Quem é
Heitor é o principal defensor de Troia, filho do rei Príamo e da rainha Hécuba, marido de Andrômaca e pai do menino Astianacte. É o comandante dos troianos e dos aliados quando os aqueus acampam junto às naus, e o poema o faz lutar menos pela glória pessoal do que pela cidade, pela mulher e pelo filho. Move-o a vergonha diante dos troianos e das troianas, e ele sabe, desde o Canto VI, que a cidade cairá. Depende de Zeus para vencer e confia nele, mesmo quando Polidamante o adverte e quando Pátroclo, morrendo, lhe profetiza o fim. Seu adversário é Aquiles, e o poema trata os dois como espelhos: um luta por uma honra que lhe foi tirada, o outro por uma cidade que lhe foi confiada. O último verso do poema é do funeral dele.
Trajetória
No Canto II, depois do Catálogo das Naus, Íris, na figura do vigia Polites, diz a Heitor que ordene os aliados de muitas línguas, cada grupo sob seu chefe. Heitor reconhece o conselho divino, desfaz a assembleia, e os troianos saem em armas pelas portas. É também o alvo da prece de Agamêmnon, que pede que o sol não se ponha antes de rasgar com o bronze a túnica no peito dele.
No Canto III, Heitor repreende o irmão Páris, que recuou ao ver Menelau avançar: preferiria que ele nunca tivesse nascido a vê-lo servir de riso aos aqueus. O que o move é a cidade, não a mulher, e a vergonha pública que ele quer corrigir. Alegra-se com a proposta de Páris de pôr a guerra no duelo, segura a lança pelo meio para conter a linha troiana e expõe a proposta aos dois exércitos. Com Odisseu mede o terreno e agita as sortes no elmo.
ἦ που καγχαλόωσι κάρη κομόωντες Ἀχαιοὶ / φάντες ἀριστῆα πρόμον ἔμμεναι, οὕνεκα καλὸν / εἶδος ἔπʼ, ἀλλʼ οὐκ ἔστι βίη φρεσὶν οὐδέ τις ἀλκή.(3.43-45), sem dúvida riem às gargalhadas os aqueus de longas cabeleiras, que disseram ser tu o campeão da frente porque há em ti belo aspecto; mas não há força no ânimo nem coragem alguma.
No Canto V, quando Diomedes arrasa as fileiras, o aliado Sarpédon censura Heitor por deixar os aliados lutarem enquanto os troianos se encolhem. A palavra morde o ânimo dele: salta do carro, percorre as fileiras e acende a luta. Diomedes estremece ao vê-lo e manda os seus recuarem sem lutar de frente contra os deuses, porque há sempre um deus com Heitor, agora Ares. Quando Sarpédon, ferido, lhe pede que o proteja, Heitor passa adiante, e o texto dá só a pressa como motivo.
Ἕκτορ πῇ δή τοι μένος οἴχεται ὃ πρὶν ἔχεσκες; / φῆς που ἄτερ λαῶν πόλιν ἑξέμεν ἠδʼ ἐπικούρων / οἶος σὺν γαμβροῖσι κασιγνήτοισί τε σοῖσι. / τῶν νῦν οὔ τινʼ ἐγὼ ἰδέειν δύναμʼ οὐδὲ νοῆσαι, / ἀλλὰ καταπτώσσουσι κύνες ὣς ἀμφὶ λέοντα· / ἡμεῖς δὲ μαχόμεσθʼ οἵ πέρ τʼ ἐπίκουροι ἔνειμεν.(5.472-477), Heitor, aonde foi o ímpeto que antes tinhas? Dizias que sem exército e sem aliados manterias a cidade, sozinho com os teus parentes por casamento e irmãos. Deles agora não consigo ver nem perceber nenhum; encolhem-se como cães em volta de um leão; e lutamos nós, que somos aliados.
No Canto VI, Heitor vai à cidade a pedido do irmão Heleno, para mandar Hécuba levar o manto mais belo a Atena. Recusa o vinho da mãe, porque tem as mãos sujas de sangue e não pode libar a Zeus, e censura Páris no quarto. Recusa o assento que Helena lhe oferece: o ânimo já o impele a socorrer os troianos que sentem a falta dele. Procura Andrômaca em casa, não a encontra e a alcança nas Portas Ceias, onde ela lhe diz que o ímpeto dele o perderá. Responde que tem vergonha dos troianos e das troianas e que aprendeu a lutar entre os primeiros, e logo diz o que sabe do fim.
αἰδέομαι Τρῶας καὶ Τρῳάδας ἑλκεσιπέπλους, / αἴ κε κακὸς ὣς νόσφιν ἀλυσκάζω πολέμοιο· / οὐδέ με θυμὸς ἄνωγεν, ἐπεὶ μάθον ἔμμεναι ἐσθλὸς / αἰεὶ καὶ πρώτοισι μετὰ Τρώεσσι μάχεσθαι / ἀρνύμενος πατρός τε μέγα κλέος ἠδʼ ἐμὸν αὐτοῦ.(6.442-446), tenho muita vergonha dos troianos e das troianas de mantos arrastados, se, como um covarde, me afastasse longe da guerra; e também o ânimo não me manda, pois aprendi a ser valente sempre e a lutar entre os primeiros troianos, buscando para mim grande glória do meu pai e a minha.
