir; Kiríllov repete a frase, espantado, e solta uma risada clara de rosto de criança. À noite recebe em casa o cronista, que o encontra com a lamparina acesa pela velha diante do ícone, e explica o que procura: por que as pessoas não ousam se matar. Dois preconceitos as seguram, a dor e o outro mundo, e a imagem que dá é a de uma pedra do tamanho de uma casa, pendurada sobre alguém: não dói, mas todos temem que doa. Daí a definição:
Его нет, но он есть. В камне боли нет, но в страхе от камня есть боль. Бог есть боль страха смерти. Кто победит боль и страх, тот сам станет бог, ele não existe, mas existe. Na pedra não há dor, mas no medo da pedra há dor. Deus é a dor do medo da morte. Quem vencer a dor e o medo, esse mesmo se tornará deus.
Diz também que não consegue pensar em outra coisa e que Deus o atormentou a vida inteira, e acompanha o cronista com uma lanterna até o portão. No capítulo IV da Primeira Parte aparece em casa de Chátov, em silêncio, com Chigalióv, e sai sem se despedir antes que Chátov conte ao cronista o que os dois passaram na América; no capítulo V da Primeira Parte é só um nome, na boca de Piotr, que diz ter chegado com Stavróguin à casa dele, e na de Stavróguin, que responde a uma observação dele sobre Mária Timofêievna.
No capítulo I da Segunda Parte Stavróguin o procura para pedir que seja seu padrinho num duelo com Gagánov, e o encontra no chão com o bebê e a bola. O duelo é tratado como contabilidade, e a conversa passa à vida e à morte: a morte, a rigor, não existe, porque há minutos em que o tempo para. Stavróguin pergunta se ele passou a crer numa vida depois da morte, e ele responde:
Есть минуты, вы доходите до минут, и время вдруг останавливается и будет вечно, há minutos, a gente chega a certos minutos, e o tempo de repente para e passa a ser para sempre.
A prova que dá é uma folha de árvore, amarelada e apodrecida nas bordas, levada pelo vento, e a lembrança da folha verde que aos dez anos imaginava de olhos fechados no inverno. Daí a tese, que não é alegoria:
Человек несчастлив потому, что не знает, что он счастлив; только потому, o homem é infeliz porque não sabe que é feliz; só por isso.
E dela vem o ensino possível:
Кто научит, что все хороши, тот мир закончит, quem ensinar que todos são bons, esse encerra o mundo.
Stavróguin responde que quem ensinou foi crucificado, e Kiríllov devolve um nome, que corrige a ordem das palavras do Deus-homem da tradição:
Он придет, и имя ему человекобог, ele virá, e o nome dele é homem-Deus.
Nega ter fé, apesar da lamparina, que acende porque a velha gosta, e diz rezar a tudo, até à aranha que sobe pela parede. Não é um sistema: ele diz que a certeza veio numa noite de quarta-feira, em que andava pelo quarto sem se lembrar do motivo, e o relógio parou às duas e trinta e sete. No capítulo III da Segunda Parte, no caminho de volta do duelo em que foi padrinho de Stavróguin, é ele quem lhe diz o que viu, sem hostilidade, depois de Stavróguin ter atirado para o alto:
Я думал, вы сами ищете бремени, pensei que o senhor mesmo procurasse o fardo.
E acrescenta que quem se poupa do preço de um ato não ganha o ato:
Несите бремя. А то нет заслуги, carregue o fardo. Senão, não há mérito.
No capítulo VI da Segunda Parte, Piotr chega à casa de Filíppov quando ele faz ginástica no meio do quarto e lembra o acordo. Kiríllov responde que acordo não há, nem houve:
Только уговору нет и не было, и я ничем не вязал. Была одна моя воля и теперь одна моя воля, só que acordo não há nem houve, e eu não me amarrei a nada. Era só a minha vontade, e agora é só a minha vontade.
Aceita deixar uma carta que assuma as proclamações, para que ninguém seja procurado por um ano, e diz que Fiedka dorme ali, que lhe leu o Apocalipse de noite com chá, e que, se Piotr o quiser degolar, ele degola. Ao deixar Piotr sair, murmura que não dará nada contra Stavróguin. No capítulo VII da Segunda Parte está na reunião da casa de Virguinski, calado, encarando cada orador, e é ele quem fecha a discussão com Stavróguin na antessala: Stavróguin irá à casa dele porque lhe é necessário, e lá ele mostrará. No capítulo VIII da Segunda Parte é ele quem traz Fiedka até a porta, no meio da briga entre Piotr e Stavróguin.
