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Quincas Borba · Capítulos CXLVIII a CLIX

O delírio no coupé de Sofia

Capítulo CXLVIII: Rubião sem barba e o imperador

Resumo da seção

Descido da lua, Rubião vê-se de rosto novo, e todos o aprovam. Só Camacho defende que não se altera o rosto. Rubião alterna entre si mesmo e o imperador dos franceses.

Análise

Equilibravam-se, um sem outro, ambos integrais

Para discutir Camacho faz da própria cara uma necessidade moral e diz que sua vida a reproduz: o que esse argumento revela dele, e o que tem a ver com Rubião?

Capítulo CXLIX: A luva caída

Resumo da seção

No fim da semana, Rubião visita Sofia para saber do joelho. Ela acha o rosto novo melhor e supõe ser a causa. Ao apanharem a luva, as caras se batem no ar, e os dois riem.

Capítulo CL: Rubião entra no coupé

Resumo da seção

Sofia aceita a mão de Rubião para subir ao coupé e vai dizer até logo, mas ele entra atrás e senta-se ao lado dela. O lacaio fecha a portinhola, e o carro parte.

Capítulo CLI: As cortinas baixas

Resumo da seção

Sofia perde a voz, pede que o carro pare, mas teme o escândalo. Na Rua Bela da Princesa, Rubião baixa as cortinas, para que ninguém os veja, e fica calado ao lado dela.

Capítulo CLII: Repugnância e súplicas

Resumo da seção

Sofia sente aversão, pensa em contar tudo ao marido e pede que Rubião desça, oferecendo até ajoelhar-se. Ele, tranquilo, elogia a própria mãe e os cavalos. Ela não entende por que ele entrou.

Análise

incompatibilidade da epiderme

Capítulo CLIII: O amante imaginário e a duquesa

Resumo da seção

Rubião fala a Sofia como amante, evoca um encontro na caleça e a soleira beijada, pede que o chame de Luís. Promete título de duque ao marido dela, oferece o solitário, que ela recusa, e apeia.

Análise

Delírio, sim, é o que era; tinha a sinceridade da palavra, como pessoa que vê ou viu realmente as coisas que relata

Para discutir Rubião narra com minúcia um encontro que o texto chama de história não sucedida: de que é feito esse delírio, e por que o relato soaria verdadeiro a quem o ouvisse?

Capítulo CLIV: Dois contrastes na rua

Resumo da seção

Separados, Rubião volta à realidade e tenta sacudir a personalidade emprestada. Sofia, passado o susto, mergulha no devaneio e imagina, com saudade, quem seria o homem da caleça.

Capítulo CLV: A notícia da mania

Resumo da seção

Espalha-se a notícia da mania de Rubião. Alguns testam o boato levando a conversa à França e ao imperador, e ele resvala ao abismo e os convence.

Capítulo CLVI: A guerra e a mesa de Luculo

Resumo da seção

Com a guerra franco-prussiana, as crises de Rubião ficam mais agudas e frequentes. Ele lê toda notícia como vitória. Os comensais, promovidos a marechais, não o contrariam, e a mesa pobre lhe parece régia.

Análise

Luculo ceava sempre com Luculo

Capítulo CLVII: A compaixão de Sofia

Resumo da seção

Sofia, vendo no mal de Rubião o efeito do amor por ela, sente uma compaixão feita de simpatia e egoísmo. Evita outra cena de coupé, escuta-o nas horas lúcidas e perdoa-lhe, crendo-se autora do mal.

Capítulo CLVIII: A carta de Maria Benedita

Resumo da seção

Dona Fernanda pergunta por que ninguém trata Rubião. Cristiano Palha minimiza, e o deputado Teófilo sugere um curador. A carta de Maria Benedita, feliz e mãe, deixa Sofia com despeito, que ela disfarça.

Capítulo CLIX: A manhã chuvosa

Resumo da seção

Na manhã de chuva, Sofia revolve a carta, Carlos Maria, Maria Benedita, D. Fernanda e o olhar admirado de Teófilo no vestido cor de palha. Os nomes relampejam no céu de possibilidades.

Análise

deixou-se estar sinceramente defunta

Para discutir Sofia se pergunta por que não reteve nenhum dos nomes que lhe passaram: o que a pergunta mostra sobre o que ela deseja?

Tema central

Análise

O delírio de Rubião, até aqui um devaneio de gabinete, sai para a rua e entra no coupé de Sofia. O texto o dá com a força de um relato verdadeiro: Rubião fala com sinceridade de um encontro que nunca houve, e a mania logo se espalha, com os comensais disfarçados de marechais e uma mesa pobre que lhe parece régia. A doutrina do finado amigo volta em frases que ele não entendia antes, e o narrador deixa a pergunta sem resposta.

Sofia não é só testemunha. Da repugnância no carro ela passa ao devaneio, em que as histórias falsas de Rubião lhe dão saudades, e à compaixão de quem se crê causa do mal. A vaidade dela se alimenta da loucura dele, e a mesma imaginação que galopava nos capítulos anteriores volta agora a mexer com nomes do passado.

O fim desta sequência dobra a mesa de Rubião sobre a casa de Sofia: em um, a realidade cede à imaginação por perda da razão, no outro, por tédio e despeito. A carta de Maria Benedita traz uma felicidade que Sofia lê com despeito, e a chuva fecha o céu e o mar num só cinza, que é onde o capítulo CLIX deixa os nomes relampejando.