O narrador interrompe a história para comentar, julgar, dar opinião ou falar diretamente com o leitor.
Em Quincas Borba
Remorsos fáceis, de pouca dura
O narrador interrompe o vaivém de Rubião com um veredicto de poucas palavras, "remorsos fáceis, de pouca dura", e julga o personagem sem sair da cena nem erguer a voz.
Capítulos I a XII: Humanitas e a morte do filósofo, o narrador
Gosta de ser amado. Contenta-se de crer que o é
O narrador para a cena de Rubião e Sofia para descrever o cão, e a frase "contenta-se de crer que o é" funciona como comentário dele sobre o que vale a crença de ser amado.
Capítulos XIII a XXVIII: A herança e a tentação de Rubião, o narrador
moralmente as colchas inteiriças são tão raras
O narrador interrompe para arrematar com sentença própria, "as colchas inteiriças são tão raras", em que fala de gente em geral, não só de Palha, e assume uma opinião sobre a natureza humana.
Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, o narrador
A moral é uma, os pecados são diferentes
É o narrador quem formula a máxima, em sentença curta e geral, comentando o remorso de Rubião como quem fala ao leitor e julga a situação por cima do personagem.
Capítulos L a LVII: Palha, Sofia e a entrada de Camacho, o narrador
põe uma cigarra viva ao pé de vinte formigas mortas, para compensá-las
A reflexão sobre a cigarra e as formigas vem do narrador, que a entrega ao leitor e avisa que Rubião não faria tal aproximação, comentando a cena por cima do personagem.
Capítulos XC a CII: A suspeita e a candidatura de Rubião, o narrador
Rubião se teve por autor de muitas obras alheias
A frase resume em tom de brincadeira um capítulo que o narrador anunciou com título de sumário antigo e em que lamenta não ter seguido esse método, falando abertamente do seu modo de contar.
Capítulos CIII a CXIII: A carta devolvida e os dez contos, o narrador
não é preciso estar embriagado para acender um charuto nas misérias alheias
O narrador faz uma digressão e corrige o padre com sua opinião: "não é preciso estar embriagado", diz, falando como quem opina sobre os homens e o aproveitamento das desgraças alheias.
Capítulos CXIV a CXVIII: O noivado de Maria Benedita, o narrador
Delírio, sim, é o que era; tinha a sinceridade da palavra, como pessoa que vê ou viu realmente as coisas que relata
O narrador interrompe a cena para dar seu diagnóstico, "delírio, sim, é o que era", e explica a sinceridade do que Rubião relata, comentando o personagem em vez de apenas mostrá-lo.
Capítulos CXLVIII a CLIX: O delírio no coupé de Sofia, o narrador
Os simples pecados de pensamento são sujeitos a essa mesma alteração
O narrador interrompe o relato de Sofia para generalizar, "os simples pecados de pensamento", e apresenta a tese própria de que até o desejo mental se gasta pelo costume.
Capítulos CLX a CLXXI: Sofia recua, Rubião delira, o narrador
Se só tens riso ri-te! É a mesma coisa.
O narrador se volta ao leitor em segunda pessoa e lhe diz o que fazer, "ri-te", encerrando o livro com um conselho aberto e deixando à vista a sua presença.
Capítulos CLXXXII a CCI: Loucura, abandono e a morte de Rubião, o narrador