O livro não fecha com uma lição única, e o último capítulo diz isso ao deixar a escolha ao leitor: "chora os dois recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso ri-te! É a mesma coisa." O que ele mostra, cena a cena, é o que o dinheiro faz com um homem que herdou uma fortuna sem tê-la ganhado e quem fica ao lado dele quando o dinheiro e o juízo se vão.
De um lado está o interesse dos amigos. No trem, quando Rubião diz que talvez vá à Europa, os olhos de Palha brilham; quando ele conta a herança, "já os olhos deste não brilhavam, refletiam profundamente", e só então Palha pede discrição. Depois o guia, torna-se sócio dele e desfaz a sociedade alegando um banco que, segundo o narrador, não existia. Instala Rubião numa casinha da Rua do Príncipe, interna-o e apura três contos e duzentos ao liquidar os bens. Camacho, que lhe oferecera uma candidatura, o recebe com frieza, e os comensais não o acompanham à nova casa.
Do outro lado está o cão. É ele quem fica: tenta seguir a carruagem quando o dono é internado, dorme com ele ao relento em Barbacena e, depois da morte do dono, foge em busca dele e amanhece morto na rua. O narrador o descreve apanhando e perdoando: "Gosta de ser amado. Contenta-se de crer que o é." O testamento já mandara tratá-lo "como se cão não fosse, mas pessoa humana". O livro deixa o contraste a cargo do leitor.
A doutrina do filósofo, "Ao vencedor, as batatas", também não vem com veredito. Rubião só a entende depois de herdar, porque "o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão", e a repete ao morrer, com a coroa que só ele vê, deixando-a pela metade. Quem procura a moral encontra, portanto, um retrato mais do que uma regra.