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Quincas Borba · Capítulos I a XII

Humanitas e a morte do filósofo

Prólogo

Resumo da seção

Machado recusa o pedido de uma trilogia com a Sofia na terceira parte: ela está inteira neste livro, e continuá-la seria repeti-la.

Capítulo I: Rubião à janela de Botafogo

Resumo da seção

Rubião olha a enseada e compara o passado de professor com o presente de capitalista. Calça chinelas dadas por Cristiano Palha e acha que Deus escreve direito por linhas tortas.

Análise

tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade

Para discutir Rubião vê a morte da irmã e do amigo como obra de Deus por linhas tortas: o que isso revela sobre ele?

Capítulo II: O espírito e o coração

Resumo da seção

O espírito de Rubião foge do pensamento vexante para uma canoa, mas o coração segue alegre: foi bom que a irmã Piedade morresse sem casar, pois poderia vir um filho herdeiro.

Capítulo III: Café, prata e lembrança de Sofia

Resumo da seção

Ao tomar café em bandeja de prata, Rubião lembra os criados impostos por Cristiano Palha. Antes de soltar o Quincas Borba (cão), pensa em Sofia e se julga amado por ela.

Capítulo IV: O enfermeiro e o filósofo

Resumo da seção

Em 1867, Quincas Borba (filósofo) vive em Barbacena, com um grão de sandice. Rubião, irmão da viúva Piedade, que morrera, vira seu único amigo e o trata por seis meses.

Capítulo V: O cão e o nome do filósofo

Resumo da seção

Quincas Borba (filósofo) deu seu nome ao Quincas Borba (cão) por razão doutrinária e por querer sobreviver no nome dele. Diz a Rubião que vai morrer.

Capítulo VI: A morte da avó e as batatas

Resumo da seção

Quincas Borba (filósofo) explica Humanitas pela morte da avó, atropelada por uma sege cujo dono tinha fome: não há morte, e a guerra conserva. Rubião aceita ser discípulo.

Análise

Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas

Para discutir A filosofia de Quincas Borba explica a morte da avó ou apenas a justifica?

Capítulo VII: A pergunta sobre a amizade

Resumo da seção

Exausto, Quincas Borba (filósofo) descreve o mundo com elogios que espantam Rubião. Pergunta se o outro é seu amigo e ouve que é tanto quanto o cão.

Capítulo VIII: O testamento e a partida

Resumo da seção

Quincas Borba (filósofo) registra o testamento no tabelião, confia o Quincas Borba (cão) a Rubião e parte para o Rio, chorando pelo cachorro.

Capítulo IX: Remorso, cão triste e zombarias

Resumo da seção

Rubião teme ser culpado se o amigo morrer na viagem. O Quincas Borba (cão) sofre a ausência do dono, o médico diz que a morte é certa, e na cidade zombam do professor sentinela de cachorro.

Capítulo X: A carta de Santo Agostinho

Resumo da seção

Do Rio chega uma carta em que Quincas Borba (filósofo) diz ser Santo Agostinho. Rubião julga o amigo louco, esconde a carta do médico por medo de anular o testamento e calcula o legado.

Análise

Remorsos fáceis, de pouca dura

Para discutir Rubião lê a loucura do amigo como perda de um bom amigo ou como risco ao legado?

Capítulo XI: A notícia nos jornais

Resumo da seção

Nos jornais da Corte, Rubião lê a morte de Joaquim Borba dos Santos, o Quincas Borba (filósofo): suportou a doença com filosofia, delirou no fim e deixa muitos bens.

Capítulo XII: Alívio e destino do cão

Resumo da seção

Sem alusão a demência na notícia, Rubião volta a tomar a carta por troça. Vendo o Quincas Borba (cão), decide dá-lo à comadre Angélica, pois a obrigação acabou.

Análise

Agora, que já acabou a obrigação, vou dá-lo à comadre Angélica

Tema central

Análise

O livro abre com Rubião já rico e só depois recua a Barbacena, onde um professor sem posses cuida de um filósofo moribundo.

Por isso cada gesto de zelo de Rubião pode ser lido duas vezes, como afeição e como cálculo: o remorso que ele sente ao esconder a carta e ao pensar no legado dura pouco, e o texto o diz com todas as letras.

Humanitas chega como discurso que Rubião não compreende: a morte da avó, as bolhas na água e a guerra conservadora das tribos servem a Quincas Borba (filósofo) para dizer que a destruição de um é a vida de outro. Rubião ouve e concorda sem entender, e a fórmula fica guardada para quando houver batatas em jogo.

A loucura do filósofo nunca é decidida pelo texto: a carta de Santo Agostinho tanto pode ser delírio quanto troça. Quem decide é o interesse de Rubião, que precisa de um amigo são para o testamento valer e ri de alívio quando a carta pode ser gracejo. O dinheiro governa a leitura do que é sanidade.