No capítulo IV da Terceira Parte Piotr e Lipútin o encontram tomando chá no sofá de couro; ele diz que quer ficar sozinho no dia seguinte e, quando Piotr tenta que não pense demais, chama-o de homem baixo e ameaça adiar mais meio ano. Piotr recua com a frase que o obriga:
Знаю тоже, что не вы съели идею, а вас съела идея, стало быть, и не отложите, sei também que não foi o senhor quem comeu a ideia, mas a ideia que o comeu; portanto, o senhor não vai adiar.
Fiedka está na cozinha, onde Kiríllov lhe fritou carne e batatas, e quando o servo derruba Piotr a socos é Kiríllov quem o reanima com um balde de água. No capítulo V da Terceira Parte, quando Chátov corre a ele atrás de chá para a mulher que acaba de voltar, Kiríllov lhe dá chá, açúcar, pão, vitela e um rublo, diz que é bom ele amar a mulher depois da Suíça e, na hora do parto, lhe fala de segundos que são cinco ou seis de uma vez:
Есть секунды, их всего зараз приходит пять или шесть, и вы вдруг чувствуете присутствие вечной гармонии, совершенно достигнутой. Это не земное; я не про то, что оно небесное, а про то, что человек в земном виде не может перенести. Надо перемениться физически или умереть. Это чувство ясное и неоспоримое. Как будто вдруг ощущаете всю природу и вдруг говорите: да, это правда. Бог, когда мир создавал, то в конце каждого дня создания говорил: «Да, это правда, это хорошо». Это… это не умиление, а только так, радость. Вы не прощаете ничего, потому что прощать уже нечего. Вы не то что любите, о — тут выше любви! Всего страшнее, что так ужасно ясно и такая радость. Если более пяти секунд — то душа не выдержит и должна исчезнуть. В эти пять секунд я проживаю жизнь и за них отдам всю мою жизнь, потому что стоит, há segundos, vêm ao todo cinco ou seis de uma vez, e de repente você sente a presença da harmonia eterna, perfeitamente alcançada. Isso não é terreno; não digo que seja celeste, digo que o homem, em forma terrena, não pode suportar. É preciso mudar fisicamente ou morrer. Esse sentimento é claro e indiscutível. É como se de repente você sentisse toda a natureza e dissesse: sim, isso é verdade. Deus, quando criava o mundo, no fim de cada dia da criação dizia: "Sim, isso é verdade, isso é bom". Isso... isso não é enternecimento, é apenas alegria. Você não perdoa nada, porque já não há o que perdoar. Não é que você ame, ah, é mais alto que o amor! O mais terrível é que é tão assustadoramente claro, e é tanta alegria. Se durar mais de cinco segundos, a alma não aguenta e tem de desaparecer. Nesses cinco segundos eu vivo uma vida, e por eles daria toda a minha vida, porque vale a pena.
Diz que a humanidade deveria deixar de gerar, pergunta logo pela mulher que vai parir, e, quando Chátov responde que é assim que começa a epilepsia, replica baixinho que não dará tempo. Depois do nascimento manda uma velha para felicitar, chá quente, costeletas e caldo.
No capítulo VI da Terceira Parte, à uma da madrugada, Piotr o encontra pálido, à sua espera. Kiríllov aceita escrever, recusa pôr o nome de Chátov, e, ao saber que Chátov está morto, grita que foi Piotr quem o matou; os dois se apontam os revólveres, Kiríllov ri com raiva e baixa o braço. Piotr o conduz à conversa de sempre, e ele reduz a ideia a uma regra:
Если нет бога, то я бог, se não há Deus, então eu sou Deus.
Explica por que ele justamente:
Я обязан себя застрелить, потому что самый полный пункт моего своеволия — это убить себя самому, sou obrigado a me matar a tiro, porque o ponto mais pleno da minha vontade própria é matar a mim mesmo.
Piotr sugere que, para mostrar vontade própria, ele mataria outro, e ele recusa:
Убить другого будет самым низким пунктом моего своеволия, и в этом весь ты. Я не ты: я хочу высший пункт и себя убью, matar o outro será o ponto mais baixo da minha vontade própria, e nisso você é todo. Eu não sou você: quero o ponto mais alto, e é a mim que vou matar.
