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Perguntas · Quincas Borba

Por que Quincas Borba deixa a herança a Rubião com a condição de cuidar do cão?

O livro não dá o motivo com todas as letras. Mostra que Rubião era o único amigo e o enfermeiro do filósofo, e que o testamento, aberto depois da morte, o faz herdeiro universal com uma só condição: guardar o cachorro.

O testamento passa a Rubião tudo, sem deixas a ninguém: casas na Corte e em Barbacena, escravos, apólices, ações, jóias, dinheiro e livros. A condição é guardar o cachorro Quincas Borba, tratá-lo como se fosse o próprio testador, "nada poupando em seu benefício", e cuidar dele "como se cão não fosse, mas pessoa humana". Quando o cão morrer, deve dar-lhe sepultura decente em terreno próprio e guardar os ossos numa urna de madeira preciosa. O testador explica que deu ao cão o nome dele "por motivo da grande afeição que lhe tinha".

Antes disso, o filósofo já ligara os dois. No capítulo VII pergunta a Rubião se é seu amigo e ouve: "Tanto ou mais do que este animal." Ao partir para o Rio, diz que não confia o cão a outra pessoa, "senão a você".

Rubião esperava uma deixa de cinco a dez contos e recebe "tudo". Acha a cláusula natural, mas só pensa na herança. Ao lembrar que dera o cão à comadre Angélica, corre a recuperá-lo, temendo que a cláusula descumprida pusesse a herança em risco, e explica à comadre que é só "depositário". O cão, de fato, acompanha Rubião até o fim.

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