Quem é
Marido de Sofia, o homem que Rubião conhece no trem e que passa a guiá-lo em cada etapa do Rio: o advogado, a casa, as compras, o inventário, a sociedade comercial. Prospera com ações, apólices e fornecimentos de guerra, sonha com palacete e baronia, e a confiança do herdeiro lhe rende sócio, crédito e, por fim, o controle dos bens: quando o livro termina, ele já apurou três contos e duzentos dos bens de Rubião.
Trajetória
Palha aparece primeiro como nome: as chinelas que Rubião calça no capítulo I foram dadas por ele, e no capítulo III Rubião lembra os criados que ele impôs à casa de Botafogo. A cena que o define é a do trem: ele e Sofia sentam diante de Rubião, os olhos de Palha brilham quando o professor diz que fica na Corte e talvez vá à Europa; ao ouvir a herança, que Rubião calcula em não menos de trezentos contos, ele já não brilha, reflete, e só então pede discrição (capítulo XXI).
Na estação da Corte, oferece a casa de Santa Teresa (capítulo XXII); indica ao amigo um advogado, parente seu, e o convida a jantar (capítulo XXIII). Festeja o fim do inventário (capítulo XXV), guia Rubião nas compras para a casa de Botafogo (capítulo XXVI) e o resgata das histórias do Major Siqueira (capítulo XXXIV).
O narrador o retrata gastando tudo com a mulher e exibindo-a decotada, e compara os olhos de Sofia à lanterna de uma hospedaria sem cômodos para hóspedes (capítulo XXXV). Quando Sofia lhe conta o episódio do jardim, ele minimiza e só depois confessa que deve muito dinheiro ao amigo (capítulo L).
Mas, meu amor, eu devo-lhe muito dinheiro
No dia seguinte, só fala de negócios com a mulher (capítulo LI). Quando visita Rubião em Botafogo e dá com Camacho na sala, a menção à lua os deixa sem fala (capítulo LIV); imagina por que o amigo parte, e o narrador chama a alma dele de colcha de retalhos (capítulo LV). Palha e Camacho se entendem por um olhar e seguram Rubião na Corte, um propondo acompanhá-lo, outro acenando com a cadeira de deputado (capítulo LIX).
Torna-se sócio de Rubião (capítulo LXIX), elogia a valsa de Carlos Maria sem suspeitar de nada (capítulo LXXI) e se despede de Sofia à janela com o adeus de mão do costume (capítulo LXXII). Em luto pela tia, diz ter um palpite sobre Rubião e Maria Benedita (capítulo LXXXIII). Ao diretor do banco, que se humilhara diante do ministro, ele restaura a dignidade com mesuras, e é por esses rapapés que o homem ruminará depois (capítulo XCIV, capítulo XCVI).
Quando Rubião assina cinco contos na subscrição de Sofia e lhe pede dez, Palha, que guarda os títulos dele e vê o capital diminuir, aconselha cautela e acaba cedendo (capítulo CVIII). Rubião lhe pede ainda dois contos antes de mandar um brilhante a Sofia (capítulo CXV).
Na volta do paquete, ele diz que há tempos quer falar de coisa importante (capítulo CXXVI), propõe desfazer a sociedade para dirigir um banco, invoca Camacho como argumento e ouve de Rubião que não pague as dívidas (capítulo CXXVIII).
Pois não pagues, e vê se te não fica ainda mais
O narrador revela então que o banco não existia: Palha inventou a razão porque a verdade não serviria (capítulo CXXIX). O major se queixa de que os Palha não o convidaram ao aniversário nem ao casamento (capítulo CXXX).
Na cena do joelho de Sofia, ele jura que nada se viu e brinca com a perna dela, orgulhoso de possuí-la (capítulo CXLIV). Minimiza a doença de Rubião quando Dona Fernanda pergunta por que ninguém o trata (capítulo CLVIII), comove-se com o pesadelo de Sofia (capítulo CLXI) e reclama do incômodo de Rubião, mas a mulher insiste (capítulo CLXIV). Instala o amigo e o cão numa casinha da Rua do Príncipe e diz aos que sentem o exílio que o amigo precisa de repouso (capítulo CLXV).
Depois de tardar na promessa, ele interna Rubião com o Dr. Falcão (capítulo CLXXXV); apura três contos e duzentos dos bens dele (capítulo CXCI) e, dias antes do desaparecimento do internado, o acha são, lhe dá cem mil-réis e pede ao diretor que não precipite a alta (capítulo CXCIV).
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Dinheiro e riqueza, Lealdade e traição e Ambição.
O livro não diz onde a amizade de Palha termina e o interesse começa, e é essa a sua força: as mesmas cenas, o advogado, o inventário, as compras, a sociedade, a casa da Rua do Príncipe, servem a Rubião e ao bolso dele ao mesmo tempo. O narrador o resume numa imagem, a colcha de retalhos, e acrescenta que moralmente as colchas inteiriças são tão raras.
Na cena da separação (capítulo CXXVIII) Palha pede o que lhe convém e embrulha o pedido em afeto, e Rubião, que pergunta se há motivo oculto, aceita a razão e o dispensa das dívidas. O livro entrega a verdade ao leitor na cena seguinte, e é o leitor, não Rubião, quem fica sabendo que o banco não existia.
Relações
- Sofia: a mulher que ele exibe como vitrine e a quem confessa a dívida com Rubião.
- Rubião: o amigo, devedor e credor ao mesmo tempo, que ele guia, usa e interna.
- Camacho: o político com quem se entende sem palavra para segurar Rubião na Corte, e a quem invoca como argumento ao desfazer a sociedade.
- Maria Benedita: a prima da mulher, cujo casamento com Rubião ele palpita e que acaba noiva de outro.
- Dona Fernanda: a visita que pergunta por Rubião e a quem ele responde minimizando.