Descrição que apela aos sentidos (o que se vê, ouve, cheira, prova ou toca) e faz o leitor perceber a cena, não só entendê-la.
Em Purgatório
ai, sombras vãs, exceto no aspecto! três vezes prendi as mãos atrás dela, e outras tantas as trouxe de volta ao peito.
O tato organiza a passagem: as mãos «prendi atrás dela» e voltam «ao peito» sem ter apertado nada. O leitor sente no corpo o abraço que fecha no ar e o movimento de retorno, repetido três vezes.
Cantos I a IV: A praia e o Antepurgatório, Dante, narrador, ao tentar abraçar a sombra de Casella
meu corpo gelado, na foz, encontrou o Archiano impetuoso; e este o empurrou para o Arno, e soltou no meu peito a cruz que fiz de mim quando a dor me venceu.
e com os dedos da destra abertos achei apenas seis das letras que gravou aquele das chaves sobre as minhas têmporas; ao ver isso, o meu guia sorriu.
porque a todos um fio de ferro fura as pálpebras e as costura, como se faz ao gavião selvagem porque não fica quieto. Parecia-me, ao andar, fazer ultraje, vendo os outros sem ser visto: por isso me voltei para o meu sábio conselheiro.
Cantos XIII a XVI: Inveja e ira, Dante, narrador, diante dos invejosos de olhos costurados
pareciam as órbitas anéis sem gemas; quem no rosto dos homens lê omo bem teria ali reconhecido o eme.
o gelo que me estava apertado em volta do coração tornou-se espírito e água, e com angústia saiu do peito pela boca e pelos olhos.
Cantos XXX a XXXIII: Beatriz, Dante, narrador, quando os anjos cantam e ele chora
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.