O falante se dirige a alguém ausente ou morto, a uma coisa, a um lugar ou a uma ideia, como se pudessem ouvir.
Em Purgatório
ai, sombras vãs, exceto no aspecto! três vezes prendi as mãos atrás dela, e outras tantas as trouxe de volta ao peito.
Dante se dirige às sombras, «ai, sombras vãs», como se falasse a elas e não ao leitor. O vocativo traduz o espanto de quem acaba de descobrir que os mortos têm figura sem peso, e a exclamação vem antes da explicação do gesto.
Cantos I a IV: A praia e o Antepurgatório, Dante, narrador, ao tentar abraçar a sombra de Casella
Mântua..., e a sombra, toda recolhida em si, ergueu-se em direção a ele do lugar onde antes estava, dizendo: ó mantuano, eu sou Sordello da tua terra! e um ao outro abraçava.
aguça aqui, leitor, bem os olhos para o verdadeiro, pois o véu agora é de fato tão fino que atravessá-lo é certamente fácil.
ó cristãos soberbos, míseros cansados, que, enfermos da vista da mente, confiais nos passos para trás, não vos dais conta de que somos vermes nascidos para formar a borboleta angélica, que voa à justiça sem anteparos?
Cantos IX a XII: A porta e a soberba, Dante, narrador, que interrompe a cena para falar aos soberbos
ó vã glória das capacidades humanas! como dura pouco o verde no topo, se não é seguida por idades grosseiras! Cimabue julgou ter o campo na pintura, e agora Giotto tem o grito, de modo que a fama daquele está escura.
agora ensoberbecei-vos, e ide de rosto altivo, filhos de Eva, e não abaixeis o rosto para que não vejais o vosso mau caminho!
Cantos IX a XII: A porta e a soberba, Dante, narrador, diante do chão com as quedas dos soberbos
o meu sangue foi tão ardido de inveja que, se eu tivesse visto um homem alegrar-se, tu me terias visto cheio de lividez. Da minha semente colho tal palha; ó gente humana, por que pões o coração onde é preciso vedar a companhia?
Cantos XIII a XVI: Inveja e ira, Guido del Duca, a Dante, na cornija dos invejosos
maldita sejas tu, antiga loba, que mais que todas as outras feras tens presa, por tua fome sem fim e sem fundo!
Cantos XVII a XXI: O amor, a acídia e a avareza, Dante, narrador, no quinto giro dos avarentos
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.