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Personagem

Atena

Quem é

Atena é a filha de Zeus que, no campo de batalha e no Olimpo, age pelos aqueus e executa o que Hera quer. Aparece de muitos modos: como uma mão que segura um herói pelos cabelos, como uma estrela que cai entre os exércitos, como um arauto, como um troiano, como um irmão de Heitor. Dá a Diomedes força e uma regra, protege Odisseu, tira o juízo dos troianos e engana Heitor. Obedece a Zeus a seu modo: aceita ficar fora da guerra e guarda a brecha do conselho, arma-se contra a ordem e volta quando Íris traz a ameaça. No Canto V, é ela quem fixa e depois suspende o limite de um mortal diante dos deuses.

Trajetória

No Canto I, quando Aquiles já puxa a espada contra Agamêmnon, Atena, mandada por Hera e visível só para ele, o agarra pelos cabelos louros e promete que ele receberá três vezes mais presentes por essa afronta. Aquiles obedece à deusa, não ao rei. O poema deixa a leitura aberta: intervenção de fora, ou a forma visível do instante em que ele decide conter a ira.

στῆ δʼ ὄπιθεν, ξανθῆς δὲ κόμης ἕλε Πηλεΐωνα / οἴῳ φαινομένη· τῶν δʼ ἄλλων οὔ τις ὁρᾶτο· (1.197-198), parou atrás dele e agarrou o filho de Peleu pela cabeleira loura, visível só para ele; dos outros, nenhum a via.
Canto I: A peste e a ira

No Canto II, Hera a manda deter a fuga dos aqueus. Atena desce e encontra Odisseu parado, sem tocar a nau, e Odisseu reconhece a voz dela. Mais tarde, disfarçada de arauto, impõe silêncio à assembleia. Antes da marcha, anda à frente do exército com a égide de cem franjas de ouro e põe em cada coração a vontade de lutar sem descanso, de modo que a guerra se torna mais doce que voltar para casa.

No Canto IV, desce como uma estrela que Zeus lança, cai entre os dois campos e toma a forma de Laódoco para persuadir Pândaro a atirar em Menelau: gratidão e glória diante dos troianos, sobretudo de Alexandre, e uma prece a Apolo. Afasta a flecha da pele de Menelau como uma mãe afasta a mosca do filho, mas a dirige ao ponto em que o cinturão se junta à couraça.

ἦ ῥά νύ μοί τι πίθοιο Λυκάονος υἱὲ δαΐφρον. / τλαίης κεν Μενελάῳ ἐπιπροέμεν ταχὺν ἰόν, / πᾶσι δέ κε Τρώεσσι χάριν καὶ κῦδος ἄροιο, / ἐκ πάντων δὲ μάλιστα Ἀλεξάνδρῳ βασιλῆϊ. (4.93-96), Acaso me obedecerias em algo, filho de Licáon, de ânimo ousado? Terias coragem de lançar contra Menelau a flecha veloz? Ganharias gratidão e glória diante de todos os troianos, e sobretudo do rei Alexandre.
Canto IV: A trégua rompida
ἣ δὲ τόσον μὲν ἔεργεν ἀπὸ χροὸς ὡς ὅτε μήτηρ / παιδὸς ἐέργῃ μυῖαν ὅθʼ ἡδέϊ λέξεται ὕπνῳ, (4.130-131), ela afastou a flecha da pele tanto quanto uma mãe afasta a mosca do filho quando ele dorme o doce sono,
Canto IV: A trégua rompida

No Canto V, dá a Diomedes força e ousadia para que se destaque entre os argivos e ganhe nobre glória. Leva Ares pela mão para fora do combate, com o argumento de evitar a ira de Zeus. Quando Diomedes é ferido por Pândaro, responde à prece dele: tirou-lhe dos olhos a névoa, e põe uma regra, que não lute de frente com os outros imortais, mas que, se Afrodite vier à guerra, a fira.

