Voltar à mesma palavra, à mesma frase ou à mesma construção, no começo de versos ou de frases seguidas (anáfora) ou ao longo do texto, para dar ritmo, ênfase ou insistência.
Em Os Irmãos Karamázov
É por isso que sou bufão, bufão de vergonha, grande stáriets, de vergonha. É só por suscetibilidade que faço arruaça.
A expressão «de vergonha» volta duas vezes na mesma frase, como um martelo. A insistência faz a confissão parecer ao mesmo tempo sincera e ensaiada, e prende a causa do escândalo a um único sentimento.
Livro II: Uma reunião intempestiva, Fiódor Pávlovitch ao stáriets Zossima, na cela
Perdoem! Perdoem todos!
Livro II: Uma reunião intempestiva, o stáriets Zossima, depois de ajoelhar-se diante de Mítia
Deus e imortalidade. Em Deus está também a imortalidade.
Livro III: Os sensuais, Aliócha ao pai, na sala, depois de Ivan dizer que não há Deus
cada um de nós é, sem dúvida, culpado por todos e por tudo na terra, não só pela culpa comum do mundo, mas cada um, sozinho, por todos os homens e por cada homem desta terra.
Livro IV: Os tumultos, o stáriets Zossima aos monges, na despedida
não é Deus que eu não aceito, entenda bem, o que eu não aceito é o mundo criado por Ele, o mundo de Deus, e não posso concordar em aceitá-lo.
Livro V: Pró e contra, Ivan a Aliócha, no botequim
Era uma vez uma mulher malvada, malvadíssima, e ela morreu. E não ficou dela nenhuma virtude. [...] ela, diz, arrancou uma cebola na horta e deu a uma mendiga. [...] Mal ela disse isso, a cebola arrebentou. E a mulher caiu no lago e queima até hoje. E o anjo chorou e foi embora.
Livro VII: Aliócha, Grúchenka a Aliócha, na casa dela
sou um ladrão de bolso, sou um canalha, e não quero começar a vida nova como canalha.
Livro VIII: Mítia, Mítia, sobre os três mil rublos que deve a Catierina Ivánovna
Senhor, recebe-me com toda a minha iniquidade, mas não me julgues. Deixa-me passar sem o teu juízo… Não me julgues, porque eu mesmo me condenei; não me julgues, porque te amo, Senhor!
Livro VIII: Mítia, Mítia, na troica a caminho de Mókroie
Não sou culpado! Desse sangue não sou culpado! Do sangue do meu pai não sou culpado… Quis matar, mas não sou culpado! Não fui eu!
Livro IX: O processo preparatório, Mítia, em Mókroie, ao ser acusado
não quero um bom menino! Não quero outro menino!
Livro X: Morte de Iliúcha, o capitão Snieguiriov, em voz baixa, depois do pedido do filho
pelo menino é que irei. Porque todos são culpados por todos. Por todos o menino, porque há crianças pequenas e crianças grandes. Todos são menino. Irei por todos, porque é preciso que alguém vá por todos. Não matei meu pai, mas preciso ir. Aceito!
Livro XI: Ivan Fiódorovitch, Mítia a Aliócha, na cadeia, na véspera do julgamento
não foi você quem matou nosso pai, não foi você!
Livro XI: Ivan Fiódorovitch, Aliócha a Ivan, na rua, sob o lampião
amo a Rússia, Alieksiéi, amo o Deus russo, ainda que eu mesmo seja um canalha!
Epílogo: O enterro de Iliúcha, Mítia a Aliócha, no hospital
sem dúvida nos levantaremos, sem dúvida nos veremos e contaremos uns aos outros, alegres, felizes, tudo o que aconteceu.
Epílogo: O enterro de Iliúcha, Aliócha a Kólia, junto à pedra
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.