Clavis Libri

Personagem

Carlos Maria

Quem é

Rapaz lento, frio e superior que come à mesa de Rubião e dança com Sofia. Primo de Dona Fernanda, vê a si mesmo como o centro da admiração alheia e inventa, com a facilidade de quem não se importa, a frase da praia que faz Sofia pensar nele o resto do livro. Casa com Maria Benedita sem tê-la amado antes e, já casado, irrita-se ao ouvi-la dizer que são felizes.

Trajetória

Aparece no almoço de domingo de Rubião, onde humilha o parasita Freitas e é respeitado por Rubião, que não ousa rir (capítulo XXIX, capítulo XXXI). Na rua, um rapaz cumprimenta Sofia e ela o reconhece: dançaram num baile, e ele elogiou os olhos e os ombros dela (capítulo LII). Rubião o ouve elogiar Sofia diante do retrato, e Rubião admira a naturalidade com que ele diz aquelas coisas (capítulo LXV, capítulo LXVI).

No baile, valsa com Sofia e se declara, dizendo ter passado uma hora entre o mar e a casa dela (capítulo LXIX). Na cama, reconstrói a cena, ri da mentira, porque nem foi à praia, e conclui que não vale emendar: há bonitos sonetos mentirosos (capítulo LXXIV).

a emenda era pior que o soneto, e que há bonitos sonetos mentirosos
Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração

Outras admiradoras fazem Sofia perder importância na fila dele (capítulo LXXV); ele monta bem, e a gente que passa mira o garbo e a tranquilidade régia dele (capítulo LXXVI). A carta que Rubião acha no canteiro é endereçada a ele (capítulo XCIX), e Sofia, ao saber que era a circular da comissão, pensa nele (capítulo CV). O narrador acrescenta uma quarta causa para o fracasso dela: talvez ele tivesse outros amores (capítulo CVII).

Rubião percebe que o noivo de Maria Benedita é ele (capítulo CXVI). Dona Fernanda, na saída da missa, conta ao primo que alguém o adora em segredo e, por fim, que é Maria Benedita; a prevenção dele vira simpatia, e nasce o namoro (capítulo CXX).

Que bom que era sentir-se um deus adorado
Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido

Na manhã do casamento, passeia a cavalo e vê na natureza a homenagem nupcial (capítulo CXXII); os noivos casam e, três meses depois, partem para a Europa (capítulo CXXIV). Sofia sonha que ele é morto diante dela (capítulo CLXI). Volta ao Rio com a mulher e se irrita de ouvi-la dizer que são felizes (capítulo CLXIX); a sós, só sorri quando ela pergunta o que ele tem (capítulo CLXX).

Quando Rubião delirante invade a varanda e lhe oferece uma pasta, Maria Benedita não contém o riso (capítulo CLXXI); ele pede à mulher que confesse que o adoraria mesmo como ordenança de ministro e volta à revista inglesa e à estatueta de Narciso, do Museu de Nápoles (capítulo CLXXIII). A filha nasce na Tijuca (capítulo CXC).

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Desejo, Aparência e realidade e Lealdade e traição.

A declaração da praia ele a inventou durante a conversa, sem ter ido lá. Na cama, o texto fala em compromisso, estorvo e obrigação para a confissão de amor, e em inferioridade para a mentira, e é essa inferioridade que o abate: o que pesa nele parece ser ter mentido, mais que ter declarado amor a uma mulher casada.

Ele só passa a gostar de Maria Benedita ao saber que é adorado, e a estatueta de Narciso, a que o livro o devolve depois da varanda (capítulo CLXXIII), diz o resto: o casamento começa com os noivos vendo o mesmo quadro, ele como reverência a si, ela como entrega (capítulo CXXII, capítulo CXXIII). O livro não o pune.

Relações

  • Sofia: a mulher a quem ele declara uma frase inventada e que depois perde importância na fila dele.
  • Maria Benedita: a esposa que o adora em silêncio, e cuja felicidade o irrita.
  • Dona Fernanda: a prima que arma o casamento e lhe conta que é adorado.
  • Rubião: o anfitrião que o respeita, o sonda como rival e lhe oferece, no delírio, uma pasta de ministro.