Clavis Libri

Quincas Borba · Capítulos CXIV a CXVIII

O noivado de Maria Benedita

Capítulo CXIV: O título que não cabe

Resumo da seção

Capítulo de uma só frase: o narrador diz não saber se o capítulo seguinte poderia estar todo no título. Serve de pausa e de piscadela ao leitor antes da cena do aniversário.

Capítulo CXV: O brilhante de aniversário e a notícia

Resumo da seção

Rubião evita Sofia, mas pede dois contos a Cristiano Palha e manda a Sofia um brilhante de aniversário. Depois do jantar, mais firme, ouve dela a explicação da carta, com uma lágrima, e a notícia de que Maria Benedita vai casar.

Análise

Aquele homem adora-me

Para discutir Rubião achara a carta de Sofia e decidira não voltar a vê-la: por que acredita tão depressa na lágrima dela?

Capítulo CXVI: Rubião dá os parabéns à noiva

Resumo da seção

Rubião percebe que o noivo de Maria Benedita é Carlos Maria, e que tomara uma pessoa por outra. Já planeja carruagem e presente, dá os parabéns à moça, que cora de contentamento, e a olha sair como quem vê uma filha.

Capítulo CXVII: O charuto e o Padre Chagas

Resumo da seção

O narrador promete a história curta do casamento de Maria Benedita e diz que, sem a epidemia das Alagoas, talvez não houvesse casamento: as catástrofes são úteis. Conta então o caso do bêbado que pede licença para acender o charuto no incêndio da choupana.

Análise

não é preciso estar embriagado para acender um charuto nas misérias alheias

Capítulo CXVIII: Dona Fernanda arranja o casamento

Resumo da seção

Maria Benedita ama Carlos Maria desde o baile da Rua dos Arcos e cala o segredo. Com a comissão das Alagoas, Dona Fernanda, prima dele, torna-se sua amiga e decide casá-la com o primo. Depois, na chácara, arranca-lhe a confissão sem nome: ama como se ama a Deus.

Análise

Gosto dele, como gosto de Deus, que está no Céu

Para discutir Maria Benedita diz amar Carlos Maria como se ama a Deus, sem esperar resposta: o livro mostra aí uma forma de amor ou uma forma de abdicação?

Tema central

Análise

Estes capítulos trocam o drama de Rubião por uma história lateral, e o narrador avisa que é lateral: abre com um capítulo sem assunto, interrompe-se com o conto do bêbado e só depois conta como o casamento nasceu. A digressão tem função. O conto do Padre Chagas diz que a desgraça alheia pode ser aproveitada com toda a cortesia, e a epidemia das Alagoas faz exatamente isso por Maria Benedita: sem ela, talvez não houvesse casamento.

Rubião lê tudo pelo avesso. Sofia, ao receber o brilhante, pensa que o homem a adora, e ele, ao jantar, acredita na lágrima que ela deixa escorrer até o canto da boca. O engano sobre o noivado é do mesmo tipo: o que parecia ser com uma pessoa era com outra. É a aparência decidindo o que ele acha que sabe, enquanto o dinheiro (dois contos pedidos ao sócio, um brilhante, planos de carruagem) paga as consequências.

Maria Benedita é o contraponto de Sofia. A prima mede o presente no espelho e guarda a joia; a moça adora em silêncio, ao ponto de dizer que ama como se ama a Deus. Dona Fernanda desfaz a poesia em nome do casamento (um marido, ainda mau, vale mais que o sonho), e o desejo, nos dois casos, parte de quem deseja: Sofia contempla a si mesma, e Maria Benedita adora um deus que o texto mostra que ela construiu sozinha.