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As batatas

O que é

Ao vencedor, as batatas: a conclusão da alegoria com que Quincas Borba (filósofo) explica a Rubião a sua doutrina. Num campo de batatas que só alimenta uma de duas tribos famintas, a paz seria a morte das duas e a guerra é a conservação de uma, que extermina a outra e fica com os despojos. É a face prática de Humanitas, e o livro a leva do ouvido de Rubião, que não a entende, à boca dele, que a grita sem alegoria, até a hora da morte.

Onde aparece

No capítulo VI o filósofo conta a alegoria, a propósito da morte da avó: a guerra conserva, a paz destrói, ao vencido ódio ou compaixão, ao vencedor as batatas. Rubião pergunta pela opinião do exterminado e ouve que não há exterminado.

Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas
Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo

No capítulo XVIII, em casa, de herdeiro, Rubião entende a alegoria pela primeira vez. Vê-se como vencedor, pensa em ser duro e implacável, imagina um sinete com o lema e logo esquece o projeto, mas a fórmula vive nele por alguns dias. O narrador observa que o melhor modo de apreciar o chicote é ter o cabo na mão.

o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão
Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião

No capítulo XXIV, ao ir ao primeiro jantar em Santa Teresa, constrangido diante de Sofia, Rubião lembra a promessa de ser forte e implacável, que vem da mesma lição.

No capítulo CXCV, a caminho de Barbacena, chega à cidade com o cão e grita o lema que havia esquecido. Ninguém o recebe.

Ao vencedor, as batatas!
Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião

No capítulo CXCVIII, na manhã de sol que sucede à noite de tempestade, repete o lema ao ver a rua banhada de luz.

No capítulo CXCIX, na casa da comadre Angélica, com febre, grita o lema aos curiosos que se juntam à porta, entre a declaração de que é imperador e a notícia de que capturou o rei da Prússia. A palavra é repetida na rua sem que lhe deem sentido.

No capítulo CC, morre pondo na cabeça uma coroa que só ele vê, e as últimas palavras deixam o lema pela metade.

Guardem a minha coroa
Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião

O que significa

Das vezes em que Rubião diz o lema, só a do capítulo XVIII tem a alegoria por trás: ali ele pensa em tribos, montanhas e colchas de seda. Nas do capítulo CXCV ao capítulo CC sobra a frase, e a da morte nem se completa. O livro também mostra, no mesmo trecho final, onde foram parar as batatas: no capítulo CXCI, Cristiano Palha apurou três contos e duzentos dos bens de Rubião, e no capítulo CXCII Sofia inaugura o baile de Botafogo com um colar dos primeiros presentes dele.

Rubião grita o lema como promessa de vitória, e quem aparece colhendo ao fim é o casal Palha, que lhe devia dinheiro e lhe apurou os bens. O que o filósofo contou como lei geral chega a Rubião como convite e se cumpre, no desfecho, contra ele.

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