Aponta a imagem do Salvador diante da lamparina e conta o dia das três cruzes, a ferida que o fez concluir que o planeta é mentira:
если законы природы не пожалели и Этого, даже чудо свое же не пожалели, а заставили и Его жить среди лжи и умереть за ложь, то, стало быть, вся планета есть ложь и стоит на лжи и глупой насмешке. Стало быть, самые законы планеты ложь и диаволов водевиль. Для чего же жить, отвечай, если ты человек, se as leis da natureza não pouparam nem Este, não pouparam nem o seu próprio milagre, mas obrigaram também a Ele a viver em meio à mentira e a morrer pela mentira, então, quer dizer, todo o planeta é mentira e se assenta sobre a mentira e uma zombaria estúpida. Quer dizer, as próprias leis do planeta são mentira e vaudeville do diabo. Para que viver, responda, se você é homem?
Exalta-se, grita que dite e ele assina, e Piotr dita um texto que o faz assumir a morte de Chátov, a denúncia dos folhetos e o esconderijo de Fiedka; ele estranha que seja só isso, e ao assinar escreve Liberté, égalité, fraternité ou la mort e se declara cidadão do mundo civilizado, às gargalhadas. Corre ao quarto ao lado e fecha a porta. Piotr, depois de dez minutos sem tiro, o encontra de pé no canto entre a parede e o armário, os braços colados ao corpo, a nuca na parede, como querendo se apagar; quando Piotr lhe agarra o ombro, Kiríllov derruba a vela com uma cabeçada e morde-lhe o dedo:
Я хочу изругать… [...] Я хочу изругать…, quero xingar... [...] quero xingar... E, na fuga de Piotr, os gritos vêm de dentro da casa:Сейчас, сейчас, сейчас, сейчас…, já, já, já, já...
Piotr só volta ao ouvir o tiro: o cadáver junto à janela, a bala na têmpora direita, o revólver na mão caída, o papel à vista. No capítulo VIII da Terceira Parte Marie vai ao anexo de Kiríllov à procura do marido, vê o que vê, não lê o bilhete e corre com o menino para a rua, e a notícia do suicídio e do bilhete chega à cidade em duas horas. Na carta de despedida a Dária Pávlovna, Stavróguin o define pelo que ele mesmo não é:
Великодушный Кириллов не вынес идеи и — застрелился, но ведь я вижу, что он был великодушен потому, что не в здравом рассудке, o magnânimo Kiríllov não suportou a ideia e se matou, mas vejo que ele foi magnânimo porque não estava em são juízo.
Temas que encarna
Kiríllov é a pergunta pelo Deus e o divino levada ao ponto em que quem a faz precisa responder com o corpo, e por isso é também a pergunta pelo Sentido da vida: se não há Deus, a vida de cada um depende de quem a vive, e a prova do poder sobre ela é dispor dela. O romance dá à ideia três imagens que se respondem, a folha amarelada que prova que tudo é bom (capítulo I da Segunda Parte), os cinco ou seis segundos de harmonia eterna que o corpo não suporta (capítulo V da Terceira Parte) e as três cruzes, em que as leis da natureza fizeram o Cristo viver e morrer em meio à mentira (capítulo VI da Terceira Parte). Os dois primeiros são alegria, o terceiro é ferida, e a cena de morte põe os três lado a lado. Seus símbolos são a folha e os cinco segundos, o ícone e a lamparina e a aranha, e a nota que ele deixa a assinar tem o peso dos folhetos.
O que o separa de Stavróguin, de quem a ideia veio, é que ele a leva a sério: nos dois momentos em que o livro lhe pede para obedecer ao raciocínio, no acordo com Piotr (capítulo VI da Segunda Parte) e na noite do suicídio (capítulo VI da Terceira Parte), insiste que a decisão é só dele, que não houve acordo e que ele não se amarrou a nada. A insistência mostra o ponto em que a ideia aperta, porque o ato que ele quer livre é o único que Piotr conta com certeza que ele cumprirá. E é por isso que a cena em que a doutrina é posta à prova mostra mais do que a doutrina: o homem que diz que o ponto mais alto da vontade é matar a si mesmo ri, xinga em francês, esconde-se num canto e morde antes de atirar.
Leituras divergentes
A leitura corrente do personagem o toma por exemplo de suicídio frio, pedagógico, puramente racional. Ela tem apoio no texto, na doutrina, que é completa e dita com método até o último momento:
Até aqui Kiríllov fala com método: dita as próprias condições, corrige Piotr, reduz a ideia a uma regra: se Deus existe, toda a vontade é dele; se não, é de Kiríllov, e ele tem de declará-la no ponto mais pleno. A recusa de matar outro mostra um escrúpulo que Piotr não entende, o de que matar o outro é o ponto mais baixo e ele se quer acima. A doutrina é fria e completa, e é a cena seguinte que a põe à prova.
