Quem é
Fiódor Pávlovitch Karamázov é o dono de terras do distrito, bufão voluntário e sensual sem freio, pai de Dmitri Fiódorovitch Karamázov, de Ivan Fiódorovitch Karamázov e de Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov, e talvez também de Smierdiakóv, se o boato da cidade valer (capítulo I do Livro I, capítulo III do Livro I, capítulo II do Livro III). Casou duas vezes, sempre por rapto: com Adelaida Ivánovna Miússova, rica e bem-nascida, que o desprezou e fugiu, e com Sófia Ivánovna, órfã de dezesseis anos criada por uma benfeitora, que adoeceu na casa dele (capítulo I do Livro I, capítulo III do Livro I). Começou com quase nada e deixa uns cem mil rublos em espécie, fruto de uma esperteza que o narrador separa de propósito da tolice (capítulo I do Livro I, capítulo IV do Livro I), e aos cinquenta e cinco anos quer viver mais vinte como homem (capítulo II do Livro IV). É a origem do que os filhos herdam e contra o que cada um reage à sua maneira: onde eles ainda disputam entre o ideal e o apetite, ele já decidiu a disputa a favor do apetite, e o faz sem drama, mas não sem medo (capítulo I do Livro III, capítulo IX do Livro III). Morre assassinado fora de cena, e o envelope de dinheiro que guardava para Grúchenka é o que move a trama do inquérito (capítulo IV do Livro VIII, capítulo II do Livro IX).
Trajetória
No capítulo I do Livro I, antes de contar o que ele fez, o narrador o define pela mistura que o livro vai desdobrar: depravado e desmiolado, mas não para o dinheiro.
человека не только дрянного и развратного, но вместе с тем и бестолкового, um homem não só reles e depravado, mas ao mesmo tempo também desmiolado.
Casado com Adelaida, que o tomou por homem ousado quando ele era só um bufão malvado, Fiódor vê a mulher fugir com um seminarista e lhe deixar o filho de três anos, monta um harém em casa e percorre a província chorando contra a abandonada. Quando chega a notícia da morte dela, bêbado, ou corre pela rua erguendo as mãos ao céu, ou chora aos soluços, e o narrador se recusa a escolher:
Очень может быть, что было и то, и другое, то есть что и радовался он своему освобождению, и плакал по освободительнице — всё вместе., é bem possível que tenha havido uma coisa e outra, isto é, que ele se alegrasse com a própria libertação e chorasse pela libertadora, tudo junto.
No capítulo II do Livro I esquece o menino, e o narrador separa o abandono do ódio: não é maldade, é esquecimento, e o traço de caráter que o explica é o gosto de representar papéis inesperados, mesmo sem necessidade e em prejuízo próprio.
не по злобе к нему или не из каких-нибудь оскорбленно-супружеских чувств, а просто потому, что забыл о нем совершенно, não por maldade contra ele nem por algum sentimento de marido ofendido, mas simplesmente porque se esqueceu dele por completo.
Федор Павлович всю жизнь свою любил представляться, вдруг проиграть пред вами какую-нибудь неожиданную роль, и, главное, безо всякой иногда надобности, даже в прямой ущерб себе, Fiódor Pávlovitch a vida inteira gostou de fingir, de representar de repente diante de você algum papel inesperado e, principalmente, sem necessidade nenhuma às vezes, até em prejuízo direto de si mesmo.
Quem sustenta Mítia é o criado Grigori. Quando o filho, já maior, vem acertar contas, Fiódor percebe que ele superestima o que possui e o explora com pequenas remessas até que não reste nada, tudo por acordos que o próprio rapaz quis assinar, e dessa conta nasce a catástrofe que o narrador promete:
Вот это-то обстоятельство и привело к катастрофе, изложение которой и составит предмет моего первого вступительного романа, foi justamente essa circunstância que levou à catástrofe, cuja exposição constituirá o assunto do meu primeiro romance, o introdutório.
No capítulo III do Livro I casa com Sófia Ivánovna, a quem propõe o rapto depois de ser mandado embora, e o que o atraiu nela, como ele mesmo diria depois, foi o olhar inocente, coisa que não conhecia:
«Меня эти невинные глазки как бритвой тогда по душе полоснули», Aqueles olhinhos inocentes me rasgaram a alma, naquele tempo, como uma navalha.
