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Quincas Borba · Capítulos XLI a XLIX

A noite depois do jardim

Capítulo XLI: Dez minutos sublimes

Resumo da seção

Sofia quer voltar à sala, mas Rubião a retém pelo braço e pela mão e lhe pede que fite o Cruzeiro às dez da noite. Ela suplica, ele afrouxa e ia beijar-lhe a mão quando uma voz o acorda.

Análise

Rubião estremeceu diante deste possessivo: nossa ausência

Para discutir Sofia diz nossa ausência: é um deslize ou uma defesa, e o que Rubião faz com a palavra?

Capítulo XLII: O Padre Mendes

Resumo da seção

O Major Siqueira entra no jardim. Sofia, serena, inventa a anedota do Padre Mendes para cobrir a demora, e Rubião, desajeitado, sustenta a mentira. O major fala sem parar, e D. Tônica vem buscar o pai.

Capítulo XLIII: A raiva de D. Tônica

Resumo da seção

Na casa da Rua do Senado, D. Tônica imagina denunciar Sofia ao marido e a rebaixa em pensamento. Passada a cólera, olha a alcova de solteira, pensa nos quarenta anos que se aproximam e chora na cama.

Capítulo XLIV: Tiranos de intenção

Resumo da seção

O narrador diz que a humilhação de D. Tônica foi tão verdadeira quanto a cólera: ela sentiu ímpetos de estrangular Sofia, mas eram imaginações.

Análise

há tiranos de intenção

Capítulo XLV: Rubião entre remorso e esperança

Resumo da seção

Enquanto uma chora, outra ri. Rubião desce o morro ora exaltado, ora arrependido, acusando e defendendo Sofia. Lembra a dívida e as três letras que aceitou por Cristiano Palha e vai dar no Largo de São Francisco.

Capítulo XLVI: O mendigo e o céu

Resumo da seção

Um mendigo acorda nos degraus da igreja e fica de barriga para o ar, fitando o céu estrelado. Os dois se medem como majestades rivais e tranquilas, e cada um diz ao outro que não o atingirá.

Análise

Afinal, não me hás de cair em cima

Capítulo XLVII: O enforcado de outros tempos

Resumo da seção

Rubião, com inveja do mendigo, entra num tílburi e lembra o tempo em que era pobre: seguiu o cortejo de um escravo condenado, foi dar à praça da execução e gritou no instante fatal.

Capítulo XLVIII: Cocheiro, cavalo e metempsicose

Resumo da seção

O cocheiro fala de cavalos e cachorros, e Rubião lembra o Quincas Borba (cão), a cláusula do testamento e o medo de perder os bens. Cogita que cão e Quincas Borba (filósofo) sejam a mesma criatura, por transmigração.

Capítulo XLIX: O cão e o sono esquivo

Resumo da seção

Em casa, o Quincas Borba (cão) o recebe com festa, e seu olhar lembra o do filósofo. Rubião o acaricia e o manda descer sem pancadas. Deitado, mistura o dia inteiro; o amor por Sofia vence o arrependimento, e ele só dorme antes das quatro.

Análise

terra eternamente virgem para se lhe plantar qualquer coisa

Para discutir Rubião cogita que o cão seja o filósofo: é crença, medo ou conveniência de quem herdou?

Tema central

Análise

Estes capítulos têm dois tempos. O primeiro fecha a cena do jardim: Sofia escapa da mão de Rubião, a anedota do Padre Mendes cobre a ausência e o major fica entre ter visto e não ter visto. Quem inventa a mentira é Sofia, e quem a sustenta mal é Rubião, que é incapaz de inventar nada.

O segundo tempo é interior. D. Tônica chora a solteirice, Rubião se acusa e se defende, a consciência se parte em duas, e o narrador toma a dor de uma e o riso do outro como parte do equilíbrio do mundo. A dívida e as letras aceitas por Cristiano Palha aparecem aqui como o freio concreto da lealdade: Rubião deve ao marido da mulher que deseja.

O enforcado e a metempsicose não resolvem nada, mas mostram como Rubião foge de si por desvios: quando a noite pesa, recorre a uma lembrança em que não conseguiu desviar os olhos e à ideia de que o cão carrega a alma do amigo. Daí o cão, no fim, ser ao mesmo tempo vigia e consolo, e daí o cuidado de Rubião para que não lhe deem pancadas.