Pôr lado a lado ideias ou palavras opostas, para que uma ilumine a outra pelo contraste.
Em Ilíada
dizei-me agora, Musas que tendes moradas olímpicas, pois vós sois deusas, estais presentes e sabeis tudo, e nós só ouvimos a fama e nada sabemos.
O verso opõe as deusas, que “estais presentes e sabeis tudo”, aos homens, que “só ouvimos a fama e nada sabemos”. O contraste entre saber tudo e nada saber explica por que o poeta precisa delas para o que vai contar.
Canto II: O sonho e o catálogo das naus, o narrador
Considera, filho de Tideu, e recua, e não queiras pensar igual aos deuses, pois nunca é semelhante a raça dos deuses imortais e a dos homens que andam sobre a terra.
Canto V: A aristeia de Diomedes, Apolo
Pois minha mãe, a deusa Tétis dos pés de prata, diz que dois destinos de morte me levam ao termo: se eu ficar aqui e combater a cidade dos troianos, perdi o retorno, mas minha glória será imperecível; se eu voltar para casa, à querida pátria, perdi a boa glória, mas longa vida me será dada, e o termo da morte não me alcançará logo.
Canto IX: A embaixada a Aquiles, Aquiles
Pois me é odioso, tanto quanto as portas de Hades, aquele que esconde uma coisa no peito e diz outra.
Canto IX: A embaixada a Aquiles, Aquiles
A ti o filho de Crono, de pensamentos tortuosos, deu em duas partes: com o cetro deu-te ser honrado acima de todos, mas a coragem não te deu, que é o maior poder.
Canto IX: A embaixada a Aquiles, Diomedes
pois agora, para todos os aqueus, está sobre o fio da navalha: ou ruína lamentável, ou viver.
meu caro, se, fugindo desta guerra, devêssemos ser para sempre sem velhice e imortais, eu mesmo não lutaria entre os primeiros nem te mandaria ao combate que dá glória aos homens; mas agora, de qualquer modo, as Queres da morte estão sobre nós, incontáveis, e nenhum mortal pode fugir delas ou escapar. Vamos, ou daremos glória a alguém, ou alguém a nós.
Canto XII: O assalto à muralha, Sarpédon
de tudo há fartura, do sono, do amor, do canto doce e da dança sem defeito, coisas de que qualquer um deseja mais se fartar do que da guerra; mas os troianos não se fartam do combate.
Canto XIII: A batalha junto às naus, Menelau
uma coisa o Pai lhe deu, outra recusou com um aceno: afastar das naus a guerra e o combate, isso concedeu; voltar são e salvo da batalha, recusou.
Canto XVI: A morte de Pátroclo, o narrador
ai, infelizes, por que vos demos ao rei Peleu, um mortal, vós que não envelheceis nem morreis? Foi para que tivésseis dores entre homens miseráveis? Pois de tudo o que respira e rasteja sobre a terra, nada há mais digno de lástima que o homem.
Canto XVII: A luta pelo corpo de Pátroclo, Zeus
que eu não morra sem luta e sem glória, mas depois de fazer algo grande, que também os vindouros venham a saber.
Canto XXII: A morte de Heitor, Heitor
ai de mim, existe então, mesmo na casa de Hades, alma e imagem, mas nelas não há entendimento algum.
Canto XXIII: Os jogos fúnebres, Aquiles
suportei o que nenhum outro mortal sobre a terra ainda suportou: levar aos lábios a mão do homem que mata os meus filhos.
Canto XXIV: O resgate de Heitor, Príamo
pois dois jarros jazem no chão de Zeus, de dons, dos que ele dá: um de males, o outro de bens. A quem Zeus, que se alegra com o raio, der misturando, ora topa com um mal, ora com um bem.
Canto XXIV: O resgate de Heitor, Aquiles
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.