O leitor ou o público sabe algo que o personagem ignora, e por isso as palavras e os atos do personagem ganham um sentido que ele mesmo não percebe.
Em Quincas Borba
Pois não pagues, e vê se te não fica ainda mais
Rubião gracejou, "não pagues", dispensando de brincadeira quem lhe devia muito; o leitor já viu Palha satisfeito por se livrar do sócio e carregado de dívidas, e a graça favorece justamente quem mais lucra com ela.
Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, Rubião
respondendo-lhe em português, cuidava falar francês
Rubião "cuidava falar francês" ao responder em português: o leitor ouve a língua verdadeira, enquanto o personagem acredita na outra, e o desencontro mostra que a fronteira entre o que ele ouve e crê já cedeu.
Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, o narrador
Preciso de um bom gabinete, todo gente amiga e forte, capaz de dar a vida por mim.
Rubião quer um gabinete "capaz de dar a vida por mim" e põe Palha e Camacho na lista; o leitor sabe que Palha o enganou com a história de um banco que não existia e que os comensais não o seguiram, e a confiança do delirante soa cruel.
Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, Rubião
Guardem a minha coroa
Rubião pede que guardem uma coroa que só ele vê: o leitor sabe que não há objeto algum, e a ordem solene de um moribundo ganha sentido que o personagem não percebe.
Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, Rubião