Quem é
Joaquim Borba dos Santos, um dos dois Quincas Borba que o título comporta, herdado das Memórias Póstumas de Brás Cubas: o náufrago da existência que ali aparecia mendigo, herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia, e que o romance reencontra em Barbacena, em 1867, com um grão de sandice. Inventor de Humanitas, tem Rubião como único amigo e enfermeiro, deixa-lhe tudo no testamento e morre no Rio, em casa de Brás Cubas (capítulo XIII).
Trajetória
Em Barbacena, o filósofo cortejara em vão a viúva Piedade, que um pleuris levou; o irmão dela, Rubião, vira seu único amigo e o trata por seis meses (capítulo IV). Ele deu seu nome ao cão Quincas Borba (cão) por razão doutrinária e para sobreviver no nome dele, e diz a Rubião que vai morrer (capítulo V).
Explica Humanitas pela morte da avó, atropelada por uma sege cujo dono tinha fome: não há morte, a guerra conserva, ao vencido ódio ou compaixão, ao vencedor as batatas (capítulo VI).
Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas
Exausto, descreve o mundo com elogios que espantam Rubião e pergunta se o outro é seu amigo (capítulo VII). Registra o testamento no tabelião, confia o cão a Rubião e parte para o Rio, chorando pelo cachorro (capítulo VIII).
Do Rio chega uma carta em que ele se diz Santo Agostinho (capítulo X), e nos jornais da Corte Rubião lê a notícia da morte do filósofo, que suportou a doença com filosofia, delirou no fim e deixa muitos bens (capítulo XI). O bilhete de Brás Cubas diz que ele faleceu em casa dele, onde aparecera esfrangalhado e sórdido (capítulo XIII).
O testamento faz de Rubião herdeiro universal com uma só condição: cuidar do cão como se cão não fosse, mas pessoa humana (capítulo XIV).
cuidar finalmente como se cão não fosse, mas pessoa humana
Depois da morte, o filósofo continua no livro por quatro vias: na lembrança de Rubião, que só entende a alegoria das tribos depois de herdar (capítulo XVIII); na denúncia que tenta anular o testamento por demência dele (capítulo XXV); no cão, onde Rubião cogita que o espírito dele tenha transmigrado (capítulo XLVIII); e na voz que pergunta se Rubião não deveria casar (capítulo LXXIX). No fim, o lema que ele ensinara volta, gritado em Barbacena pelo discípulo, já sem o sentido da alegoria (capítulo CXCV).
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Loucura e Dinheiro e riqueza, e o símbolo que o define é Humanitas, com sua máxima de As batatas.
O texto nunca decide se o filósofo é louco: a carta de Santo Agostinho tanto pode ser delírio quanto troça, e quem a lê como uma ou outra coisa é o interesse de Rubião, que precisa de um amigo são para o testamento valer. A morte dele é dada de fora, pela notícia dos jornais (capítulo XI) e pelo bilhete de Brás Cubas (capítulo XIII), e o livro nunca mostra a cena: o que fica do filósofo é a doutrina e o cão.
Humanitas é uma doutrina que só funciona para quem a tem na mão: Rubião não a entende pobre e a entende rico, e o filósofo, que diz que não há morte, deixa ao amigo a fortuna e uma cláusula que o obriga a velar por um animal. É um final digno da filosofia dele: quem sobrevive é o nome, não o homem.
Lido de fora, o filósofo é a exceção na galeria machadiana do saber de fachada: em O Imbecil Coletivo, Olavo o separa dos medalhões e do alienista de Itaguaí justamente por ser um isolado, e não um tipo social. No romance, porém, quem leva a doutrina adiante é um homem comum, Rubião, e é por ele que ela entra na sociedade.
com a exceção do filósofo Quincas Borba, nenhum deles é um esquisitão isolado, um demente solitário, mas todos são pessoas representativas, figurões típicos da sociedade.
Relações
- Rubião: o enfermeiro, amigo e herdeiro, a quem ensina Humanitas sem que ele a entenda.
- Quincas Borba (cão): o cão com seu nome, onde ele quis sobreviver, e cuja guarda é a única condição do testamento.