Porque o nome Quincas Borba pertence a dois personagens: o filósofo que inventa a doutrina de Humanitas e o cão que ele batiza com o próprio nome. O livro não diz qual dos dois dá o título, e é o próprio narrador quem levanta a pergunta, no último capítulo, e a deixa sem resposta.
O filósofo explica a Rubião o nome do cachorro por dois motivos, "um doutrinário, outro particular". O doutrinário é que Humanitas reside em toda parte e existe também no cão, que "pode assim receber um nome de gente". O particular é a sobrevivência: "Se eu morrer antes, como presumo, sobreviverei no nome do meu bom cachorro." Ao partir para o Rio, o filósofo chora pelo cão, e o texto o diz assim: "Quincas Borba chorava pelo outro Quincas Borba."
O filósofo morre cedo no livro, e o cão fica com Rubião até o fim. Mais de uma vez Rubião cogita que os dois são um só: "ocorreu-lhe que os dois Quincas Borba podiam ser a mesma criatura, por efeito da entrada da alma do defunto no corpo do cachorro", e mais tarde cogita que uma voz que o aconselha vem do cão ou do espírito do filósofo, ideia que descarta por absurda, mas por via das dúvidas lhe coça as orelhas.
No último capítulo, ao contar a morte do cão, o narrador diz que o leitor provavelmente perguntaria "se ele, se o seu defunto homônimo é que dá o título ao livro, e por que antes um que outro", e responde que é "questão prenhe de questões, que nos levariam longe". O protagonista, Rubião, não dá nome ao livro.