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Recurso literário

Metáfora

Dizer uma coisa por meio de outra, sem palavra de comparação: em vez de dizer que algo é como outra coisa, diz-se que é. A imagem transfere para o assunto as qualidades da coisa com que foi identificado.

Em Quincas Borba

o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão

O "chicote" e o "cabo" representam as posições de quem sofre e de quem manda: Rubião só aprecia a doutrina de Humanitas ao passar para o lado em que tem o cabo na mão.

Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, o narrador

trago esta máscara risonha, mas eu sou triste. Sou um arquiteto de ruínas

Freitas se define por duas imagens, "máscara risonha" e "arquiteto de ruínas", que fazem do riso um disfarce de quem vive da mesa alheia e de ruínas um material de ofício.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, Freitas

Trouxera ao colo um pombinho, manso e quieto, e sai-lhe um gavião

Rubião é "pombinho" que se revela "gavião": as duas aves traduzem o susto de Sofia diante do homem manso de antes que agora declara um desejo.

Capítulos XXIX a XL: Morangos, luar e declaração de Rubião, o narrador

terra eternamente virgem para se lhe plantar qualquer coisa

Rubião é "terra eternamente virgem": a imagem de um solo sem plantio diz que nenhuma convicção tem raiz nele e que qualquer ideia, da transmigração ao delírio, pode pegar.

Capítulos XLI a XLIX: A noite depois do jardim, o narrador

moralmente as colchas inteiriças são tão raras

A alma é uma "colcha" de retalhos e a pureza moral, uma colcha "inteiriça": a imagem doméstica transforma a mistura de sentimentos de Palha na condição comum das pessoas.

Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, o narrador

fundiam-se ambos na adoração que este moço tinha de si mesmo

O narrador usa a linguagem de culto, "adoração", e a de mistura, "fundiam-se", para dizer que o rapaz venera a si mesmo e que orgulho e favor se tornam um só sentimento.

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, o narrador

a emenda era pior que o soneto, e que há bonitos sonetos mentirosos

O soneto representa a mentira bem acabada: como numa obra de forma, consertar o que é falso estragaria o conjunto, e por isso Carlos Maria prefere deixar "bonitos sonetos mentirosos".

Capítulos LXVIII a LXXVI: Baile, sociedade e a declaração, o narrador

ouvia a guitarra do pecado, tangida pelos dedos de Sofia

A "guitarra do pecado" dá forma musical à tentação, e os "dedos de Sofia" que a tangem fazem do desejo um instrumento que toca Rubião sem que ele escolha a melodia.

Capítulos LXXVII a LXXXIX: Casamento sonhado e Praia Formosa, o narrador

agora o que ele rumina saborosamente são os rapapés de Cristiano Palha

"Ruminar" rapapés trata a reverência como comida que o diretor mastiga com gosto, imagem que mostra a deferência passando de mão em mão e alimentando a vaidade de quem a recebe.

Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, o narrador

assistia aos rombos feitos na caravela, sem temporal, mar de leite

O patrimônio de Rubião é uma "caravela" com "rombos" que afunda "sem temporal, mar de leite": a imagem mostra a fortuna escoando por dentro, em calma aparente e sem catástrofe.

Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, o narrador

Que bom que era sentir-se um deus adorado

"Um deus adorado" trata a admiração de Maria Benedita como culto, e a imagem religiosa mostra que o que Carlos Maria saboreia é a posição de divindade, não a moça.

Capítulos CXIX a CXXXII: Casamento, ruptura e o major ofendido, o narrador

Roíam fome, à espera, e ouviam calados e risonhos os discursos do anfitrião

"Roíam fome" trata a fome como algo que se rói, imagem física que transforma os ouvintes em bichos à espera de comida e desmonta a ideia de que escutavam por interesse na filosofia.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, o narrador

Acabara a lua-de-mel da grandeza; agora torcia os olhos duramente para outro lado

"Lua-de-mel da grandeza" apresenta a ascensão dos Palha como um período de encanto que acaba, e a imagem amorosa dá ao orgulho de Sofia o tom de um romance que esfria em dureza.

Capítulos CXXXIII a CXLVII: Comensais, Tijuca e barba imperial, o narrador

Era mais que separação, era desarticulação.

"Desarticulação" lembra as juntas de um corpo que se desmonta, e a palavra mostra os comensais como um organismo formado pelo hábito, que perde o movimento quando falta a peça central.

Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, o narrador