O tema na obra
No capítulo XXXV, o narrador retrata Sofia e Cristiano Palha: ele gasta tudo e a exibe decotada, ela gosta de ser vista, mas guarda o coração, e os olhos dela são comparados à lanterna de uma hospedaria sem cômodos para hóspedes.
No capítulo XLII, quando o Major Siqueira surge no jardim, Sofia, serena, inventa a anedota do Padre Mendes para cobrir a demora, e Rubião, desajeitado, sustenta a mentira.
No capítulo LXII, na saída da Atalaia, Rubião cruza com uma baronesa, vê o coupé parado dela e, apesar do próprio luxo, sente-se de novo o antigo professor de Barbacena.
No capítulo LXVII, a notícia do salvamento na Rua da Ajuda irrita Rubião e depois o lisonjeia, e ele acaba reimprimindo a notícia em outro jornal.
No capítulo LXXIV, Carlos Maria reconstrói a véspera na cama e ri da mentira sobre a praia, que ele inventou durante a conversa, pois nem foi lá. Conclui que a emenda seria pior que o soneto.
No capítulo LXXXII, nos sonhos de casamento, Rubião só casa com titulares do almanaque de Laemmert, e todas as noivas acabam com o rosto de Sofia.
No capítulo CI, ao custear o enterro de Freitas, Rubião é tomado por senador ou desembargador por causa do coupé.
No capítulo CV, Sofia descobre que a carta que Rubião lhe entregou era a circular da comissão, pensa em Carlos Maria e quebra o mandarim de porcelana.
No capítulo CVI, o narrador diz ao leitor que o cocheiro não deu nomes nem contou caso verdadeiro: a calúnia foi do leitor e de Rubião.
No capítulo CXV, Sofia pensa, ao receber o brilhante, que aquele homem a adora, e Rubião acredita na lágrima dela na noite do jantar.
No capítulo CXVI, Rubião percebe que o noivo de Maria Benedita é Carlos Maria e que tomara uma pessoa por outra.
No capítulo CXXIX, o narrador revela que não havia banco: Palha inventou a razão para desfazer a sociedade porque a verdade não serviria.
No capítulo CXXXIII, a lenda faz de Rubião discípulo de um grande filósofo e dos comensais discípulos de boa vontade, quando eles são só convivas à mesa.
No capítulo CXLVI, Rubião responde em português ao barbeiro francês e cuida falar francês.
No capítulo CLVI, em plena mania, a mesa já sem prataria lhe parece régia, e as galinhas magras, faisões.
No capítulo CLXIII, o que parecia vontade imperiosa em Sofia vira veleidade, e o narrador diz que o pecado de pensamento se refugia no corpo sem mácula.
No capítulo CLXXXIV, Rubião chega à casa de Dona Fernanda ainda imperador, com a rua feita paço, e quem o vê esquece por um instante a própria miséria.
Em Quincas Borba a aparência não esconde a realidade, a produz: o coupé faz de Rubião senador, a lágrima de Sofia vira prova, a mentira da praia gera um sentimento verdadeiro, o banco que não existe serve de razão para desfazer uma sociedade e a mesa pobre vira régia para quem delira. Em dois capítulos o narrador desmonta a engrenagem, o do cocheiro e o do banco, e entrega o fato ao leitor. Nos outros deixa a aparência funcionar, e o leitor vê a engrenagem sem poder corrigi-la.
Onde aparece
- Capítulo XXXV: os olhos de Sofia como lanterna de hospedaria.
- Capítulo XLII: a anedota do Padre Mendes.
- Capítulo LXII: a baronesa na escada e o professor de Barbacena.
- Capítulo LXVII: a notícia do salvamento reimpressa.
- Capítulo LXXIV: Carlos Maria e a mentira da praia.
- Capítulo LXXXII: as noivas de título com o rosto de Sofia.
- Capítulo CI: o coupé que faz de Rubião senador.
- Capítulo CV: a circular, o equívoco e o mandarim quebrado.
- Capítulo CVI: o narrador desfaz a calúnia do cocheiro.
- Capítulo CXV: o brilhante e a lágrima de Sofia.
- Capítulo CXVI: o noivo tomado por outra pessoa.
- Capítulo CXXIX: o banco que não existia.
- Capítulo CXXXIII: a lenda e os comensais.
- Capítulo CXLVI: o português que Rubião toma por francês.
- Capítulo CLVI: a mesa pobre vista como régia.
- Capítulo CLXIII: o desejo de Sofia vira veleidade.
- Capítulo CLXXXIV: a rua vira palácio.
Passagens
O narrador compara os olhos de Sofia à lanterna de uma hospedaria.
podemos compará-los à lanterna de uma hospedaria em que não houvesse cômodos para hóspedes
A mentira inventada rende como se fosse verdade.
a emenda era pior que o soneto, e que há bonitos sonetos mentirosos
O coupé decide quem Rubião é para quem passa.
Parece que é senador ou desembargador, ou coisa assim
O pecado de pensamento se refugia no corpo sem mácula.
Os simples pecados de pensamento são sujeitos a essa mesma alteração
Fora do romance, a respeito de um leitor do Quincas Borba, Olavo de Carvalho dá o nome desse assunto em Machado: o autoengano.