εὖ γὰρ ἐγὼ τόδε οἶδα κατὰ φρένα καὶ κατὰ θυμόν· / ἔσσεται ἦμαρ ὅτʼ ἄν ποτʼ ὀλώλῃ Ἴλιος ἱρὴ / καὶ Πρίαμος καὶ λαὸς ἐϋμμελίω Πριάμοιο.(6.447-449), pois isto eu sei bem, no espírito e no coração: virá o dia em que a sagrada Ílion será destruída, e Príamo, e o povo de Príamo, bom lanceiro.
O que mais lhe dói não é a dor de Hécuba, de Príamo ou dos irmãos, e sim a de Andrômaca levada em lágrimas por algum aqueu. O filho recua gritando diante do elmo de crina, e Heitor o tira, beija a criança e reza a Zeus para que seja rei de Ílion e melhor do que o pai. Consola Andrômaca dizendo que ninguém o mandará ao Hades antes da hora, e manda-a ao tear: a guerra é assunto dos homens e sobretudo dele.
ἂψ δʼ ὃ πάϊς πρὸς κόλπον ἐϋζώνοιο τιθήνης / ἐκλίνθη ἰάχων πατρὸς φίλου ὄψιν ἀτυχθεὶς / ταρβήσας χαλκόν τε ἰδὲ λόφον ἱππιοχαίτην, / δεινὸν ἀπʼ ἀκροτάτης κόρυθος νεύοντα νοήσας.(6.467-470), e o menino recuou, gritando, para o seio da ama de bela cintura, assustado com a visão do pai querido, temendo o bronze e o penacho de crina de cavalo, que viu balançar terrível do alto do elmo.
Ζεῦ ἄλλοι τε θεοὶ δότε δὴ καὶ τόνδε γενέσθαι / παῖδʼ ἐμὸν ὡς καὶ ἐγώ περ ἀριπρεπέα Τρώεσσιν, / ὧδε βίην τʼ ἀγαθόν, καὶ Ἰλίου ἶφι ἀνάσσειν· / καί ποτέ τις εἴποι πατρός γʼ ὅδε πολλὸν ἀμείνων / ἐκ πολέμου ἀνιόντα· φέροι δʼ ἔναρα βροτόεντα / κτείνας δήϊον ἄνδρα, χαρείη δὲ φρένα μήτηρ.(6.476-481), Zeus e demais deuses, concedei que também este meu filho seja, como eu, ilustre entre os troianos, e igualmente forte em vigor, e reine com poder sobre Ílion; e que um dia digam, ao vê-lo voltar da guerra: "Este é muito melhor que o pai!"; e que ele traga espólios sangrentos, tendo matado um inimigo, e a mãe se alegre no coração.
οὐ γάρ τίς μʼ ὑπὲρ αἶσαν ἀνὴρ Ἄϊδι προϊάψει· / μοῖραν δʼ οὔ τινά φημι πεφυγμένον ἔμμεναι ἀνδρῶν, / οὐ κακὸν οὐδὲ μὲν ἐσθλόν, ἐπὴν τὰ πρῶτα γένηται.(6.487-489), pois nenhum homem me lançará ao Hades contra o que me cabe; e digo que ninguém escapou da sorte, nem o mau nem o bom, depois que nasceu.
No Canto VII, Heitor volta à luta com Páris, e Heleno lhe garante que ainda não é a sorte dele morrer. Desafia o melhor dos aqueus para um duelo, com a regra de que o vencedor leve as armas e devolva o corpo. O exército cala. Quando Ájax avança, o coração de Heitor bate no peito, e ele já não pode recuar, porque desafiou. O duelo termina sem vencedor: Apolo o levanta depois da pedra de Ájax, os arautos interpõem os cetros e a noite chega, e os dois trocam presentes, uma espada por um cinto, para que digam que lutaram e se separaram em amizade.
σῶμα δὲ οἴκαδʼ ἐμὸν δόμεναι πάλιν, ὄφρα πυρός με / Τρῶες καὶ Τρώων ἄλοχοι λελάχωσι θανόντα.(7.79-80), e que devolva o meu corpo à casa, para que os troianos e as esposas dos troianos me deem, depois de morto, a parte do fogo.
Ἕκτορί τʼ αὐτῷ θυμὸς ἐνὶ στήθεσσι πάτασσεν· / ἀλλʼ οὔ πως ἔτι εἶχεν ὑποτρέσαι οὐδʼ ἀναδῦναι / ἂψ λαῶν ἐς ὅμιλον, ἐπεὶ προκαλέσσατο χάρμῃ.(7.216-218), e o coração batia no peito do próprio Heitor; mas ele já não podia recuar nem se esquivar de volta à multidão dos seus, pois tinha desafiado para o combate.
