Clavis Libri

Tema em Quincas Borba

Desejo

O querer: prazer, apetite, tentação, anseio pelo que não se tem.

O tema na obra

No capítulo XXVIII, no jardim de Botafogo, Rubião se debate com a tentação por Sofia, mulher do amigo. O narrador para no meio dela para descrever o Quincas Borba (cão), que gosta de ser amado e se contenta de crer que o é.

No capítulo XXXII, Sofia manda morangos e um bilhete que, por ordem do marido, intima Rubião a jantar em Santa Teresa. Ele se perturba, os convivas supõem um amor adúltero, e ao fim ele chuta o cão.

No capítulo XXXVII, D. Tônica vê em Rubião o esposo que o Céu lhe reservaria e, ao notar os olhares dele e de Sofia, sente a desesperança, mas insiste.

No capítulo XXXIX, no jardim, ao luar, Rubião compara os olhos de Sofia às estrelas, e ela não sabe se deve entender ou fingir que não entende.

No capítulo XL, as estrelas castas ouvem Rubião, antes recatado e agora libertino, propor a Sofia a compra da alma e do corpo.

No capítulo XLI, ele a retém pelo braço e pela mão e lhe pede que fite o Cruzeiro às dez da noite, até que uma voz o acorda.

No capítulo XLIX, em casa, o amor por Sofia vence o arrependimento, e Rubião só dorme antes das quatro.

No capítulo LXXIII, Sofia jura esquecer o episódio do baile, mas a declaração de Carlos Maria se repete na memória dela como um trecho musical teimoso.

No capítulo LXXVII, Sofia promete um noivo à prima Maria Benedita, pensa em Rubião e não consegue soltar o nome dele.

No capítulo LXXXII, nos sonhos, todas as noivas de título de Rubião acabam com o rosto de Sofia, e ele chega a pensar na morte do marido dela.

No capítulo LXXXVII, na Praia Formosa, pensa em mulheres que poderia escolher, até na filha do major, mas ouve a guitarra do pecado, tangida pelos dedos de Sofia, e perde a castidade do plano.

No capítulo XCVIII, entre as flores do Flamengo, elas parecem pedir-lhe que ponha fim ao desejo.

No capítulo CIII, despeja o que sente a Sofia cada vez mais alto, até ela lhe tapar a boca.

No capítulo CXVIII, Maria Benedita confessa a Dona Fernanda que ama Carlos Maria como se ama a Deus, sem esperar resposta.

No capítulo CXX, Carlos Maria, que achava a moça fria, passa a gostar dela quando sabe que é amado, e gosta de sentir-se adorado como um deus.

No capítulo CLIII, no coupé de Sofia, Rubião fala a ela como amante, pede que o chame de Luís e a chama de sua Sofia.

No capítulo CLIX, em manhã de chuva, Sofia revolve nomes do passado e se pergunta por que não reteve nenhum.

No capítulo CLXIII, o que parecia vontade imperiosa em Sofia vira veleidade em poucas horas.

Quase nunca o desejo vem do objeto. Rubião vê o rosto de Sofia em todas as noivas, Maria Benedita adora um deus que construiu sozinha, Carlos Maria passa a gostar de quem o adora, e a declaração falsa da praia se grava em Sofia como música. Cada desejo parte de quem deseja e do que ele devolve a quem o sente. Em Sofia o livro mostra o desejo se desfazer em poucas horas, com refúgio moral no corpo sem mácula, e esse desfazer a separa de Rubião, que continua a desejá-la no delírio do capítulo CLIII.

Onde aparece

Passagens

O cão dá o retrato que o narrador oferece de Rubião.

Gosta de ser amado. Contenta-se de crer que o é
Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião

Uma palavra de Sofia vira cumplicidade para quem quer ouvi-la.

Rubião estremeceu diante deste possessivo: nossa ausência
Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim

A declaração inventada fica na memória de quem a ouviu.

A noite era clara; fiquei cerca de uma hora entre o mar e a sua casa
Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração

O desejo de Rubião ganha música sem que ele escolha.

ouvia a guitarra do pecado, tangida pelos dedos de Sofia
Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa