Quem é
O cachorro que Quincas Borba (filósofo) batiza com o próprio nome e confia a Rubião, e que o testamento obriga o herdeiro a tratar como pessoa. Acompanha Rubião de Barbacena ao Rio, vive entre afagos e maus-tratos, é tido por ele como vigia e consolo e talvez como alma do amigo morto, e volta com o dono a Barbacena, onde morre depois dele. O livro divide o título entre os dois Quincas, e no último capítulo (capítulo CCI) o narrador pergunta, sem resolver, qual deles dá o nome ao livro.
Trajetória
O filósofo deu ao cão o seu nome por razão doutrinária e para sobreviver no nome dele (capítulo V). Parte para o Rio chorando por ele e o deixa com Rubião (capítulo VIII); o cão sofre a ausência do dono, e na cidade zombam do professor sentinela de cachorro (capítulo IX). Sabida a morte do dono, Rubião decide dá-lo à comadre Angélica, pois a obrigação acabou (capítulo XII), e manda-o de presente com o nome do dono (capítulo XIII).
Quando o testamento revela a cláusula (capítulo XIV), Rubião corre à comadre e o reencontra no cercado, onde o cão o recebe com festa e delírio (capítulo XVII). Em Botafogo, é Rubião quem o solta todos os dias; no jardim, no meio da tentação por Sofia, o narrador descreve o cão que festeja, apanha e perdoa: gosta de ser amado e se contenta de crer que o é (capítulo XXVIII).
Gosta de ser amado. Contenta-se de crer que o é
Perturbado pelos morangos de Sofia, Rubião chuta o cão (capítulo XXXII); na noite do jardim, em casa, recebe dele a festa de sempre, com um olhar que lembra o do filósofo (capítulo XLIX). Antes, no tílburi, cogitara que cão e filósofo fossem a mesma criatura por transmigração (capítulo XLVIII). Mais tarde, o cão o fita com tom de censura quando Rubião entra na sociedade com Palha, e Rubião ri da suposição, mas lhe coça as orelhas (capítulo LXIX); a voz que aconselha Rubião a casar parece vir dele, ideia que Rubião acha absurda e descarta, mas por via das dúvidas lhe coça a nuca (capítulo LXXIX, capítulo LXXXII).
Em seguida o cão atravessa a loucura do dono: os ganidos dele não despertam Rubião do delírio imperial (capítulo CXLVII), muda-se com ele para a Rua do Príncipe (capítulo CLXV), vive com ele e um criado a quem Rubião dá o título de marquês (capítulo CLXXIX). Quando Rubião é internado, o cão tenta segui-lo e é trancado pelo criado (capítulo CLXXXVII), e na casa abandonada é o cão magro que comove Dona Fernanda (capítulo CLXXXVIII).
Chega com Rubião a Barbacena (capítulo CXCV), vaga sob a tempestade e dorme junto dele ao relento (capítulo CXCVII), e é abrigado com ele pela comadre Angélica (capítulo CXCIX). Depois da morte do dono, adoece, foge atrás dele e amanhece morto na rua (capítulo CCI).
Se só tens riso ri-te! É a mesma coisa.
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Lealdade e traição e Loucura.
O cão é a lealdade que não muda no livro, e o texto a mostra por contraste: Rubião o trata por obrigação, depois por medo de perder a herança, depois por afeto, e ele responde sempre do mesmo modo, com festa, ganidos e perdão. O nome de dois mortos em um só corpo faz dele o ponto onde a doutrina do filósofo e o delírio de Rubião se encontram.
O narrador o põe duas vezes no lugar de espelho, no jardim, quando o cão que gosta de ser amado reflete o dono que também crê ser querido por Sofia, e na morte, que vem depois da de Rubião e é contada de passagem. O capítulo final deixa a pergunta sobre quem dá o título ao livro sem resposta, e é nesse silêncio que o cão ganha o tamanho que o testamento lhe dera.
Relações
- Quincas Borba (filósofo): o dono que lhe deu o nome e a quem Rubião julga ver no olhar do animal.
- Rubião: o herdeiro-guardião, que o trata como obrigação, depois como consolo, e por quem o cão morre.
- Dona Fernanda: a única visitante que olha o animal magro nos olhos e se comove.