δῶρα δʼ ἄγʼ ἀλλήλοισι περικλυτὰ δώομεν ἄμφω, / ὄφρά τις ὧδʼ εἴπῃσιν Ἀχαιῶν τε Τρώων τε· / ἠμὲν ἐμαρνάσθην ἔριδος πέρι θυμοβόροιο, / ἠδʼ αὖτʼ ἐν φιλότητι διέτμαγεν ἀρθμήσαντε.(7.299-302), demos um ao outro presentes insignes, para que alguém entre aqueus e troianos diga: eles lutaram pela querela que devora o ânimo e de novo se separaram em amizade, reconciliados.
No Canto VIII, Zeus pesa os destinos dos dois exércitos e dá o dia aos troianos. Heitor persegue Nestor e Diomedes, insulta este de longe e toma o trovão por promessa: anuncia que vai incendiar as naus, fala aos cavalos da gratidão de Andrômaca e quer o escudo de ouro de Nestor e a couraça de Diomedes. Ao fim do dia, na assembleia, manda acender muitas fogueiras, para que os gregos não fujam por mar, e diz que queria ser imortal como Atena e Apolo, tão certamente quanto aquele dia traz desgraça aos argivos.
ἀλλʼ ὅτε κεν δὴ νηυσὶν ἔπι γλαφυρῇσι γένωμαι, / μνημοσύνη τις ἔπειτα πυρὸς δηΐοιο γενέσθω, / ὡς πυρὶ νῆας ἐνιπρήσω, κτείνω δὲ καὶ αὐτοὺς / Ἀργείους παρὰ νηυσὶν ἀτυζομένους ὑπὸ καπνοῦ.(8.180-183), mas quando eu chegar às naus côncavas, que haja então lembrança do fogo devorador, para que eu incendeie as naus com fogo e mate os próprios argivos junto aos navios, atordoados pela fumaça.
εἰ γὰρ ἐγὼν ὣς / εἴην ἀθάνατος καὶ ἀγήρως ἤματα πάντα, / τιοίμην δʼ ὡς τίετʼ Ἀθηναίη καὶ Ἀπόλλων, / ὡς νῦν ἡμέρη ἥδε κακὸν φέρει Ἀργείοισιν.(8.538-541), Ah, se eu fosse imortal e sem velhice todos os dias, e honrado como Atena e Apolo são honrados, tão certamente quanto este dia traz desgraça aos argivos.
No Canto IX, Odisseu repete a Aquiles que Heitor, confiado em Zeus, promete queimar as naus ao amanhecer, e Aquiles responde que só pensará na guerra quando Heitor chegar às tendas dos mirmidões. No Canto X, Heitor promete carro e cavalos a quem espiar as naus aqueias, e o espião Dolão exige o juramento de que terá os cavalos de Aquiles. Heitor jura, e o narrador diz que jurou em falso.
No Canto XI, Zeus manda dizer a Heitor que se afaste enquanto Agamêmnon estiver na vanguarda, e que receberá força para matar até o pôr do sol quando o rei for ferido. Heitor obedece, desce do carro e reorganiza as linhas. Quando o rei se retira, chama troianos e lícios ao ataque e diz que Zeus lhe deu a glória. Um golpe de Diomedes no elmo o derruba de joelhos, e Diomedes grita que Apolo o salvou outra vez. Mais adiante, Heitor evita lutar com Ájax, e Zeus põe medo em Ájax.
No Canto XII, Heitor atravessa o fosso a pé, por conselho de Polidamante. Uma águia deixa cair uma serpente entre os troianos, e Polidamante lê o sinal: se romperem a muralha, não voltarão em ordem. Heitor o repreende e o ameaça de morte, porque Zeus prometeu e assentiu com a cabeça, e o melhor presságio é defender a pátria. Zeus lhe manda um vento de poeira contra as naus e dá-lhe glória maior. Heitor ergue a pedra que dois homens do povo não levantariam, que Zeus torna leve, rompe o portão e salta para dentro como a noite veloz, os olhos em chamas.
ἡμεῖς δὲ μεγάλοιο Διὸς πειθώμεθα βουλῇ, / ὃς πᾶσι θνητοῖσι καὶ ἀθανάτοισιν ἀνάσσει. / εἷς οἰωνὸς ἄριστος ἀμύνεσθαι περὶ πάτρης.(12.241-243), nós, obedeçamos ao desígnio do grande Zeus, que reina sobre todos os mortais e imortais. Um só presságio é o melhor: defender a pátria.
τὸν δʼ οὔ κε δύʼ ἀνέρε δήμου ἀρίστω / ῥηϊδίως ἐπʼ ἄμαξαν ἀπʼ οὔδεος ὀχλίσσειαν, / οἷοι νῦν βροτοί εἰσʼ· ὃ δέ μιν ῥέα πάλλε καὶ οἶος. / τόν οἱ ἐλαφρὸν ἔθηκε Κρόνου πάϊς ἀγκυλομήτεω.(12.447-450), dois homens, os melhores do povo, não a levantariam com facilidade do chão para um carro, tal como são hoje os mortais; ele a brandia com facilidade, sozinho. Tornou-a leve para ele o filho de Crono, de pensamentos tortuosos.
