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Personagem

Diomedes

Quem é

Diomedes é o jovem chefe aqueu, filho de Tideu e neto de Eneu, de Cálidon, que o poema faz brilhar mais que ninguém num dia de batalha. Atena lhe dá força, ousadia e uma regra, e ele cumpre a regra com precisão: fere uma deusa, recua diante de um deus e, quando a regra muda, fere outro. É o chefe que fala sem rodeios aos reis, que cala por respeito quando o repreendem e depois diz por que não se ofende. Heleno o tem por o mais forte dos aqueus, mais temido que Aquiles. Seu ofício no poema é resistir, e ele resiste mesmo quando sabe que Zeus quer o contrário.

Trajetória

No Canto II, Agamêmnon o convoca entre os chefes mais nobres para o sacrifício. No Canto IV, o rei o censura, de pé junto ao carro, por se encolher e vigiar as pontes da guerra, e lhe conta a missão de Tideu a Tebas. Diomedes não responde por respeito, e é Estenelo quem diz que os de agora são melhores que os pais. Só depois Diomedes manda o amigo calar: a glória do rei vem se os aqueus vencerem, e o luto, se forem destruídos. Salta do carro, e o bronze ressoa terrivelmente no peito dele.

τέττα, σιωπῇ ἧσο, ἐμῷ δʼ ἐπιπείθεο μύθῳ· / οὐ γὰρ ἐγὼ νεμεσῶ Ἀγαμέμνονι ποιμένι λαῶν / ὀτρύνοντι μάχεσθαι ἐϋκνήμιδας Ἀχαιούς· / τούτῳ μὲν γὰρ κῦδος ἅμʼ ἕψεται εἴ κεν Ἀχαιοὶ / Τρῶας δῃώσωσιν ἕλωσί τε Ἴλιον ἱρήν, / τούτῳ δʼ αὖ μέγα πένθος Ἀχαιῶν δῃωθέντων. (4.412-417), Amigo, senta em silêncio e obedece à minha palavra: pois eu não me indigno com Agamêmnon, pastor de homens, que exorta a lutar os aqueus de belas cnêmides; pois a glória o acompanha se os aqueus abaterem os troianos e tomarem a sagrada Ílion, e também a ele, o grande luto, se os aqueus forem destruídos.
Canto IV: A trégua rompida
ἡμεῖς τοι πατέρων μέγʼ ἀμείνονες εὐχόμεθʼ εἶναι· / ἡμεῖς καὶ Θήβης ἕδος εἵλομεν ἑπταπύλοιο / παυρότερον λαὸν ἀγαγόνθʼ ὑπὸ τεῖχος ἄρειον, / πειθόμενοι τεράεσσι θεῶν καὶ Ζηνὸς ἀρωγῇ· / κεῖνοι δὲ σφετέρῃσιν ἀτασθαλίῃσιν ὄλοντο· (4.405-409), Nós nos gabamos de ser muito melhores que nossos pais: nós tomamos a sede de Tebas de sete portas, levando menos gente contra uma muralha mais forte, obedecendo aos sinais dos deuses e com o auxílio de Zeus; e eles pereceram por seus próprios desatinos.
Canto IV: A trégua rompida

No Canto V, Atena dá a Diomedes força e ousadia para que se destaque entre os argivos e ganhe nobre glória, e acende em seu elmo e escudo um fogo incansável. Ele mata Fegeu, e Atena leva Ares para fora do combate. Pândaro o fere no ombro, e Diomedes reza a Atena. A deusa responde que tirou dos olhos dele a névoa para que reconheça o deus e o homem, e põe uma regra: que não lute de frente com os outros imortais, mas, se Afrodite vier à guerra, a essa fira com o bronze.

ἔνθʼ αὖ Τυδεΐδῃ Διομήδεϊ Παλλὰς Ἀθήνη / δῶκε μένος καὶ θάρσος, ἵνʼ ἔκδηλος μετὰ πᾶσιν / Ἀργείοισι γένοιτο ἰδὲ κλέος ἐσθλὸν ἄροιτο· (5.1-3), Então Palas Atena deu ao filho de Tideu, Diomedes, força e ousadia, para que se destacasse entre todos os argivos e ganhasse nobre glória;
Canto V: A aristeia de Diomedes
ἀχλὺν δʼ αὖ τοι ἀπʼ ὀφθαλμῶν ἕλον ἣ πρὶν ἐπῆεν, / ὄφρʼ εὖ γιγνώσκῃς ἠμὲν θεὸν ἠδὲ καὶ ἄνδρα. / τὼ νῦν αἴ κε θεὸς πειρώμενος ἐνθάδʼ ἵκηται / μή τι σύ γʼ ἀθανάτοισι θεοῖς ἀντικρὺ μάχεσθαι / τοῖς ἄλλοις· ἀτὰρ εἴ κε Διὸς θυγάτηρ Ἀφροδίτη / ἔλθῃσʼ ἐς πόλεμον, τήν γʼ οὐτάμεν ὀξέϊ χαλκῷ. (5.127-132), e tirei de teus olhos a névoa que antes havia, para que reconheças bem o deus e o homem. Por isso, se algum deus vier aqui pondo-te à prova, tu não lutes de frente com os outros deuses imortais; mas se Afrodite, filha de Zeus, vier à guerra, a essa fere com o bronze agudo.
Canto V: A aristeia de Diomedes

Diomedes volta três vezes mais forte, como um leão que o pastor feriu e não matou. Recusa recuar diante de Pândaro e Eneias, porque lutar esquivando-se não é nobre, e Atena não o deixa tremer. Mata Pândaro com a lança que Atena guia e esmaga o quadril de Eneias com uma pedra. Quando Afrodite cobre o filho com o manto, persegue-a sabendo que é uma deusa sem força, não das que mandam na guerra, e fere-lhe o pulso. Insulta-a: não basta enganar mulheres sem força?

μή τι φόβον δʼ ἀγόρευʼ, ἐπεὶ οὐδὲ σὲ πεισέμεν οἴω. / οὐ γάρ μοι γενναῖον ἀλυσκάζοντι μάχεσθαι / οὐδὲ καταπτώσσειν· ἔτι μοι μένος ἔμπεδόν ἐστιν· / ὀκνείω δʼ ἵππων ἐπιβαινέμεν, ἀλλὰ καὶ αὔτως / ἀντίον εἶμʼ αὐτῶν· τρεῖν μʼ οὐκ ἐᾷ Παλλὰς Ἀθήνη. (5.252-256), Não fales de pavor, pois penso que nem a mim vais persuadir. Não é nobre para mim lutar esquivando-me nem encolhendo-me; ainda tenho a força firme. Hesito em subir aos cavalos; antes irei a pé contra eles assim mesmo: Palas Atena não me deixa tremer.
Canto V: A aristeia de Diomedes
δὲ Κύπριν ἐπῴχετο νηλέϊ χαλκῷ / γιγνώσκων ὅ τʼ ἄναλκις ἔην θεός, οὐδὲ θεάων / τάων αἵ τʼ ἀνδρῶν πόλεμον κάτα κοιρανέουσιν, / οὔτʼ ἄρʼ Ἀθηναίη οὔτε πτολίπορθος Ἐνυώ. (5.330-333), e ele perseguia Cípris com o bronze impiedoso, sabendo que era uma deusa sem força, não daquelas deusas que mandam na guerra dos homens, nem Atena, nem Enio destruidora de cidades.
Canto V: A aristeia de Diomedes
εἶκε Διὸς θύγατερ πολέμου καὶ δηϊοτῆτος· / ἦ οὐχ ἅλις ὅττι γυναῖκας ἀνάλκιδας ἠπεροπεύεις; / εἰ δὲ σύ γʼ ἐς πόλεμον πωλήσεαι, ἦ τέ σʼ ὀΐω / ῥιγήσειν πόλεμόν γε καὶ εἴ χʼ ἑτέρωθι πύθηαι. (5.348-351), Recua, filha de Zeus, da guerra e do combate! Acaso não basta que enganes mulheres sem força? Se tu te meteres na guerra, penso que hás de estremecer diante da guerra, mesmo que a conheças só de longe.
Canto V: A aristeia de Diomedes

Investe quatro vezes contra Eneias sabendo que Apolo o protege, e Apolo lhe diz que considere e recue, porque nunca é semelhante a raça dos deuses e a dos homens. Diomedes recua. Mais tarde, ao ver Heitor, que tem Ares com ele, manda os seus recuarem sem lutar de frente com os deuses. Atena o acusa de cansaço ou de medo, e ele responde que guarda a ordem dela. Atena então suspende o limite, sobe ao carro ao lado dele e guia a lança que fere Ares no baixo-ventre.

φράζεο Τυδεΐδη καὶ χάζεο, μηδὲ θεοῖσιν / ἶσʼ ἔθελε φρονέειν, ἐπεὶ οὔ ποτε φῦλον ὁμοῖον / ἀθανάτων τε θεῶν χαμαὶ ἐρχομένων τʼ ἀνθρώπων. (5.440-442), Considera, filho de Tideu, e recua, e não queiras pensar igual aos deuses, pois nunca é semelhante a raça dos deuses imortais e a dos homens que andam sobre a terra.
Canto V: A aristeia de Diomedes
οὔτέ τί με δέος ἴσχει ἀκήριον οὔτέ τις ὄκνος, / ἀλλʼ ἔτι σέων μέμνημαι ἐφετμέων ἃς ἐπέτειλας· / οὔ μʼ εἴας μακάρεσσι θεοῖς ἀντικρὺ μάχεσθαι / τοῖς ἄλλοις· ἀτὰρ εἴ κε Διὸς θυγάτηρ Ἀφροδίτη / ἔλθῃσʼ ἐς πόλεμον, τήν γʼ οὐτάμεν ὀξέϊ χαλκῷ. (5.817-821), Nem medo sem coração me detém, nem hesitação alguma, mas ainda me lembro das ordens que me deste: não me deixavas lutar de frente com os outros deuses bem-aventurados; mas se Afrodite, filha de Zeus, viesse à guerra, essa eu devia ferir com o bronze agudo.
Canto V: A aristeia de Diomedes
τύψον δὲ σχεδίην μηδʼ ἅζεο θοῦρον Ἄρηα / τοῦτον μαινόμενον, τυκτὸν κακόν, ἀλλοπρόσαλλον, / ὃς πρῴην μὲν ἐμοί τε καὶ Ἥρῃ στεῦτʼ ἀγορεύων / Τρωσὶ μαχήσεσθαι, ἀτὰρ Ἀργείοισιν ἀρήξειν, / νῦν δὲ μετὰ Τρώεσσιν ὁμιλεῖ, τῶν δὲ λέλασται. (5.830-834), e fere de perto, e não temas o impetuoso Ares, esse furioso, mal forjado, que muda de lado; que há pouco, falando a mim e a Hera, garantia que lutaria contra os troianos e ajudaria os argivos, e agora anda entre os troianos e esqueceu aquelas coisas.
Canto V: A aristeia de Diomedes

No Canto VI, Diomedes encontra Glauco entre as duas linhas e lhe diz que não luta contra deuses, lembrando Licurgo. Glauco responde com a imagem das folhas e a genealogia, e Diomedes se alegra: são hóspedes por herança, porque Eneu hospedou Belerofonte. Finca a lança na terra, propõe evitar a lança um do outro na multidão e trocar as armas. Zeus tira o juízo de Glauco, que troca armas de ouro por armas de bronze.

εἰ δέ τις ἀθανάτων γε κατʼ οὐρανοῦ εἰλήλουθας, / οὐκ ἂν ἔγωγε θεοῖσιν ἐπουρανίοισι μαχοίμην. (6.128-129), e se és algum dos imortais, descido do céu, eu não lutaria contra deuses celestes.
Canto VI: Heitor e Andrômaca
τεύχεα δʼ ἀλλήλοις ἐπαμείψομεν, ὄφρα καὶ οἵδε / γνῶσιν ὅτι ξεῖνοι πατρώϊοι εὐχόμεθʼ εἶναι. (6.230-231), troquemos as armas um com o outro, para que também estes reconheçam que nos gabamos de ser hóspedes por herança dos nossos pais.
Canto VI: Heitor e Andrômaca

No Canto VII, Diomedes é um dos nove que se levantam para enfrentar Heitor. Mais tarde, entre os aqueus que ouvem a oferta de Páris, diz que ninguém aceite os bens de Alexandre nem Helena, pois até o mais tolo vê que o termo da ruína já pesa sobre os troianos. Os aqueus o aprovam aos gritos.

μήτʼ ἄρ τις νῦν κτήματʼ Ἀλεξάνδροιο δεχέσθω / μήθʼ Ἑλένην· γνωτὸν δὲ καὶ ὃς μάλα νήπιός ἐστιν / ὡς ἤδη Τρώεσσιν ὀλέθρου πείρατʼ ἐφῆπται. (7.400-402), que ninguém aceite agora os bens de Alexandre, nem Helena; é claro, até para quem é muito tolo, que aos troianos já está atado o termo da ruína.
Canto VII: O duelo de Heitor e Ájax

No Canto VIII, vê Nestor em perigo e chama Odisseu, que não escuta. Diomedes, sozinho, sobe Nestor ao carro e mata o cocheiro de Heitor. Um raio de Zeus cai diante dos cavalos, e Nestor lhe diz que hoje Zeus dá a glória a Heitor e que nenhum homem detém o pensamento de Zeus. Diomedes concorda, mas teme que Heitor diga um dia entre os troianos que ele fugiu. Três vezes hesita entre voltar e lutar, e três vezes Zeus troveja do Ida.

ἀλλὰ τόδʼ αἰνὸν ἄχος κραδίην καὶ θυμὸν ἱκάνει· / Ἕκτωρ γάρ ποτε φήσει ἐνὶ Τρώεσσʼ ἀγορεύων· / Τυδεΐδης ὑπʼ ἐμεῖο φοβεύμενος ἵκετο νῆας. / ὥς ποτʼ ἀπειλήσει· τότε μοι χάνοι εὐρεῖα χθών. (8.147-150), mas esta dor terrível me chega ao coração e ao ânimo: Heitor dirá um dia, discursando entre os troianos: "O Tidida, fugindo de mim, chegou às naus". Assim um dia ameaçará; que então a vasta terra me trague.
Canto VIII: A batalha interrompida
τρὶς μὲν μερμήριξε κατὰ φρένα καὶ κατὰ θυμόν, / τρὶς δʼ ἄρʼ ἀπʼ Ἰδαίων ὀρέων κτύπε μητίετα Ζεὺς / σῆμα τιθεὶς Τρώεσσι μάχης ἑτεραλκέα νίκην. (8.169-171), Três vezes hesitou na mente e no ânimo; três vezes trovejou do monte Ida o conselheiro Zeus, dando aos troianos o sinal da vitória que faz a luta pender para o outro lado.
Canto VIII: A batalha interrompida

No Canto IX, Agamêmnon propõe fugir, e Diomedes é o primeiro a responder: Zeus lhe deu o cetro e a honra, mas não a coragem, que é o maior poder. Ele e Estenelo ficarão até Ílio cair, porque vieram com um deus. No fim da noite, quando Odisseu volta com a recusa de Aquiles, é ele quem rompe o silêncio: o rei não devia ter suplicado ao filho de Peleu com tantos presentes, que lutará quando o ânimo e um deus o levarem.

σοὶ δὲ διάνδιχα δῶκε Κρόνου πάϊς ἀγκυλομήτεω· / σκήπτρῳ μέν τοι δῶκε τετιμῆσθαι περὶ πάντων, / ἀλκὴν δʼ οὔ τοι δῶκεν, ὅ τε κράτος ἐστὶ μέγιστον. (9.37-39), A ti o filho de Crono, de pensamentos tortuosos, deu em duas partes: com o cetro deu-te ser honrado acima de todos, mas a coragem não te deu, que é o maior poder.
Canto IX: A embaixada a Aquiles

No Canto X, é o primeiro a se oferecer para espiar os troianos e pede um companheiro: quando dois vão juntos, um percebe antes do outro. Escolhe Odisseu, em quem ele vê prontidão em todas as provas e o amor de Atena. Mata o espião Dolão no gesto de súplica, com a razão de que ele voltaria às naus, e mata doze trácios adormecidos e o rei Reso, o décimo terceiro. Hesita entre levar o carro e matar mais, e Atena o manda voltar.

σύν τε δύʼ ἐρχομένω καί τε πρὸ ὃ τοῦ ἐνόησεν / ὅππως κέρδος ἔῃ· μοῦνος δʼ εἴ πέρ τε νοήσῃ / ἀλλά τέ οἱ βράσσων τε νόος, λεπτὴ δέ τε μῆτις. (10.224-226), quando dois vão juntos, um percebe antes do outro onde está o proveito; e se um só percebe, o pensamento dele é mais curto e fina a sua astúcia.
Canto X: A Doloneia
εἰ μὲν γάρ κέ σε νῦν ἀπολύσομεν ἠὲ μεθῶμεν, / ἦ τε καὶ ὕστερον εἶσθα θοὰς ἐπὶ νῆας Ἀχαιῶν / ἠὲ διοπτεύσων ἢ ἐναντίβιον πολεμίξων· / εἰ δέ κʼ ἐμῇς ὑπὸ χερσὶ δαμεὶς ἀπὸ θυμὸν ὀλέσσῃς, / οὐκέτʼ ἔπειτα σὺ πῆμά ποτʼ ἔσσεαι Ἀργείοισιν. (10.449-453), pois se agora te soltarmos ou te deixarmos ir, mais tarde virás outra vez às naus velozes dos aqueus, ou como espião ou para lutar de frente; mas se, vencido por minhas mãos, perderes a vida, nunca mais serás dano para os argivos.
Canto X: A Doloneia
νόστου δὴ μνῆσαι μεγαθύμου Τυδέος υἱὲ / νῆας ἔπι γλαφυράς, μὴ καὶ πεφοβημένος ἔλθῃς, / μή πού τις καὶ Τρῶας ἐγείρῃσιν θεὸς ἄλλος. (10.509-511), lembra-te do retorno, filho do magnânimo Tideu, às naus côncavas, para que não voltes em fuga, caso algum outro deus desperte os troianos.
Canto X: A Doloneia

No Canto XI, Odisseu chama Diomedes a ficar ao lado dele quando todos fogem. Diomedes resiste, embora diga que a alegria deles será curta, pois Zeus quer dar o poder aos troianos. Acerta o elmo de Heitor, que cai de joelhos, e grita que Apolo o salvou outra vez. Páris, escondido atrás da estela do túmulo de Ilo, o fere no pé. Diomedes diz que a flecha de um arqueiro de cabelo penteado não lhe importa mais que o golpe de uma mulher ou de uma criança, arranca a flecha e recua para as naus.

ἤτοι ἐγὼ μενέω καὶ τλήσομαι· ἀλλὰ μίνυνθα / ἡμέων ἔσσεται ἦδος, ἐπεὶ νεφεληγερέτα Ζεὺς / Τρωσὶν δὴ βόλεται δοῦναι κράτος ἠέ περ ἡμῖν. (11.317-319), eu ficarei e resistirei; mas pouco será o proveito para nós, pois Zeus, o ajuntador de nuvens, quer dar o poder aos troianos antes que a nós.
Canto XI: A aristeia de Agamêmnon

No Canto XIV, Diomedes, o mais novo dos presentes, pede que o ouçam sem se irritar com a idade e se apoia na linhagem: filho de Tideu, enterrado em Tebas, neto de Eneu. Propõe voltar ao combate, ainda que feridos, mas fora do alcance dos dardos, para que ninguém acrescente ferida a ferida, e lançar os outros ao combate. Todos obedecem.