ἔνθʼ αὖ Τυδεΐδῃ Διομήδεϊ Παλλὰς Ἀθήνη / δῶκε μένος καὶ θάρσος, ἵνʼ ἔκδηλος μετὰ πᾶσιν / Ἀργείοισι γένοιτο ἰδὲ κλέος ἐσθλὸν ἄροιτο· (5.1-3), Então Palas Atena deu ao filho de Tideu, Diomedes, força e ousadia, para que se destacasse entre todos os argivos e ganhasse nobre glória;
Canto V: A aristeia de Diomedes
Ἆρες Ἄρες βροτολοιγὲ μιαιφόνε τειχεσιπλῆτα / οὐκ ἂν δὴ Τρῶας μὲν ἐάσαιμεν καὶ Ἀχαιοὺς / μάρνασθʼ, ὁπποτέροισι πατὴρ Ζεὺς κῦδος ὀρέξῃ, / νῶϊ δὲ χαζώμεσθα, Διὸς δʼ ἀλεώμεθα μῆνιν; (5.31-34), Ares, Ares, flagelo dos mortais, manchado de sangue, destruidor de muralhas, não deixaríamos nós que troianos e aqueus lutem, a quem quer que o pai Zeus conceda a glória, e nós dois nos retiraríamos, evitando a ira de Zeus?
Canto V: A aristeia de Diomedes
ἀχλὺν δʼ αὖ τοι ἀπʼ ὀφθαλμῶν ἕλον ἣ πρὶν ἐπῆεν, / ὄφρʼ εὖ γιγνώσκῃς ἠμὲν θεὸν ἠδὲ καὶ ἄνδρα. / τὼ νῦν αἴ κε θεὸς πειρώμενος ἐνθάδʼ ἵκηται / μή τι σύ γʼ ἀθανάτοισι θεοῖς ἀντικρὺ μάχεσθαι / τοῖς ἄλλοις· ἀτὰρ εἴ κε Διὸς θυγάτηρ Ἀφροδίτη / ἔλθῃσʼ ἐς πόλεμον, τήν γʼ οὐτάμεν ὀξέϊ χαλκῷ. (5.127-132), e tirei de teus olhos a névoa que antes havia, para que reconheças bem o deus e o homem. Por isso, se algum deus vier aqui pondo-te à prova, tu não lutes de frente com os outros deuses imortais; mas se Afrodite, filha de Zeus, vier à guerra, a essa fere com o bronze agudo.
Canto V: A aristeia de Diomedes

Mais tarde, acusa Diomedes de cansaço ou de medo e o compara a Tideu, e ele responde que guarda a ordem. Atena então suspende o limite: manda ferir Ares, que mudou de lado, sobe ao carro ao lado de Diomedes, veste o capacete de Hades e guia a lança.

τύψον δὲ σχεδίην μηδʼ ἅζεο θοῦρον Ἄρηα / τοῦτον μαινόμενον, τυκτὸν κακόν, ἀλλοπρόσαλλον, / ὃς πρῴην μὲν ἐμοί τε καὶ Ἥρῃ στεῦτʼ ἀγορεύων / Τρωσὶ μαχήσεσθαι, ἀτὰρ Ἀργείοισιν ἀρήξειν, / νῦν δὲ μετὰ Τρώεσσιν ὁμιλεῖ, τῶν δὲ λέλασται. (5.830-834), e fere de perto, e não temas o impetuoso Ares, esse furioso, mal forjado, que muda de lado; que há pouco, falando a mim e a Hera, garantia que lutaria contra os troianos e ajudaria os argivos, e agora anda entre os troianos e esqueceu aquelas coisas.
Canto V: A aristeia de Diomedes

No Canto VI, a prece das troianas é a ela: Teano, sacerdotisa, põe o manto mais belo nos joelhos da deusa e pede que ela quebre a lança de Diomedes. Atena nega com a cabeça. No Canto VII, Atena e Apolo, vendo os argivos morrerem, combinam parar a guerra por um dia e armam o duelo de Heitor e Ájax, e pousam em forma de abutres no carvalho de Zeus.

αἴ κʼ ἐλεήσῃς / ἄστύ τε καὶ Τρώων ἀλόχους καὶ νήπια τέκνα. / ὣς ἔφατʼ εὐχομένη, ἀνένευε δὲ Παλλὰς Ἀθήνη. (6.309-311), se tiveres piedade da cidade, das esposas dos troianos e dos filhos pequenos. Assim falou, rezando, e Palas Atena negou com a cabeça.
Canto VI: Heitor e Andrômaca

No Canto VIII, quando Zeus proíbe os deuses de descer, Atena aceita ficar fora, mas pede licença para dar aos argivos um conselho útil. Depois arma-se com Hera e, antes de a ameaça de Zeus chegar, queixa-se: ele esquece que ela salvou Héracles dos trabalhos de Euristeu e agora atende a Tétis. Ao ser interrogada, fica em silêncio.