ὃ δʼ ἄρʼ ἔσθορε φαίδιμος Ἕκτωρ / νυκτὶ θοῇ ἀτάλαντος ὑπώπια· λάμπε δὲ χαλκῷ / σμερδαλέῳ, τὸν ἕεστο περὶ χροΐ, δοιὰ δὲ χερσὶ / δοῦρʼ ἔχεν· οὔ κέν τίς μιν ἐρύκακεν ἀντιβολήσας / νόσφι θεῶν ὅτʼ ἐσᾶλτο πύλας· πυρὶ δʼ ὄσσε δεδήει.(12.462-466), e saltou para dentro o brilhante Heitor, semelhante à noite veloz no rosto; reluzia com o bronze terrível que vestia sobre o corpo, e levava duas lanças nas mãos. Ninguém, a não ser os deuses, o teria detido ao encontrá-lo quando saltou nos portões; os olhos ardiam em fogo.
No Canto XIII, Heitor vem como rocha e para diante das falanges dos dois Ájax. A cabeça de Ímbrio, genro de Príamo, é lançada rolando até os pés dele. Polidamante lhe diz que ninguém tem todos os dons, que ao dom da guerra se junta o de quem aconselha, e que teme o homem insaciável de guerra que está junto às naus. Heitor aceita reagrupar, procura os chefes feridos, insulta Páris ao achá-lo e responde a Ájax com um desejo que não pode cumprir: ser filho de Zeus e de Hera, honrado como Atena e Apolo.
Αἶαν ἁμαρτοεπὲς βουγάϊε ποῖον ἔειπες· / εἰ γὰρ ἐγὼν οὕτω γε Διὸς πάϊς αἰγιόχοιο / εἴην ἤματα πάντα, τέκοι δέ με πότνια Ἥρη, / τιοίμην δʼ ὡς τίετʼ Ἀθηναίη καὶ Ἀπόλλων, / ὡς νῦν ἡμέρη ἥδε κακὸν φέρει Ἀργείοισι(13.824-828), Ájax, que falas sem acertar, fanfarrão, que disseste! Ah, se eu fosse filho de Zeus porta-égide por todos os dias, e me tivesse gerado a senhora Hera, e fosse honrado como são Atena e Apolo, tão certo quanto este dia traz desgraça aos argivos.
No Canto XIV, Heitor atira em Ájax e acerta o ponto em que se cruzam os talabartes, que o protegem, e Ájax, com uma pedra que calçava uma nau, o acerta no peito acima da borda do escudo. Heitor gira como um pião e cai como um carvalho fulminado. Os melhores troianos o cercam e o levam ao vau do Xanto, onde vomita sangue escuro e cai de novo.
No Canto XV, Zeus acorda, vê Heitor arquejando e se compadece, mas anuncia a Hera que ele matará Pátroclo e será morto por Aquiles. Apolo desce, devolve-lhe a força e lhe diz que Zeus o manda como protetor. Heitor corre como cavalo que rompe o laço. Manda os troianos deixarem os despojos e correrem às naus e diz que morrer pela pátria não é desonra, pois ficam salvos a mulher, os filhos e a casa. Agarra a popa da nau de Protesilau e pede fogo. O narrador explica que Zeus o honra, entre tantos homens, porque ele terá vida breve.
Ἕκτορι γάρ οἱ θυμὸς ἐβούλετο κῦδος ὀρέξαι / Πριαμίδῃ, ἵνα νηυσὶ κορωνίσι θεσπιδαὲς πῦρ / ἐμβάλοι ἀκάματον, Θέτιδος δʼ ἐξαίσιον ἀρὴν / πᾶσαν ἐπικρήνειε· τὸ γὰρ μένε μητίετα Ζεὺς / νηὸς καιομένης σέλας ὀφθαλμοῖσιν ἰδέσθαι. / ἐκ γὰρ δὴ τοῦ μέλλε παλίωξιν παρὰ νηῶν / θησέμεναι Τρώων, Δαναοῖσι δὲ κῦδος ὀρέξειν.(15.596-602), pois o ânimo de Zeus queria dar glória a Heitor, filho de Príamo, para que lançasse às naus de popa curva um fogo divino, incansável, e levasse a termo toda a prece excessiva de Tétis; pois o conselheiro Zeus esperava ver com os próprios olhos o clarão de uma nau em chamas. Depois disso é que faria a debandada dos troianos para longe das naus e daria glória aos dânaos.
αὐτὸς γάρ οἱ ἀπʼ αἰθέρος ἦεν ἀμύντωρ / Ζεύς, ὅς μιν πλεόνεσσι μετʼ ἀνδράσι μοῦνον ἐόντα / τίμα καὶ κύδαινε. μινυνθάδιος γὰρ ἔμελλεν / ἔσσεσθʼ· ἤδη γάρ οἱ ἐπόρνυε μόρσιμον ἦμαρ / Παλλὰς Ἀθηναίη ὑπὸ Πηλεΐδαο βίηφιν.(15.610-614), pois o próprio Zeus, do éter, era o seu defensor, ele que, entre tantos homens, honrava e glorificava só a ele: pois teria vida breve; já Palas Atena lhe apressava o dia fixado, sob a força do filho de Peleu.
