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Quincas Borba · Capítulos XXIX a XL

Morangos, luar e declaração de Rubião

Capítulo XXIX: Almoço de domingo e o parasita Freitas

Resumo da seção

Rubião recebe para o almoço Carlos Maria e Freitas, conhecido num armazém, que se fez comensal assíduo e sai sempre com charutos nos bolsos.

Análise

Freitas elogiava tudo, saudava cada prato e cada vinho com uma frase particular, delicada

Para discutir Freitas é um amigo de Rubião ou alguém que vive de sua mesa, e como o próprio Rubião o enxerga?

Capítulo XXX: O arquiteto de ruínas

Resumo da seção

Rubião pergunta se Freitas o acompanharia à Europa. Ele recusa, por ser amigo livre, e diz que a máscara risonha esconde um homem triste. Rubião ri.

Análise

trago esta máscara risonha, mas eu sou triste. Sou um arquiteto de ruínas

Capítulo XXXI: Carlos Maria, o convidado superior

Resumo da seção

Carlos Maria, lento, frio e superior, humilha Freitas durante o almoço, e Rubião, que o respeita mais, não ousa rir. Chegam uma cestinha e uma carta.

Capítulo XXXII: Morangos de Sofia

Resumo da seção

Sofia manda morangos e intima Rubião a jantar em Santa Teresa. Ele se perturba, os convivas supõem um amor adúltero, e ao fim chuta o Quincas Borba (cão).

Análise

O maior pecado, depois do pecado, é a publicação do pecado

Capítulo XXXIII: O bilhete relido

Resumo da seção

Sozinho, Rubião relê o bilhete de Sofia, toma a assinatura por capitulação e acaba beijando o nome.

Capítulo XXXIV: Visitas em Santa Teresa

Resumo da seção

Em Santa Teresa, Sofia censura a demora de Rubião diante das visitas, entre elas D. Tônica, solteira. O Major Siqueira o afoga em histórias, até Cristiano Palha resgatá-lo.

Capítulo XXXV: Retrato de Sofia e de Palha

Resumo da seção

O narrador retrata Sofia, cada vez mais bela, e Cristiano Palha, que adivinhou as falências de 1864, gasta tudo e a exibe decotada. Ela gosta de ser vista, mas guarda o coração.

Análise

podemos compará-los à lanterna de uma hospedaria em que não houvesse cômodos para hóspedes

Para discutir Palha decota a mulher para exibir a própria ventura: o que essa vaidade diz do casamento dos dois?

Capítulo XXXVI: Olhares na sala

Resumo da seção

À noite, enquanto uma senhora canta ao piano, Rubião contempla Sofia, que o olha de volta. Palha não vê a troca de olhares, mas D. Tônica vê.

Capítulo XXXVII: A esperança de D. Tônica

Resumo da seção

D. Tônica vê em Rubião o esposo que o Céu lhe reservaria. Ao notar os olhares dele e de Sofia, sente a desesperança, mas insiste, e ele responde distraído.

Capítulo XXXVIII: Rubião resoluto

Resumo da seção

Rubião está resoluto: a alma de Sofia parece convidar a dele a voar para as terras clandestinas, de onde em geral voltam velhas e cansadas, e algumas não voltam.

Capítulo XXXIX: A lua e as estrelas

Resumo da seção

No jardim, ao luar, Sofia leva Rubião pelo braço. De repente loquaz, ele compara os olhos dela às estrelas, e ela não sabe se deve entender ou fingir que não entende.

Análise

Trouxera ao colo um pombinho, manso e quieto, e sai-lhe um gavião

Para discutir Sofia lembra os próprios gestos e as palavras doces e vê que não podia ignorar o sentido das finezas de Rubião: ela tem parte na situação, ou o texto a trata apenas como surpreendida?

Capítulo XL: As castas estrelas

Resumo da seção

As estrelas castas ouvem Rubião, antes recatado e agora libertino, propor a Sofia a compra da alma e do corpo, como um Diabo que tira as asas de arcanjo.

Tema central

Análise

Estes capítulos deslocam o romance da herança para o desejo e o faz em cena: do almoço de domingo ao jardim de Santa Teresa, Rubião passa de anfitrião satisfeito a homem que quer a mulher do amigo. Os dois convivas do almoço, Freitas, que adula, e Carlos Maria, que desdenha, mostram dois modos de viver ao redor de um rico, e o narrador os põe lado a lado para o leitor ver o que Rubião ainda não vê.

Sofia é descrita com precisão de escultor e de comerciante: Cristiano Palha a expõe como vitrine, ela aprende a gostar de ser vista, e o narrador insiste que a porta do coração continua trancada. No jardim, quando Rubião fala, ela não sabe se convém entender ou fingir que não entende, e a sequência termina com essa pergunta sem resposta, enquanto o narrador chama as estrelas de castas e descreve o Diabo que se revela.

D. Tônica serve de testemunha e de espelho. É a que o narrador garante ter visto a troca de olhares na sala, e a sua esperança de casar repete, em ponto pequeno e sem poder nenhum, o mesmo desejo que move Rubião. O romance encena a tentação por dois lados, o de quem tem dinheiro e quer uma mulher alheia, e o de quem não tem nada e quer um marido.