Albert Camus, em O Mito de Sísifo, cita Kiríllov no capítulo Um raciocínio absurdo, na seção O absurdo e o suicídio, como o caso raro de quem leva a lógica do sentido negado até o fim, em vez de seguir vivo; é uma afirmação sobre a doutrina, e a pergunta que ela provoca é se o ato nasce de desespero ou de convicção.
A leitura que acompanha a cena, e não só a doutrina, vê outra coisa. O ato final é frenético, e o romance o filma assim de propósito:
A doutrina é pensada com método, e a cena mostra o corpo a contradizê-la: Kiríllov, ao ser tocado, derruba a vela e morde, e só depois dos "já, já" repetidos dez vezes atira. Quem diz "sou Deus" se encosta num canto como bicho encurralado, ri e xinga em francês. Não invalida a lógica, mas o romance deixa a personagem dizer uma coisa e mostra outra.
O próprio Stavróguin, na carta a Dária, diz que Kiríllov foi magnânimo porque não estava em são juízo (capítulo VIII da Terceira Parte), e o romance fecha o par de maneira inversa: Kiríllov morre proclamando doutrina e a cena mostra frenesi; Stavróguin morre sem proclamar nada e a cena mostra premeditação fria (capítulo VIII da Terceira Parte).
O romance fecha o par Kiríllov-Stavróguin por inversão exata. Kiríllov morre proclamando doutrina e execução racional, e a cena mostra frenesi; Stavróguin morre sem proclamar doutrina nenhuma, e a cena mostra premeditação fria: sabão no cordão, martelo e prego de reserva, e uma autópsia que descarta a loucura. Um morre convicto e se revela fora de si; o outro morre vazio e se revela em plena posse dos próprios atos.
As duas leituras cabem no mesmo personagem, e a divergência é entre o argumento e a execução. Camus fala do argumento e tem razão: o silogismo de Kiríllov é frio e fecha sem fresta. Quem for citá-lo deve escolher o que cita, a doutrina, que é fria, ou a morte, que não é. A extensão da frieza da doutrina à cena do ato é a que o romance não autoriza, e o que torna a pergunta aberta é a pergunta que o texto faz sem responder: se o corpo trai a doutrina na hora de prová-la, o que o romancista quer que o leitor conclua da ideia (capítulo VI da Terceira Parte).
O que a cena escolhe mostrar no último instante é a prova do corpo, e não a serenidade que a doutrina promete a quem a leva ao fim: riso, esconderijo, mordida, dez "já" antes do tiro. Se a raiz fosse só racional, o romance não teria motivo para filmar o instante assim. É nessa fresta, entre o que Kiríllov afirma de si e o que o texto exibe dele, que mora o julgamento do romancista sobre a ideia.
Na pergunta sobre o que se espera do acúmulo de experiências, está no lado oposto ao de Emma Bovary: não acumula nada, aposta o sentido inteiro num ato único.
Relações
- Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin: de quem a ideia veio, segundo Chátov (capítulo I da Segunda Parte); o único a quem concede grandeza, ainda que a explique por falta de juízo (capítulo VIII da Terceira Parte), e a quem diz o que viu nele (capítulo III da Segunda Parte).
- Ivan Chátov: o companheiro de cabana na América (capítulo IV da Primeira Parte), a quem dá chá, pão e rublos quando a mulher volta (capítulo V da Terceira Parte) e cuja morte ele atribui a Piotr (capítulo VI da Terceira Parte).
- Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski: quem conta com a morte combinada (capítulo VI da Segunda Parte), a quem ele chama de homem baixo (capítulo IV da Terceira Parte) e de macaco (capítulo VI da Terceira Parte).
- Fiedka: o hóspede da cozinha, que ele alimenta e a quem lê o Apocalipse (capítulo VI da Segunda Parte, capítulo IV da Terceira Parte).
- Ignat Lebiádkin: o vizinho de quem arrancou a nagaika (capítulo III da Primeira Parte).
- Lipútin: quem o apresenta e o expõe à sala, e que vai à casa dele com Piotr na véspera do crime (capítulo III da Primeira Parte, capítulo IV da Terceira Parte).
- Stiepan Trofímovitch Verkhoviénski: quem o vê, no primeiro encontro, construindo a ponte e defendendo a destruição geral (capítulo III da Primeira Parte).