Quem é
Dr. Camacho, bacharel de Recife, jornalista político que muda de adjetivos conforme o governo, chega a deputado, quer ser ministro e não consegue, e vive da advocacia. À frente da folha Atalaia, é quem alimenta a ambição política de Rubião, que o romance só então lhe dá, com uma cadeira na Câmara e uma candidatura.
Trajetória
Aparece na sala de Botafogo quando Cristiano Palha visita Rubião, e a menção à lua os deixa sem fala (capítulo LIV). Quando Rubião decide ir a Minas, Camacho o corta no caminho (capítulo LVI), e o narrador o retrata em seguida: bacharel de Recife, jornalismo político que troca de adjetivos conforme o governo, deputado que não chega a ministro (capítulo LVII).
Conquistara Rubião antes, com política e um almoço (capítulo LVIII); com Palha, entende-se por um olhar e o segura na Corte, um acenando com a cadeira de deputado (capítulo LIX).
esse olhar foi como um bilhete de visita trocado entre as duas consciências
Rubião corre ao escritório dele depois de ler a Atalaia e entra com cinco contos para a folha (capítulo LX, capítulo LXI); Camacho publica uma coluna inteira sobre o arranhão do salvamento, e Rubião o repreende de leve (capítulo LXVII). No baile de aniversário da mulher de Camacho, Rubião sonda Carlos Maria (capítulo LXX). Camacho lhe propõe a candidatura a deputado (capítulo C); Rubião paga o papel da Atalaia e, ouvindo um artigo, sugere reforçar uma palavra, e Camacho objeta ao som, mas aceita (capítulo CX, capítulo CXI).
Palha o invoca como argumento quando desfaz a sociedade com Rubião (capítulo CXXVIII). Só ele defende que não se altera o rosto: faz da própria cara uma necessidade moral e diz que sua vida a reproduz (capítulo CXLVIII). Quando Rubião volta do delírio e procura os amigos, Camacho o recebe com frieza, finge consultar livros para despedi-lo, e ele sai magoado (capítulo CLXXIX).
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Ambição e Dinheiro e riqueza.
Camacho é o outro lado do dinheiro de Rubião: oferece a Câmara, fala em princípios e em sacrifício, cobra fidelidade e vende grandeza. Entra no livro como retrato, o político que muda de adjetivos, e é nessa troca que o texto o resume.
Quando Rubião volta do delírio e procura os amigos, Camacho o despacha com papéis e pausas: o homem que antes falava muito diante dele agora finge consultar livros. A frieza dele mede o que valia a amizade.
Relações
- Rubião: o amigo que ele seduz com a política, de quem recebe dinheiro para a folha e a quem despacha com frieza.
- Cristiano Palha: o aliado com quem se entende sem palavra.