Com ela vêm as orgias dentro da casa, que Grigori expulsa à força uma vez, e dois filhos esquecidos como o primeiro. Quando Sófia morre, a generala que a criara aparece sem aviso, bate nele duas vezes, puxa-lhe o topete, bate também em Grigori e leva os meninos; Fiódor vê na cena um bom negócio e vai contar as bofetadas pela cidade.
No capítulo IV do Livro I, de volta depois de anos em Odessa, mais velho e mais descarado, dono de botequins, vigiado por Grigori quase como por um aio, reencontra a imagem da segunda mulher em Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov e lhe diz que ele parece a possessa, a klikúcha, como o povo chama as mulheres de ataques:
что ты на нее похож, на кликушу-то?, que você é parecido com ela, com a possessa?
Leva mil rublos ao mosteiro pela alma da primeira esposa, a que lhe batia, e não da mãe de Aliócha, e brinca com a própria feiura, que transforma em personagem:
«Настоящий римский, — говорил он, — вместе с кадыком настоящая физиономия древнего римского патриция времен упадка», autêntico romano, dizia ele, e junto com o gogó uma autêntica fisionomia de patrício romano antigo, dos tempos da decadência.
Quando o filho pede licença para entrar no mosteiro, responde meio bêbado, debochando dos ganchos de ferro dos diabos, e o deixa ir com um pedido que desmente o deboche:
ступай, доберись там до правды, да и приди рассказать: всё же идти на тот свет будет легче, коли наверно знаешь, что там такое [...] ведь я чувствую же, что ты единственный человек на земле, который меня не осудил, мальчик ты мой милый, я ведь чувствую же это, не могу же я это не чувствовать!.., vá, chegue lá à verdade e volte para contar: será mais fácil ir para o outro mundo, se se sabe ao certo o que há lá [...] pois eu sinto que você é o único homem na terra que não me condenou, meu menino querido, eu sinto isso, como não haveria de sentir!
O narrador resume o homem em duas palavras:
Он был зол и сентиментален., Era mau e sentimental.
No capítulo V do Livro I é Fiódor, brincando, quem sugere que a família inteira se reúna com o stáriets Zossima, e a reunião marcada para dividir uma herança vira o palco dele. No capítulo II do Livro II, na cela, adianta-se ao juízo dos outros:
Вы видите пред собою шута, шута воистину!, O senhor vê diante de si um bufão, um bufão de verdade!
Я шут коренной, с рождения, всё равно, ваше преподобие, что юродивый, Sou bufão de raiz, de nascença, dá no mesmo, vossa reverência, que um louco de Deus.
Quando o stáriets lhe diz que não se envergonhe tanto de si mesmo, pois é daí que tudo vem, Fiódor devolve o conselho como confissão:
Вот потому я и шут, от стыда шут, старец великий, от стыда. От мнительности одной и буяню., É por isso que sou bufão, bufão de vergonha, grande stáriets, de vergonha. É só por suscetibilidade que faço arruaça.
O stáriets lhe diz então o que importa: a mentira que não se vê, a que se conta a si mesmo, faz perder o respeito por todos.
Главное, самому себе не лгите., O principal: não minta a si mesmo.
No capítulo VI do Livro II acusa Mítia diante dos monges, desafia-o a um duelo de pistola a três passos e ouve dele a pergunta que o livro deixa pairando sobre o pai:
Зачем живет такой человек!, Para que vive um homem assim!
No capítulo VIII do Livro II decide ir embora, volta ao almoço do abade por ter se lembrado do papel de bufão que prometera e ataca os monges em nome do mujique:
Ведь вы, отцы святые, народ сосете!, Pois vocês, santos padres, sugam o povo!
No capítulo I do Livro III se vê que a casa dele depende de um homem fiel: nas noites de bebedeira o medo espiritual o acorda, e o que o conforta é olhar o rosto de Grigori. Aliócha lhe dá, sem querer, o que ninguém lhe dera:
Дело было именно в том, чтобы был непременно другой человек, старинный и дружественный, чтобы в больную минуту позвать его, только с тем чтобы всмотреться в его лицо, пожалуй переброситься словцом, совсем даже посторонним каким-нибудь, и коли он ничего, не сердится, то как-то и легче сердцу, а коли сердится, ну, тогда грустней., A questão era justamente que houvesse sem falta um outro homem, antigo e amigo, a quem chamar na hora doente, só para olhar o rosto dele, quem sabe trocar uma palavrinha, até alheia ao assunto, e se ele está bem, não se zanga, o coração fica de algum modo mais leve, e se se zanga, bem, então fica mais triste.