No Canto XVI, ao ver Pátroclo nas armas de Aquiles, Heitor foge no carro e deixa o exército, e depois da morte de Sarpédon foge de novo, porque reconhece a balança sagrada de Zeus. Apolo, na figura de Ásio, o incita a ir contra Pátroclo. Quando Apolo derruba as armas de Pátroclo e Euforbo o fere por trás, Heitor se aproxima e o atinge no baixo-ventre. Gaba-se de que defende a cidade e de que os abutres comerão o inimigo. Pátroclo, moribundo, nega a vitória a Heitor, que só o despoja em terceiro lugar, depois da Moira, de Apolo e de Euforbo, e profetiza que Aquiles o matará. Heitor responde com uma pergunta: quem sabe se não será Aquiles o primeiro a perder a vida?
ἄλλο δέ τοι ἐρέω, σὺ δʼ ἐνὶ φρεσὶ βάλλεο σῇσιν· / οὔ θην οὐδʼ αὐτὸς δηρὸν βέῃ, ἀλλά τοι ἤδη / ἄγχι παρέστηκεν θάνατος καὶ μοῖρα κραταιὴ / χερσὶ δαμέντʼ Ἀχιλῆος ἀμύμονος Αἰακίδαο.(16.851-854), direi ainda outra coisa, e guarda-a no teu espírito: tu mesmo não viverás muito tempo; já se acha perto de ti a morte e o destino poderoso, que te dominará pelas mãos de Aquiles, o irrepreensível Eácida.
Πατρόκλεις τί νύ μοι μαντεύεαι αἰπὺν ὄλεθρον; / τίς δʼ οἶδʼ εἴ κʼ Ἀχιλεὺς Θέτιδος πάϊς ἠϋκόμοιο / φθήῃ ἐμῷ ὑπὸ δουρὶ τυπεὶς ἀπὸ θυμὸν ὀλέσσαι;(16.859-861), Pátroclo, por que me profetizas a ruína abrupta? Quem sabe se Aquiles, filho de Tétis de belos cabelos, não será o primeiro a perder a vida, ferido pela minha lança?
No Canto XVII, Apolo, como Mentes, chefe dos cícones, o incita a voltar ao corpo de Pátroclo, e Heitor o despe e quer decapitá-lo para dar o corpo aos cães troianos. Glauco, chefe dos lícios, cobra dele o abandono de Sarpédon. Heitor responde que a mente de Zeus é sempre mais forte e que ele faz fugir até o valente, e vai buscar as armas. Entrega as suas aos troianos que as levam à cidade e veste as armas imortais de Aquiles. Zeus o vê e o chama de infeliz, porque a morte já está perto, e lhe dá grande força em compensação: Andrômaca não receberá dele as armas. Ares entra nele, e os aliados veem Aquiles nele. Promete a quem arrastar o corpo de Pátroclo a metade do despojo e quer os cavalos de Aquiles.
οὔ τοι ἐγὼν ἔρριγα μάχην οὐδὲ κτύπον ἵππων· / ἀλλʼ αἰεί τε Διὸς κρείσσων νόος αἰγιόχοιο, / ὅς τε καὶ ἄλκιμον ἄνδρα φοβεῖ καὶ ἀφείλετο νίκην / ῥηϊδίως, ὁτὲ δʼ αὐτὸς ἐποτρύνει μαχέσασθαι.(17.175-178), não é que eu tema a batalha nem o estrondo dos cavalos; mas a mente de Zeus portador da égide é sempre mais forte: ele faz fugir até o homem valente e lhe tira a vitória com facilidade, e outras vezes é ele próprio quem o incita a lutar.
ὃ δʼ ἄμβροτα τεύχεα δῦνε / Πηλεΐδεω Ἀχιλῆος ἅ οἱ θεοὶ Οὐρανίωνες / πατρὶ φίλῳ ἔπορον· ὃ δʼ ἄρα ᾧ παιδὶ ὄπασσε / γηράς· ἀλλʼ οὐχ υἱὸς ἐν ἔντεσι πατρὸς ἐγήρα.(17.194-197), e ele vestiu as armas imperecíveis de Aquiles, filho de Peleu, que os deuses do céu deram ao pai querido; este, envelhecendo, as passou ao filho; mas o filho não envelheceu nas armas do pai.
