Pergunta feita sem esperar resposta, porque a resposta já está implícita, ou porque o que importa é a dúvida que ela expõe.
Em Purgatório
primeiro convém que o céu me gire fora dela tanto quanto fez em vida, porque adiei até o fim os bons suspiros, se oração antes não me ajudar, que suba de um coração que viva em graça; a outra, que vale, se no céu não é ouvida?
A fala termina em «a outra, que vale, se no céu não é ouvida?», pergunta que não espera resposta, porque Belacqua já a sabe. Ela fecha a regra com um aviso de que só a prece de quem vive em graça tem alcance.
Cantos I a IV: A praia e o Antepurgatório, Belacqua, sentado ao pé do rochedo, respondendo a Dante
de que vale que Justiniano te consertasse o freio, se a sela está vazia? sem ele a vergonha seria menor.
e ela: o bem dos outros, para ti, que será, se esqueceres o teu?; ao que ele: agora te conforta, que convém que eu cumpra o meu dever antes de partir: a justiça o quer e a piedade me retém.
ó cristãos soberbos, míseros cansados, que, enfermos da vista da mente, confiais nos passos para trás, não vos dais conta de que somos vermes nascidos para formar a borboleta angélica, que voa à justiça sem anteparos?
Cantos IX a XII: A porta e a soberba, Dante, narrador, que interrompe a cena para falar aos soberbos
o meu sangue foi tão ardido de inveja que, se eu tivesse visto um homem alegrar-se, tu me terias visto cheio de lividez. Da minha semente colho tal palha; ó gente humana, por que pões o coração onde é preciso vedar a companhia?
Cantos XIII a XVI: Inveja e ira, Guido del Duca, a Dante, na cornija dos invejosos
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.