жил, всё видел и ничего не осудил, viveu, viu tudo e não condenou nada.
No capítulo II do Livro III jura que foi embora com o bando de bêbados que debochou da louca de Deus Lisavieta, e o narrador registra que talvez tenha sido assim, e que ninguém jamais soube:
может быть, так именно и было, никто этого не знает наверно и никогда не знал, talvez tenha sido mesmo assim, ninguém sabe isso com certeza e nunca soube.
No capítulo VI do Livro III confia por completo na honestidade do jovem criado Smierdiakóv, que lhe devolveu três cédulas de cem perdidas na lama, e no capítulo VII do Livro III, diante da história do soldado que preferiu ser esfolado a renegar a Cristo, responde com cálculo de lucro e blasfêmia e com a confissão mais direta que faz sobre a fé:
такого солдата следовало бы произвести сейчас же во святые и снятую кожу его препроводить в какой-нибудь монастырь, tal soldado deveria ser promovido ali mesmo a santo, e a pele dele, esfolada, deveria ser enviada a algum mosteiro.
здесь мы все от легкомыслия лишь не веруем, потому что нам некогда: во-первых, дела одолели, а во-вторых, времени бог мало дал, всего во дню определил только двадцать четыре часа, так что некогда и выспаться, не только покаяться., aqui nós todos não cremos só por leviandade, porque não temos tempo: primeiro, os negócios nos esmagam, e segundo, Deus nos deu pouco tempo, determinou por dia só vinte e quatro horas, de modo que não dá tempo nem de dormir, quanto mais de se arrepender.
No capítulo VIII do Livro III pergunta a Ivan e a Aliócha, um depois do outro, se Deus existe, e, sem resposta que o ajude, passa a falar do stáriets:
Это иезуит, русский то есть., É um jesuíta, quer dizer, um jesuíta russo.
No capítulo IX do Livro III Mítia invade a casa à procura de Grúchenka, derruba Grigori com um soco e espanca o pai, pisando-lhe o rosto. Deitado, com um pano molhado na cabeça, o velho confessa a Aliócha onde está o medo dele:
я Ивана боюсь; я Ивана больше, чем того, боюсь. Я только тебя одного не боюсь…, tenho medo de Ivan; tenho mais medo de Ivan do que do outro. Só de você eu não tenho medo…
No capítulo II do Livro IV, de lenço vermelho na testa roxa, expõe a Aliócha a filosofia que vive: sem paraíso nem conta a prestar, só resta gozar até o fim e guardar para quando o gozo custar.
А в рай твой, Алексей Федорович, я не хочу, это было бы тебе известно, да порядочному человеку оно даже в рай-то твой и неприлично, если даже там и есть он. По-моему, заснул и не проснулся, и нет ничего, поминайте меня, коли хотите, а не хотите, так и черт вас дери. Вот моя философия, quanto ao teu paraíso, Aleksiéi Fiódorovitch, eu não quero, fica sabendo, e para um homem decente é até inconveniente ir ao teu paraíso, se é que ele existe. Para mim, dormiu e não acordou, e não há mais nada; lembrem-se de mim se quiserem, e se não quiserem, que o diabo os carregue. Eis a minha filosofia.
Aliócha lhe responde que ele não é um homem mau, é um homem estropiado, e o velho admite que só com o filho teve as suas horinhas de bondade. A conta que faz para a surra é outra: não processar Mítia, para que Grúchenka o largue e venha visitar o velho machucado. A ameaça que sai dele é repetida:
Не злой вы человек, а исковерканный, o senhor não é um homem mau, é um homem estropiado.
Засади я его, подлеца, она услышит, что я его засадил, и тотчас к нему побежит. А услышит если сегодня, что тот меня до полусмерти, слабого старика, избил, так, пожалуй, бросит его, да ко мне придет навестить, se eu meto o canalha na cadeia, ela vai ouvir que o meti e corre logo para ele. Mas se ouvir, hoje, que ele me bateu quase até a morte, a mim, um velho fraco, talvez o largue e venha me visitar.
