O tema na obra
A loucura entra no livro como dúvida sobre o filósofo, antes de ser o mal de Rubião. No capítulo X, a carta em que Quincas Borba (filósofo) diz ser Santo Agostinho leva Rubião a julgá-lo louco, e ele esconde a carta do médico por medo de que o testamento seja anulado.
No capítulo XI, os jornais da Corte registram que o filósofo suportou a doença com filosofia e delirou no fim.
No capítulo XII, sem alusão a demência na notícia, Rubião volta a tomar a carta por troça, e o alívio dele mostra quem decide o que é sanidade.
No capítulo LXXIX, depois do conselho do major de casar, uma voz pergunta se ele não deveria mesmo casar, e Rubião, que só vê o Quincas Borba (cão), cogita se vem dele, onde estaria o espírito do filósofo, acha absurdo e descarta, mas por via das dúvidas lhe coça a nuca.
No capítulo CXLVI, o delírio de Rubião ganha corpo: ele manda cortar a barba pelo busto de Napoleão III e, respondendo em português ao barbeiro francês, cuida falar francês.
No capítulo CXLVIII, sem a barba, alterna entre si mesmo e o imperador dos franceses, e o texto diz que os dois se equilibram, cada um inteiro sem o outro.
No capítulo CLIII, no coupé de Sofia, fala como amante de um encontro que nunca houve, e o texto o dá com a sinceridade de quem viu o que relata.
No capítulo CLV, a notícia da mania se espalha, e quem a testa, levando a conversa à França e ao imperador, vê Rubião resvalar ao abismo.
No capítulo CLVI, com a guerra franco-prussiana, as crises ficam mais agudas e frequentes. Ele lê toda notícia como vitória, os comensais viram marechais, e a mesa pobre lhe parece régia.
No capítulo CLXVII, o Dr. Falcão examina Rubião a pedido de Dona Fernanda, crê que ele pode sarar e conclui, pelo delírio, que ele e Sofia se amaram.
No capítulo CLXXXII, Rubião passa gesticulando pela Rua da Ajuda para uma imperatriz invisível, seguido por moleques que fazem surriada.
No capítulo CLXXXIII, o pai do menino Deolindo reconhece no louco o homem que salvou o filho sob um carro, e a mãe, que dissera não conhecê-lo, se culpa pela zombaria.
No capítulo CLXXXV, Cristiano Palha e o Dr. Falcão, cumprindo enfim a promessa que tardava, internam Rubião na casa de saúde.
No capítulo CXCIV, dias antes de Rubião sumir, Palha o achou são, deu-lhe cem mil-réis e pediu ao diretor que não precipitasse a alta.
No capítulo CXCIX, na casa da comadre Angélica, com febre, Rubião fala do rei da Prússia capturado, e curiosos se juntam à porta.
No capítulo CC, morre pondo na cabeça uma coroa que só ele vê, e as últimas palavras deixam o lema das batatas pela metade.
O livro nunca decide quando a loucura começa. A do filósofo é dúvida que o interesse de Rubião resolve conforme lhe convém, e a do próprio Rubião entra pela comédia, na barba e no francês que ele não fala, antes de qualquer diagnóstico. O que o texto fixa é quem a vê e como cada um a usa: o dinheiro a trata como risco ao testamento, o desejo a ouve na voz de um cão, os comensais a toleram enquanto há mesa, e o casal Palha a interna quando ela se torna incômoda. O delírio dá a Rubião o que a vida não deu, e o narrador deixa em aberto se isso é glória ou ruína.
Onde aparece
- Capítulo X: a carta de Santo Agostinho e o medo de anular o testamento.
- Capítulo XI: o jornal diz que o filósofo delirou no fim.
- Capítulo XII: Rubião volta a tomar a carta por troça.
- Capítulo LXXIX: a voz que Rubião cogita ser do cão e descarta.
- Capítulo CXLVI: a barba de Napoleão III e o francês que ele não fala.
- Capítulo CXLVIII: Rubião e o imperador se revezam.
- Capítulo CLIII: o delírio no coupé de Sofia.
- Capítulo CLV: a mania se espalha.
- Capítulo CLVI: a guerra franco-prussiana e a mesa de Luculo.
- Capítulo CLXVII: o diagnóstico do Dr. Falcão.
- Capítulo CLXXXII: o imperador na Rua da Ajuda.
- Capítulo CLXXXIII: o menino salvo e o salvador.
- Capítulo CLXXXV: a internação na casa de saúde.
- Capítulo CXCIV: a lucidez e os cem mil-réis.
- Capítulo CXCIX: o delírio diante da comadre.
- Capítulo CC: a morte do imperador.
Passagens
O pai de Deolindo diz que é triste coisa perder o juízo.
Que triste coisa que é perder o juízo!
A barba copiada do busto traz a primeira confusão de línguas.
respondendo-lhe em português, cuidava falar francês
O delírio fala com a voz de quem viveu o que conta.
Delírio, sim, é o que era; tinha a sinceridade da palavra, como pessoa que vê ou viu realmente as coisas que relata
A última vitória de Rubião é uma coroa que só ele vê.
Guardem a minha coroa