Clavis Libri

Tema em Quincas Borba

Lealdade e traição

Ser fiel ou trair: lealdade a pessoa, causa, rei ou palavra dada, confiança, traição.

O tema na obra

No capítulo XXI, no trem, Cristiano Palha pergunta, concorda e tem os olhos brilhando quando Rubião diz que fica na Corte e talvez vá à Europa. Ao saber da herança, os olhos já não brilham: ele reflete e só então pede discrição.

No capítulo XXIII, Palha visita Rubião na hospedaria, indica um advogado, parente seu, e o convida a jantar em Santa Teresa.

No capítulo XXV, alguém denuncia o testamento por demência do filósofo. A denúncia cai, e Palha festeja o fim do inventário.

No capítulo XXVIII, no jardim de Botafogo, Rubião se debate com a tentação por Sofia, mulher do amigo que o orientou.

No capítulo XLV, descendo o morro entre remorso e esperança, Rubião lembra a dívida e as três letras que aceitou por Palha.

No capítulo L, Sofia conta ao marido o que Rubião fez no jardim. Palha minimiza, mas confessa dever muito dinheiro ao amigo, e ela promete esfriar o trato aos poucos.

No capítulo LV, Palha tenta adivinhar por que Rubião quer partir, e o narrador chama a alma dele de colcha de retalhos.

No capítulo LIX, Palha e Camacho se entendem pelo olhar para segurar Rubião na Corte: um propõe acompanhá-lo depois, o outro acena com a cadeira de deputado.

No capítulo LXIX, Rubião é sócio de Palha e entra na sociedade sem entender os números.

No capítulo CXXVIII, Palha, que invoca Camacho como argumento, propõe desfazer a sociedade, e Rubião aceita a razão e o dispensa de pagar o que deve.

No capítulo CXXX, o Major Siqueira se queixa de que os Palha não o convidaram ao aniversário nem ao casamento, e Rubião fala em confusão.

No capítulo CLXIV, Sofia foge de Rubião numa livraria, e Palha reclama do incômodo, mas ela insiste.

No capítulo CLXV, Palha instala Rubião e o cão numa casinha da Rua do Príncipe. Os amigos de Botafogo sentem a mudança como exílio e ouvem de Palha que o amigo precisa de repouso.

No capítulo CLXXIX, quando volta do delírio, Rubião procura os amigos, e Camacho o recebe com frieza e finge consultar livros para despedi-lo.

No capítulo CLXXXI, o Major Siqueira o conduz à porta, sem violência, mas com tenacidade, enquanto espera o noivo de D. Tônica.

No capítulo CLXXXV, Palha e o Dr. Falcão, cumprindo enfim a promessa que tardava, internam Rubião na casa de saúde.

No capítulo CXCI, em bilhete a Dona Fernanda, Sofia conta que Palha liquidou os bens de Rubião e apurou três contos e duzentos.

No capítulo CXCIV, Palha, que achou Rubião são, lhe dá cem mil-réis e pede ao diretor que não precipite a alta.

Ninguém trai Rubião de uma vez. A traição é feita de gestos pequenos de quem continua a tratá-lo bem: Palha o guia em cada etapa, desfaz a sociedade com a razão de um banco que não existe, o instala numa casinha por repouso e lhe dá cem mil-réis enquanto pede que a alta se atrase. Camacho esfria sem dizer por quê, e o major o conduz à porta com cortesia. O livro não marca em nenhum capítulo o ponto em que a amizade vira cálculo, e é esse silêncio que deixa a lealdade sem prova e a traição sem cena.

Onde aparece

Passagens

Palha aconselha discrição depois de refletir sobre a herança.

Discrição e caras serviçais nem sempre andam juntas
Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião

Palha e Camacho combinam sem uma palavra.

esse olhar foi como um bilhete de visita trocado entre as duas consciências
Capítulos LVIII a LXVII: A Atalaia, o salvamento e Maria Benedita

Rubião dispensa Palha de pagar.

Pois não pagues, e vê se te não fica ainda mais
Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido

A volta de Rubião do delírio é uma ascensão dolorosa.

Era como a ascensão dolorosa que um homem fizesse do abismo
Capítulos CLXXII a CLXXXI: Teófilo, o Ministério e o abandono