А Митьку я раздавлю, как таракана. Я черных тараканов ночью туфлей давлю: так и щелкнет, как наступишь. Щелкнет и Митька твой, e Mítia eu vou esmagar como se esmaga barata. Barata preta eu esmago de noite com o chinelo: estala assim, quando se pisa. Estala também o teu Mítia.
No capítulo VII do Livro V, com Ivan a caminho de Moscou e Fiódor convencido de que lê pessoas pela barba de um comprador de mata, o narrador o deixa quase feliz, trancado, à espera de Grúchenka e das cinco batidas combinadas:
никогда еще сердце его не купалось в более сладкой надежде, nunca o seu coração havia se banhado em esperança mais doce.
No capítulo IV do Livro VIII Mítia o vê pela janela iluminada, de roupão novo, examinando no espelho os hematomas, e o ouve responder ao sinal combinado, com a voz trêmula, que tem um presentinho para o anjo que supõe chegada. No capítulo II do Livro IX, morto, de cabeça rachada, provavelmente pelo mesmo instrumento que feriu Grigori, deixa atrás do biombo o envelope rasgado e vazio, com a inscrição de próprio punho:
Гостинчик в три тысячи рублей ангелу моему Грушеньке, если захочет прийти [...] и цыпленочку, Presentinho de três mil rublos para o meu anjo Grúchenka, se ela quiser vir [...] e ao pintinho.
Temas que encarna
Fiódor é o excesso Karamázov sem a tempestade que atormenta os filhos. Onde Mítia sente o duelo de Deus e do diabo no próprio peito (capítulo III do Livro III) e Ivan constrói argumentos contra o mundo que Deus fez (capítulo IV do Livro V), Fiódor não sente conflito: só apetite satisfeito ou frustrado, e um medo noturno que ele cobre com piada (capítulo I do Livro III). O narrador chega perto de nomear o que se herda dele no capítulo V do Livro I, ao imaginar Aliócha tão capaz de virar ateu e socialista quanto de virar noviço: não a fé nem a falta dela, mas a incapacidade de viver pela metade. Por isso o tema que carrega é o de Família, medido de ponta a ponta pelo pai que foi e pelo filho que acaba acusado de matá-lo.
O que ele quer é não ser condenado e ter Grúchenka, e o livro lhe dá a primeira coisa só em Aliócha (capítulo IV do Livro I, capítulo I do Livro III). O que teme é Ivan, o filho que não o agrediu, mais do que o que o espancou (capítulo IX do Livro III). O que sabe de si é mais do que aparenta, porque descreve a própria vergonha com precisão diante do stáriets (capítulo II do Livro II). Onde se engana é em tomar a si mesmo por leitor de gente: confia sem reserva no criado que o vai matar (capítulo VI do Livro III) e, ao ensinar Ivan a ler a barba de um comprador, não percebe a raiva do filho que tem diante dele (capítulo VII do Livro V). O Livro V o deixa com a esperança mais doce de uma mulher que não vem, numa casa onde Smierdiakóv está caído de crise e Grigori de cama.
Leituras divergentes
O livro põe dentro de si duas explicações do bufão. A do stáriets, que lhe pede que não se envergonhe tanto de si mesmo, porque é da vergonha que vem o papel:
А главное, не стыдитесь столь самого себя, ибо от сего лишь всё и выходит., E o principal, não se envergonhe tanto de si mesmo, pois é só daí que tudo vem.
A outra mostra um homem que não suporta ser perdoado: o ódio nasce do que ele fez e não do que sofreu, e o mosteiro que o recebeu com cortesia é o que precisa atacar.
он, правда, мне ничего не сделал, но зато я сделал ему одну бессовестнейшую пакость, и только что сделал, тотчас же за то и возненавидел его, ele, é verdade, não me fez nada, mas em compensação eu lhe fiz uma safadeza das mais descaradas e, assim que a fiz, no mesmo instante passei a odiá-lo por isso.
O narrador tampouco decide se a emoção é verdadeira ou de teatro: diz que o velho atua e sofre de verdade ao mesmo tempo, e que há momentos em que o mentiroso se enfia tanto no papel que treme e chora de emoção real.
Есть у старых лгунов, всю жизнь свою проактерствовавших, минуты, когда они до того зарисуются, что уже воистину дрожат и плачут от волнения, несмотря на то, что даже в это самое мгновение (или секунду только спустя) могли бы сами шепнуть себе: «Ведь ты лжешь, старый бесстыдник, ведь ты актер и теперь, несмотря на весь твой „святой“ гнев и „святую“ минуту гнева»., Há, nos velhos mentirosos que passaram a vida inteira representando, momentos em que se enfiam tanto no papel que chegam a tremer e a chorar de emoção de verdade, embora naquele mesmo instante (ou um segundo depois) pudessem sussurrar a si mesmos: Mas você está mentindo, velho sem-vergonha, você é ator mesmo agora, apesar de toda essa sua ira santa e desse momento santo de ira.
Depois da morte, o romance põe três olhares sobre o pai. Smierdiakóv, na confissão, diz a Ivan que ele, de todos os filhos, é o que mais saiu ao velho:
Вы как Федор Павлович, наиболее-с, изо всех детей наиболее на него похожи вышли, с одною с ними душой-с., o senhor é como Fiódor Pávlovitch, mais do que todos; de todos os filhos é o que mais saiu a ele, com a mesma alma.
No tribunal, o advogado nega ao morto o título que o parricídio pressupõe:
родивший не есть еще отец, а отец есть — родивший и заслуживший, quem gerou ainda não é pai; pai é quem gerou e mereceu.
e o promotor, na réplica, responde que, se matar o pai é só um preconceito, cada filho passará a exigir que o pai prove o dever de ser amado:
Но если отцеубийство есть предрассудок и если каждый ребенок будет допрашивать своего отца: „Отец, зачем я должен любить тебя?“ — то что станется с нами, что станется с основами общества, куда денется семья?, mas se o parricídio é um preconceito, e se cada criança passar a interrogar o pai: "Pai, para que devo amar-te?", o que será de nós, o que será dos fundamentos da sociedade, para onde irá a família?
As leituras divergem sobre o que Fiódor é: pessoa, símbolo ou espelho. O livro sustenta as três, e nenhuma anula as outras. Como pessoa, ele some depois de morto, porque a trama o usa como pretexto, e o parricídio vira um fato que ninguém lamenta; como símbolo, vale o que o julgamento diz dele e o que Mítia pergunta no capítulo VI do Livro II; como espelho, vale a frase de Smierdiakóv no capítulo VIII do Livro XI, que o faz presente em Ivan depois de morto. Contra a leitura do símbolo, vale notar que o texto não deixa o leitor esquecer que ele também chora, também teme e também escolhe, entre os filhos, o único de quem não se defende (capítulo IX do Livro III).
Relações
- Dmitri Fiódorovitch Karamázov: o primeiro filho, esquecido entre os criados e explorado na herança (capítulo II do Livro I), acusado diante dos monges (capítulo VI do Livro II), espancador do pai e rival pela mesma mulher (capítulo IX do Livro III, capítulo II do Livro IV).
- Ivan Fiódorovitch Karamázov: o filho a quem pergunta se há Deus e de quem tem mais medo que de Mítia (capítulo VIII do Livro III, capítulo IX do Livro III), a quem pede que pare em Tchermachnia no dia da partida (capítulo VII do Livro V).
- Alieksiéi Fiódorovitch Karamázov: o filho que não o condena e a quem pede que volte do mosteiro para contar o que há lá (capítulo IV do Livro I, capítulo I do Livro III).
- Smierdiakóv: o criado e cozinheiro da casa, a quem o boato da cidade dá o velho como pai (capítulo II do Livro III), em quem ele confia por completo (capítulo VI do Livro III) e que o mata (capítulo VIII do Livro XI).
- Grúchenka: a mulher que ele disputa com Dmitri e que espera na noite da própria morte com um envelope de três mil rublos (capítulo IV do Livro VIII, capítulo II do Livro IX).
- Stáriets Zossima: o escandalizado na própria cela, no único encontro que os dois têm no romance (capítulo II do Livro II).
- Grigori: o criado fiel que ele acorda nas noites de bebedeira só para olhar-lhe o rosto (capítulo I do Livro III).