δεῦτʼ ἴομεν πόλεμον δὲ καὶ οὐτάμενοί περ ἀνάγκῃ. / ἔνθα δʼ ἔπειτʼ αὐτοὶ μὲν ἐχώμεθα δηϊοτῆτος / ἐκ βελέων, μή πού τις ἐφʼ ἕλκεϊ ἕλκος ἄρηται· / ἄλλους δʼ ὀτρύνοντες ἐνήσομεν, οἳ τὸ πάρος περ / θυμῷ ἦρα φέροντες ἀφεστᾶσʼ οὐδὲ μάχονται. (14.128-132), vamos ao combate, ainda que feridos, por necessidade. Lá, então, nós mesmos nos manteremos longe da luta, fora do alcance dos dardos, para que ninguém acrescente ferida a ferida; e lançaremos os outros ao combate, os que antes, dando gosto ao próprio ânimo, ficaram à parte e não lutam.
Canto XIV: O engano de Zeus

No Canto XXIII, na corrida de carros, Diomedes guia os cavalos que tomou de Eneias. Apolo, irritado, lhe derruba o chicote, e Diomedes chora de raiva. Atena percebe, devolve-lhe o chicote e põe força nos cavalos. Ele chega primeiro. No combate de armas, enfrenta Ájax Telamônio: depois de três investidas, mira por cima do escudo o pescoço de Ájax, e os aqueus, com medo por Ájax, mandam parar. Aquiles dá a espada trácia a Diomedes. Antes, tinha ajudado Euríalo com o cinto e as correias no pugilato.

οὐδʼ ἄρʼ Ἀθηναίην ἐλεφηράμενος λάθʼ Ἀπόλλων / Τυδεΐδην, μάλα δʼ ὦκα μετέσσυτο ποιμένα λαῶν, / δῶκε δέ οἱ μάστιγα, μένος δʼ ἵπποισιν ἐνῆκεν· (23.388-390), e Apolo, ao enganar o Tidida, não passou despercebido a Atena; ela logo foi atrás do pastor de povos, deu-lhe o chicote e pôs força nos cavalos.
Canto XXIII: Os jogos fúnebres

Temas que encarna

Diomedes encarna a Guerra vista da bravura: aristeia, favor divino, resistência quando o deus decide o contrário. Encarna a Honra e reputação no medo da frase que Heitor dirá dele no Canto VIII e na resposta a Agamêmnon no Canto IV e no Canto IX. E encarna o Destino e livre-arbítrio no limite que Atena põe e depois suspende, e no aviso de Apolo, que o faz recuar.

O Canto V desenha o que um mortal pode fazer quando um deus o autoriza e onde acaba o que o deus autoriza. Atena dá a Diomedes força, visão e uma exceção, Afrodite. Ele cumpre a ordem com precisão, recua ao ver Ares porque a ordem não o cobre, e só depois que Atena suspende o limite e conduz o carro ele fere Ares. Ao investir contra Eneias sabendo que Apolo o protege, ele ultrapassa a licença, mas obedece ao aviso do deus e se afasta. No Canto VI, o mesmo homem que feriu dois deuses descobre que tem com Glauco um laço de hospitalidade e para o duelo: a diferença entre eles e Heitor não está no afeto, está no que cada um defende. Em todos os cantos em que reaparece, Diomedes reage a uma reprimenda ou a um aviso, e responde com ato ou com obediência, nunca com defesa.

Relações

  • Atena: a deusa que lhe dá a força, a ordem e o limite, e depois o suspende.
  • Agamêmnon: o rei que o censura no Canto IV e a quem ele responde no Canto IX.
  • Odisseu: o companheiro da Doloneia e o chefe que lhe pede ajuda no Canto XI.
  • Nestor: o ancião que ele resgata no Canto VIII e que o aconselha a recuar.
  • Heitor: o adversário diante de quem recua no Canto V e no Canto VIII e que ele atordoa no Canto XI.
  • Apolo: o deus que o adverte no Canto V e que lhe derruba o chicote no Canto XXIII.
  • Zeus: o deus cujo trovão decide a hesitação do Canto VIII.
  • Páris: o arqueiro que o fere no pé.
  • Ájax: o rival do combate de armas nos jogos de Pátroclo.
  • Glauco: o hóspede por herança com quem ele troca armas.
  • Estenelo: o companheiro de carro que responde por ele.