Clavis Libri

Quincas Borba · Capítulos XIII a XXVIII

A herança e a tentação de Rubião

Capítulo XIII: Bilhete de Brás Cubas, cão despachado

Resumo da seção

Brás Cubas escreve a Rubião dando a morte do amigo e agradecimentos; as praxes do foro devolvem a cor ao professor. Ele manda o Quincas Borba (cão) de presente à comadre Angélica.

Capítulo XIV: O testamento e a cláusula do cão

Resumo da seção

Aberto o testamento, Rubião é herdeiro universal de tudo, com uma só condição: guardar o Quincas Borba (cão), tratá-lo como pessoa, enterrá-lo entre flores e guardar seus ossos numa urna.

Análise

cuidar finalmente como se cão não fosse, mas pessoa humana

Para discutir Por que o testador faria de um cachorro a única condição de uma herança inteira?

Capítulo XV: Rubião sonha com a herança

Resumo da seção

Rubião acha natural a cláusula, mas só pensa na herança, que calcula entre cem e trezentos contos. Hesita entre brilhar em Barbacena e mudar-se para o Rio.

Capítulo XVI: Medo de ter perdido o cão

Resumo da seção

Rubião lembra que deu o cachorro à comadre e corre até lá, temendo fuga ou roubo e a herança em risco por cláusula descumprida. Promete missas.

Capítulo XVII: O reencontro no cercado

Resumo da seção

A comadre Angélica achava que o cão fora dado a ela. Rubião explica que é só depositário. No cercado, o Quincas Borba (cão) o recebe com festa e delírio.

Capítulo XVIII: Ao vencedor, as batatas

Resumo da seção

De volta em casa, Rubião recorda a voz de Quincas Borba (filósofo) e entende, só agora, a alegoria das tribos famintas. Vê-se como vencedor e pensa num sinete com o lema.

Análise

o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão

Para discutir Rubião só compreende a alegoria das tribos depois de herdar: a doutrina ensina alguma coisa ou apenas confirma o lugar de quem a lê?

Capítulo XIX: Missa pelo finado

Resumo da seção

Rubião manda rezar missa pelo amigo, embora soubesse ou pressentisse que ele não era católico, por ser prece dos vivos e para evitar escândalo. Muitos comparecem e veem sua compunção sincera.

Capítulo XX: Rumo ao Rio

Resumo da seção

Resolvidos os preliminares da herança, Rubião vai ao Rio, onde pretende se fixar.

Capítulo XXI: No trem, os Palha

Resumo da seção

No trem, Sofia e Cristiano Palha sentam-se diante de Rubião. Falam de escravos e Europa, e os olhos de Palha brilham quando Rubião diz que pode ir à Europa. Rubião conta a herança, que calcula em não menos de trezentos contos; Palha já não brilha, reflete, e pede discrição.

Análise

Discrição e caras serviçais nem sempre andam juntas

Para discutir Palha aconselha discrição depois de ouvir a confidência inteira: é prudência de amigo ou interesse de quem soube que Rubião é rico?

Capítulo XXII: Despedida na estação da Corte

Resumo da seção

Na estação da Corte, os dois se despedem quase como íntimos. Cristiano Palha oferece a casa de Santa Teresa, e Rubião vai para a Hospedaria União.

Capítulo XXIII: Palha arruma o advogado

Resumo da seção

Cristiano Palha visita Rubião na hospedaria, indica um advogado, parente seu, e o convida a jantar em Santa Teresa.

Capítulo XXIV: Primeiro jantar em Santa Teresa

Resumo da seção

Constrangido diante de Sofia, Rubião lembra a promessa de ser forte e implacável e vai ao jantar. Ela, dona da casa, fala mais, e ele desce o morro meio tonto.

Capítulo XXV: Inventário e denúncia

Resumo da seção

Rubião janta muitas vezes em Santa Teresa, tímido e com um fogo mal guardado. Alguém denuncia o testamento por demência de Quincas Borba (filósofo); a denúncia cai, e Palha festeja o fim do inventário.

Capítulo XXVI: Mudança e compras com os Palha

Resumo da seção

Rubião muda-se para a casa de Botafogo, e Cristiano Palha o guia nas compras. Sofia às vezes vai junto, e Rubião demora as compras para tê-la perto.

Capítulo XXVII: De volta à sala de Botafogo

Resumo da seção

O relato volta à sala, depois do café: Rubião bate com as borlas do chambre, lembra-se da obrigação diária e vai soltar o Quincas Borba (cão).

Capítulo XXVIII: A tentação e o cão no jardim

Resumo da seção

No jardim, Rubião se debate com a tentação por Sofia, mulher do amigo. Solto, o Quincas Borba (cão) festeja, apanha e perdoa, e o narrador descreve sua vida entre afagos e maus-tratos.

Análise

Gosta de ser amado. Contenta-se de crer que o é

Para discutir Por que o narrador para no meio da tentação de Rubião para descrever a vida interior do cão?

Tema central

Análise

O dinheiro chega junto com a doutrina que Rubião não entendia. Enquanto era pobre, a alegoria das tribos lhe parecia obscura; com a herança nas mãos, vira lema, e o narrador diz que a paisagem depende do ponto de vista. A cláusula do cão faz do legado uma ordem de morto, que Rubião cumpre por interesse e acaba por cumprir também por afeto.

O casal Palha entra por contraste. Cristiano Palha pergunta, concorda, tem os olhos brilhando quando Rubião fala de Europa, fica a refletir ao saber da herança e só então pede discrição. A confidência, a casa de Santa Teresa, o advogado e o jantar do inventário fazem dele o guia de Rubião em cada etapa, e o texto não diz onde a amizade termina e o interesse começa.

Os dois últimos capítulos fecham o arco: o pecado que persegue Rubião é amar a mulher do amigo que o orientou. O retrato do cão que gosta de ser amado e se contenta de crer que o é serve de espelho cruel, porque Rubião também se agarra à crença de que Sofia o quer.