Clavis Libri

Símbolo

Humanitas

O que é

Humanitas é o nome que Quincas Borba (filósofo) dá a uma substância única e indestrutível que estaria em todas as coisas e resumiria o universo, porque o universo é o homem. É também o nome da doutrina, que ele chama de Humanitismo e diz ter formulado, e que Rubião recebe junto com o dinheiro e o cão. A doutrina chega pela voz do filósofo, mas o que o livro mostra é o uso que Rubião faz dela depois que o filósofo morre.

Onde aparece

No capítulo V o filósofo explica por que deu o próprio nome ao Quincas Borba (cão): se Humanitas reside em toda parte, existe também no cão, que pode receber nome de gente. É a razão doutrinária, ao lado da de querer sobreviver no nome do cachorro.

No capítulo VI vem a exposição central. O filósofo conta a morte da avó, derrubada por uma sege cujo dono tinha fome, e conclui que não há morte, só a supressão de uma forma que é a condição da sobrevivência de outra. Rubião pouco entende e aceita ser discípulo.

Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas
Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo

No capítulo VIII, ao partir para o Rio, o filósofo diz que moléstia e saúde são dois estados de Humanitas. No capítulo X, na carta em que se diz Santo Agostinho, chama de heresia tudo o que não é a sua doutrina de Humanitas.

No capítulo XVIII, já herdeiro, Rubião recompõe de memória os argumentos do filósofo e entende pela primeira vez a alegoria das tribos famintas. A doutrina que lhe parecera obscura vira fórmula depois do testamento.

o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão
Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião

No capítulo XIX, ao decidir sobre a missa pelo finado, Rubião repara que a veneração de Humanitas fazia desconfiar que essa era a religião do testador, e manda rezar assim mesmo, por ser prece dos vivos.

No capítulo CXXXIII, a lenda de Rubião o faz discípulo de um grande filósofo e explica o silêncio dele sobre filosofia pelo método do mestre, que só ensinava a homens de boa vontade. Os discípulos da lenda são os comensais.

No capítulo CLVI, em plena mania, Rubião repete com lucidez teorias do finado amigo, às vezes com as mesmas frases, e o narrador pergunta como explicar esse conhecimento do que ele nunca entendera, e por que tudo desaparece quando a razão volta.

Do capítulo CXCV ao capítulo CC, o que sobra de Humanitas é o lema das batatas, repetido sem a alegoria. Esse percurso está em As batatas.

O que significa

A doutrina tem duas vidas no livro. Na boca do filósofo, é uma explicação que faz da destruição de um a vida de outro. Na cabeça de Rubião, é uma frase que ele só compreende quando já está do lado de quem come: ouvida sem ser entendida, guardada, usada quando há o que ganhar. Nos capítulos da mania ela volta em frases que ele não entendia antes, e o narrador deixa a pergunta sem resposta.

O livro não discute Humanitas como filosofia, mostra quem a usa e para quê: o filósofo a usa para explicar a morte da avó e, segundo o jornal, suportou a doença com filosofia; Rubião a usa para sentir-se vencedor. O texto deixa que o leitor veja o que cada uso deve ao ponto de vista de quem fala.

Relações