ἆ δείλʼ οὐδέ τί τοι θάνατος καταθύμιός ἐστιν / ὃς δή τοι σχεδὸν εἶσι· σὺ δʼ ἄμβροτα τεύχεα δύνεις / ἀνδρὸς ἀριστῆος, τόν τε τρομέουσι καὶ ἄλλοι·(17.201-203), ah, infeliz, não te passa pela cabeça a morte, que já está perto de ti; tu vestes as armas imortais de um homem excelente, diante do qual outros tremem;
No Canto XVIII, Heitor alcança o corpo de Pátroclo e o agarra pelos pés três vezes, e três vezes os dois Ájax o repelem. Quando Aquiles grita, os troianos se perturbam e o sol se põe. Na assembleia, Polidamante aconselha voltar à cidade, porque Aquiles está de pé e lutará pelas mulheres. Heitor responde irado que já bastou ficarem fechados nas muralhas, que a cidade perdeu os tesouros e que Zeus lhe deu glória junto às naus. Ninguém o contradiz, porque, diz o narrador, Atena tirou o juízo dos troianos.
νῦν δʼ ὅτε πέρ μοι ἔδωκε Κρόνου πάϊς ἀγκυλομήτεω / κῦδος ἀρέσθʼ ἐπὶ νηυσί, θαλάσσῃ τʼ ἔλσαι Ἀχαιούς, / νήπιε μηκέτι ταῦτα νοήματα φαῖνʼ ἐνὶ δήμῳ· / οὐ γάρ τις Τρώων ἐπιπείσεται· οὐ γὰρ ἐάσω(18.293-296), Agora que o filho de Crono, de pensamentos tortuosos, me deu ganhar glória junto às naus e encurralar os aqueus no mar, tolo, não mostres mais esses pensamentos diante do povo: nenhum troiano te obedecerá; pois eu não o permitirei.
No Canto XIX, Aquiles diz que só Heitor e os troianos ganharam com a briga entre os aqueus.
No Canto XX, Heitor anima os troianos e diz que irá ao encontro de Aquiles ainda que as mãos dele sejam como fogo, mas, ao ouvir Apolo mandar que o espere no meio da multidão, recua. Quando vê o irmão Polidoro ferido nas costas, a névoa lhe cobre os olhos e ele avança contra Aquiles com a lança erguida. Diz que sabe que Aquiles é melhor, mas que isso está nos joelhos dos deuses. Atena desvia sua lança com um sopro, e Apolo o esconde numa névoa antes que Aquiles o alcance.
οἶδα δʼ ὅτι σὺ μὲν ἐσθλός, ἐγὼ δὲ σέθεν πολὺ χείρων. / ἀλλʼ ἤτοι μὲν ταῦτα θεῶν ἐν γούνασι κεῖται,(20.434-435), Sei que és valente e que sou muito inferior a ti. Mas isso está nos joelhos dos deuses,
No Canto XXI, Heitor não aparece, mas Aquiles diz ao rio que não parará antes de encurralar os troianos na cidade e de provar Heitor frente a frente.
No Canto XXII, Heitor é o único que fica fora das Portas Ceias. Príamo, do muro, suplica que ele entre, e Hécuba abre o vestido e mostra o seio. Heitor não cede. Sozinho, pesa a vergonha de entrar depois de ter perdido o povo por insensatez e considera por um instante depor as armas e oferecer Helena e metade da cidade, mas descarta a ideia: seria morto desarmado, como uma mulher.
νῦν δʼ ἐπεὶ ὤλεσα λαὸν ἀτασθαλίῃσιν ἐμῇσιν, / αἰδέομαι Τρῶας καὶ Τρῳάδας ἑλκεσιπέπλους, / μή ποτέ τις εἴπῃσι κακώτερος ἄλλος ἐμεῖο· / Ἕκτωρ ἧφι βίηφι πιθήσας ὤλεσε λαόν.(22.104-107), agora que perdi o povo por minhas próprias insensatezes, tenho vergonha dos troianos e das troianas de longos mantos, de que alguém pior que eu diga um dia: Heitor, confiando na própria força, perdeu o povo.
ἀλλὰ τί ἤ μοι ταῦτα φίλος διελέξατο θυμός; / μή μιν ἐγὼ μὲν ἵκωμαι ἰών, ὃ δέ μʼ οὐκ ἐλεήσει / οὐδέ τί μʼ αἰδέσεται, κτενέει δέ με γυμνὸν ἐόντα / αὔτως ὥς τε γυναῖκα, ἐπεί κʼ ἀπὸ τεύχεα δύω.(22.122-125), mas por que meu ânimo discute isso comigo? Não vá eu até ele, e ele não tenha piedade de mim nem me respeite, e me mate nu como a uma mulher, quando eu tirar as armas.
Quando Aquiles chega, um tremor toma Heitor, que foge: três voltas à cidade, uma corrida pela vida, até que Zeus levanta a balança e o dia dele desce. Apolo o deixa. Atena toma a figura de Deífobo e lhe propõe lutar juntos, e Heitor agradece a coragem do irmão de ter saído do muro. Propõe a Aquiles um pacto, o de que o vencedor devolva o corpo, e ouve que não há acordo entre leões e homens. Lança, erra, chama Deífobo e entende que Atena o enganou.