ἀλλʼ ἤτοι πολέμου μὲν ἀφεξόμεθʼ ὡς σὺ κελεύεις· / βουλὴν δʼ Ἀργείοις ὑποθησόμεθʼ ἥ τις ὀνήσει, / ὡς μὴ πάντες ὄλωνται ὀδυσσαμένοιο τεοῖο. (8.35-37), mas nos afastaremos da guerra, como ordenas; aos argivos, porém, daremos um conselho que lhes seja útil, para que não pereçam todos por causa de tua ira.
Canto VIII: A batalha interrompida
νῦν δʼ ἐμὲ μὲν στυγέει, Θέτιδος δʼ ἐξήνυσε βουλάς, / ἥ οἱ γούνατʼ ἔκυσσε καὶ ἔλλαβε χειρὶ γενείου, / λισσομένη τιμῆσαι Ἀχιλλῆα πτολίπορθον. (8.370-372), Agora me odeia e levou a termo os desígnios de Tétis, que lhe beijou os joelhos e lhe tomou o queixo com a mão, suplicando que honrasse Aquiles, saqueador de cidades.
Canto VIII: A batalha interrompida

No Canto X, Atena manda uma garça que Odisseu e Diomedes só ouvem, e ouve a prece dos dois. Dá a Diomedes ânimo para que nenhum aqueu lhe tome a glória do golpe em Dolão, aparece ao lado dele no acampamento trácio e o manda voltar às naus antes que outro deus desperte os troianos.

νόστου δὴ μνῆσαι μεγαθύμου Τυδέος υἱὲ / νῆας ἔπι γλαφυράς, μὴ καὶ πεφοβημένος ἔλθῃς, / μή πού τις καὶ Τρῶας ἐγείρῃσιν θεὸς ἄλλος. (10.509-511), lembra-te do retorno, filho do magnânimo Tideu, às naus côncavas, para que não voltes em fuga, caso algum outro deus desperte os troianos.
Canto X: A Doloneia

No Canto XI, não deixa a lança de Soco chegar às entranhas de Odisseu. No Canto XV, quando Ares quer vingar o filho Ascálafo, tira dele o elmo, o escudo e a lança e o repreende: gente melhor que o filho já morreu, e é penoso proteger a geração de todos os homens. Mais tarde, dissipa a névoa dos olhos dos aqueus para que vejam Heitor, e apressa o dia fixado a ele, sob a força do Pelida.

τώ σʼ αὖ νῦν κέλομαι μεθέμεν χόλον υἷος ἑῆος· / ἤδη γάρ τις τοῦ γε βίην καὶ χεῖρας ἀμείνων / ἢ πέφατʼ, ἢ καὶ ἔπειτα πεφήσεται· ἀργαλέον δὲ / πάντων ἀνθρώπων ῥῦσθαι γενεήν τε τόκον τε. (15.138-141), por isso mando que largues a cólera pelo teu filho: pois já alguém melhor do que ele em força e em braços foi morto, ou será morto depois; e é penoso proteger a geração e a linhagem de todos os homens.
Canto XV: Os troianos nas naus

No Canto XVII, Zeus a manda, na figura de Fênix, incitar Menelau, e Atena se alegra por ele a ter invocado primeiro e lhe dá coragem de mosca. No Canto XVIII, lança a égide sobre os ombros de Aquiles, que se mostra aos troianos, coroa-lhe a cabeça com uma nuvem de ouro e acende uma chama. Reforça o grito dele, e os troianos se perturbam. Mais tarde, na assembleia dos troianos, o narrador diz que ela lhes tirou o juízo, e ninguém dá atenção a Polidamante.

αὐτὰρ Ἀχιλλεὺς ὦρτο Διῒ φίλος· ἀμφὶ δʼ Ἀθήνη / ὤμοις ἰφθίμοισι βάλʼ αἰγίδα θυσσανόεσσαν, / ἀμφὶ δέ οἱ κεφαλῇ νέφος ἔστεφε δῖα θεάων / χρύσεον, ἐκ δʼ αὐτοῦ δαῖε φλόγα παμφανόωσαν (18.203-206), Então Aquiles, caro a Zeus, se levantou; e Atena lançou em torno dos ombros fortes a égide franjada, e a deusa entre as deusas coroou-lhe a cabeça com uma nuvem de ouro, e dela acendeu uma chama resplandecente.
Canto XVIII: O escudo de Aquiles
νῦν δʼ ὅτε πέρ μοι ἔδωκε Κρόνου πάϊς ἀγκυλομήτεω / κῦδος ἀρέσθʼ ἐπὶ νηυσί, θαλάσσῃ τʼ ἔλσαι Ἀχαιούς, / νήπιε μηκέτι ταῦτα νοήματα φαῖνʼ ἐνὶ δήμῳ· / οὐ γάρ τις Τρώων ἐπιπείσεται· οὐ γὰρ ἐάσω (18.293-296), Agora que o filho de Crono, de pensamentos tortuosos, me deu ganhar glória junto às naus e encurralar os aqueus no mar, tolo, não mostres mais esses pensamentos diante do povo: nenhum troiano te obedecerá; pois eu não o permitirei.
Canto XVIII: O escudo de Aquiles