ἀλλʼ ἄγε δεῦρο θεοὺς ἐπιδώμεθα· τοὶ γὰρ ἄριστοι / μάρτυροι ἔσσονται καὶ ἐπίσκοποι ἁρμονιάων· / οὐ γὰρ ἐγώ σʼ ἔκπαγλον ἀεικιῶ, αἴ κεν ἐμοὶ Ζεὺς / δώῃ καμμονίην, σὴν δὲ ψυχὴν ἀφέλωμαι· / ἀλλʼ ἐπεὶ ἄρ κέ σε συλήσω κλυτὰ τεύχεʼ Ἀχιλλεῦ / νεκρὸν Ἀχαιοῖσιν δώσω πάλιν· ὣς δὲ σὺ ῥέζειν.(22.254-259), mas vem cá, tomemos os deuses por testemunhas, pois eles serão as melhores testemunhas e guardiões dos acordos; não te ultrajarei de modo cruel, se Zeus me der a resistência e eu te tirar a vida; mas depois que te despojar das armas gloriosas, Aquiles, devolverei o corpo aos aqueus; faze também tu assim.
ὢ πόποι ἦ μάλα δή με θεοὶ θάνατόνδε κάλεσσαν· / Δηΐφοβον γὰρ ἔγωγʼ ἐφάμην ἥρωα παρεῖναι· / ἀλλʼ ὃ μὲν ἐν τείχει, ἐμὲ δʼ ἐξαπάτησεν Ἀθήνη.(22.297-299), ai de mim, os deuses me chamaram à morte; eu julgava que o herói Deífobo estivesse ao meu lado, mas ele está dentro do muro, e Atena me enganou.
Decide morrer com a espada na mão e fazendo algo grande que os vindouros saibam. Aquiles o fere na garganta, sem cortar a traqueia. Heitor suplica pelo corpo e pelo fogo dos troianos e das esposas, ouve que nenhum resgate o compraria e avisa Aquiles de que o dia em que Páris e Apolo o destruírem chegará às Portas Ceias.
μὴ μὰν ἀσπουδί γε καὶ ἀκλειῶς ἀπολοίμην, / ἀλλὰ μέγα ῥέξας τι καὶ ἐσσομένοισι πυθέσθαι.(22.304-305), que eu não morra sem luta e sem glória, mas depois de fazer algo grande, que também os vindouros venham a saber.
λίσσομʼ ὑπὲρ ψυχῆς καὶ γούνων σῶν τε τοκήων, / μή με ἔα παρὰ νηυσὶ κύνας καταδάψαι Ἀχαιῶν, / ἀλλὰ σὺ μὲν χαλκόν τε ἅλις χρυσόν τε δέδεξο, / δῶρα τά τοι δώσουσι πατὴρ καὶ πότνια μήτηρ, / σῶμα δὲ οἴκαδʼ ἐμὸν δόμεναι πάλιν, ὄφρα πυρός με / Τρῶες καὶ Τρώων ἄλοχοι λελάχωσι θανόντα.(22.338-343), suplico-te por tua vida, teus joelhos e teus pais: não deixes os cães dos aqueus me despedaçarem junto às naus; aceita bronze e ouro em abundância, presentes que meu pai e minha mãe senhora te darão, e dá-me o corpo de volta para casa, para que os troianos e as esposas dos troianos me deem, morto, a parte do fogo.
ἦ γὰρ σοί γε σιδήρεος ἐν φρεσὶ θυμός. / φράζεο νῦν, μή τοί τι θεῶν μήνιμα γένωμαι(22.357-358), pois tens no peito um ânimo de ferro. Cuida agora que eu não me torne para ti causa de ira dos deuses.
Aquiles fura os tendões dos pés dele e o arrasta. Os pais veem a cena do muro, e Andrômaca, que tecia e aquecia a água do banho, cai de costas ao ver o marido arrastado.
No Canto XXIII, o corpo de Heitor jaz de bruços junto ao leito de Pátroclo. Aquiles promete aos cães, mas os cães não o rondam: Afrodite os afasta e o unge com óleo de rosas, e Apolo traz uma nuvem escura para que o sol não resseque a pele.
τὸν δʼ οὐ κύνες ἀμφεπένοντο, / ἀλλὰ κύνας μὲν ἄλαλκε Διὸς θυγάτηρ Ἀφροδίτη / ἤματα καὶ νύκτας, ῥοδόεντι δὲ χρῖεν ἐλαίῳ / ἀμβροσίῳ, ἵνα μή μιν ἀποδρύφοι ἑλκυστάζων.(23.184-187), mas os cães não o rondaram; afastou os cães a filha de Zeus, Afrodite, de dia e de noite, e o ungiu com óleo de rosas, ambrosíaco, para que o arrastar não o esfolasse.
No Canto XXIV, Aquiles o arrasta todos os dias em volta do túmulo de Pátroclo, e Apolo, com pena, protege o corpo de toda desfiguração. Diante dos deuses, Zeus diz que Heitor foi o mais caro aos deuses entre os mortais de Ílion. Hermes descreve a Príamo o corpo intacto, e Aquiles manda lavá-lo e levantá-lo ele mesmo para o leito. Em Troia, Andrômaca abre o lamento, Hécuba nota que Heitor está fresco como se Apolo o tivesse matado com flechas suaves, e Helena diz que ele foi o cunhado mais querido e que em vinte anos nunca lhe disse uma palavra má. O funeral segue nove dias de lenha, a pira no décimo, os ossos numa urna de ouro na manhã seguinte e o túmulo.
φίλτατος ἔσκε θεοῖσι βροτῶν οἳ ἐν Ἰλίῳ εἰσίν· / ὣς γὰρ ἔμοιγʼ, ἐπεὶ οὔ τι φίλων ἡμάρτανε δώρων. / οὐ γάρ μοί ποτε βωμὸς ἐδεύετο δαιτὸς ἐΐσης / λοιβῆς τε κνίσης τε· τὸ γὰρ λάχομεν γέρας ἡμεῖς.(24.67-70), era o mais caro aos deuses entre os mortais que vivem em Ílio; pois assim era para mim, já que em nada falhou nos presentes caros; nunca o meu altar careceu de banquete igual, de libação e de fumaça de gordura: esta é a parte que nos coube como honra.
οἷον ἐερσήεις κεῖται, περὶ δʼ αἷμα νένιπται, / οὐδέ ποθι μιαρός· σὺν δʼ ἕλκεα πάντα μέμυκεν / ὅσσʼ ἐτύπη· πολέες γὰρ ἐν αὐτῷ χαλκὸν ἔλασσαν. / ὥς τοι κήδονται μάκαρες θεοὶ υἷος ἑῆος / καὶ νέκυός περ ἐόντος, ἐπεί σφι φίλος περὶ κῆρι.(24.419-423), como jaz orvalhado, e o sangue está lavado, sem sujeira em parte alguma, e todas as feridas fecharam, as que lhe foram feitas, pois muitos lhe cravaram o bronze. Assim os deuses bem-aventurados cuidam do teu filho, mesmo morto, porque lhe era caro ao coração.
ὣς οἵ γʼ ἀμφίεπον τάφον Ἕκτορος ἱπποδάμοιο.(24.804), assim eles celebraram o funeral de Heitor, domador de cavalos.
Temas que encarna
Heitor encarna a Honra e reputação vista de dentro de uma cidade: ele luta porque tem vergonha diante dos troianos e das troianas, e morre fora das portas para que a reputação sobreviva à derrota. Encarna a Guerra como defesa, no ponto em que a causa é a casa, e não como conquista. O Destino e livre-arbítrio está em cada escolha dele: confia na promessa de Zeus, ouve Polidamante e não o obedece, sabe que Troia cairá e volta à luta, e no Canto XXII fica fora do muro enquanto a balança já decidiu. A Morte o alcança no vão da armadura que foi de Aquiles e que ele mesmo vestiu, e a Perda e luto fecha o poema com os lamentos de Andrômaca, Hécuba e Helena.
O texto dá a Heitor duas razões para ficar fora do muro, e nenhuma apaga a outra. Nas falas dele a razão é a vergonha: se entrar, Polidamante e os troianos o censurarão por ter perdido o povo. Nas falas dos deuses a razão é a moira, pesada na balança de Zeus. Heitor escolhe ficar, e a balança já tinha o resultado. Há também duas leituras para a certeza que o move. Pode ser confiança no sinal que Zeus lhe deu, e então a recusa de Polidamante é coerente. Pode ser o tipo de certeza que só se mantém falando alto, como na vez em que ele diz que queria ser imortal e honrado como Atena e Apolo. O poema dá um fecho que só a ele pertence: a morte de Aquiles fica fora do texto, e o último verso é o funeral de Heitor.
Relações
- Príamo: o pai que, do muro, suplica que ele entre no Canto XXII e que, no Canto XXIV, vai às naus buscar o corpo.
- Andrômaca: a esposa que lhe pede que fique na torre no Canto VI, tece o manto enquanto ele morre no Canto XXII e abre o lamento no Canto XXIV.
- Páris: o irmão que Heitor repreende por recuar diante de Menelau e por ficar no quarto, e com quem volta à luta no Canto VII.
- Aquiles: o adversário que o mata e o arrasta, e que lhe devolve o corpo ao pai.
- Pátroclo: o inimigo que Heitor mata nas armas de Aquiles e cujo corpo ele quer decapitar.
- Zeus: o deus que lhe dá a glória do dia, o chama de infeliz e depois pesa a sorte dele.
- Apolo: o protetor que o levanta, o esconde de Aquiles e o abandona quando a balança desce.
- Atena: a deusa que, sob a figura de Deífobo, o engana e devolve a lança a Aquiles.
- Ájax: o adversário do duelo do Canto VII, que o derruba com uma pedra no Canto XIV.
- Diomedes: o guerreiro que o atordoa no Canto XI e a quem Heitor faz fugir no Canto VIII.
- Polidamante: o conselheiro que lê os sinais e a quem Heitor responde com raiva.
- Sarpédon e Glauco: os aliados lícios que cobram dele a lealdade devida.