No Canto XIX, Zeus a repreende por ter esquecido Aquiles, e ela desce como ave de rapina para instilar néctar e ambrosia no peito dele. No Canto XX, desvia com um sopro a lança de Heitor até os pés dele. No Canto XXI, Poseidon e ela, em forma de homens, tranquilizam Aquiles que o rio quase leva e lhe dão a glória, e Atena lhe infunde força. Depois derruba Ares com uma pedra negra e Afrodite com um golpe no peito, e se gaba de ser superior.

σὺ δʼ Ἕκτορι θυμὸν ἀπούρας / ἂψ ἐπὶ νῆας ἴμεν· δίδομεν δέ τοι εὖχος ἀρέσθαι. (21.296-297), e tu, tendo tirado a vida de Heitor, volta para as naus; concedemos-te conquistar a glória.
Canto XXI: Aquiles e o rio
νηπύτιʼ οὐδέ νύ πώ περ ἐπεφράσω ὅσσον ἀρείων / εὔχομʼ ἐγὼν ἔμεναι, ὅτι μοι μένος ἰσοφαρίζεις. (21.410-411), Insensato, nem agora percebeste o quanto me gabo de ser superior, já que igualas o teu ímpeto ao meu.
Canto XXI: Aquiles e o rio

No Canto XXII, quando Zeus pergunta se salva Heitor da morte, Atena objeta: um mortal destinado há muito pela sorte. Zeus cede, e ela desce. Quando a balança desce, vai a Aquiles, diz que agora os dois levarão grande glória às naus e que ele descanse enquanto ela persuade Heitor a lutar. Toma a figura de Deífobo, irmão dele, e Heitor agradece a coragem de ter saído do muro. Atena devolve a lança a Aquiles sem que Heitor perceba, e Heitor entende, quando chama Deífobo e ninguém vem, que a deusa o enganou.

ἄνδρα θνητὸν ἐόντα πάλαι πεπρωμένον αἴσῃ / ἂψ ἐθέλεις θανάτοιο δυσηχέος ἐξαναλῦσαι; / ἔρδʼ· ἀτὰρ οὔ τοι πάντες ἐπαινέομεν θεοὶ ἄλλοι. (22.179-181), um homem mortal, destinado há muito pela sorte, queres libertá-lo outra vez da morte de lamentos? Faze-o; mas nós, os outros deuses, não te aprovamos todos.
Canto XXII: A morte de Heitor
Δηΐφοβʼ ἦ μέν μοι τὸ πάρος πολὺ φίλτατος ἦσθα / γνωτῶν οὓς Ἑκάβη ἠδὲ Πρίαμος τέκε παῖδας· / νῦν δʼ ἔτι καὶ μᾶλλον νοέω φρεσὶ τιμήσασθαι, / ὃς ἔτλης ἐμεῦ εἵνεκʼ, ἐπεὶ ἴδες ὀφθαλμοῖσι, / τείχεος ἐξελθεῖν, ἄλλοι δʼ ἔντοσθε μένουσι. (22.233-237), Deífobo, antes já eras de longe o mais querido dos irmãos que Hécuba e Príamo geraram; agora penso honrar-te ainda mais no coração, tu que ousaste, por minha causa, ao ver-me com os olhos, sair do muro, enquanto os outros ficam dentro.
Canto XXII: A morte de Heitor
ὢ πόποι ἦ μάλα δή με θεοὶ θάνατόνδε κάλεσσαν· / Δηΐφοβον γὰρ ἔγωγʼ ἐφάμην ἥρωα παρεῖναι· / ἀλλʼ ὃ μὲν ἐν τείχει, ἐμὲ δʼ ἐξαπάτησεν Ἀθήνη. (22.297-299), ai de mim, os deuses me chamaram à morte; eu julgava que o herói Deífobo estivesse ao meu lado, mas ele está dentro do muro, e Atena me enganou.
Canto XXII: A morte de Heitor

No Canto XXIII, percebe que Apolo derrubou o chicote de Diomedes, devolve-o e põe força nos cavalos. Quebra o jugo da parelha de Eumelo. Na corrida a pé, atende a Odisseu: alivia-lhe os membros e faz Ájax escorregar no esterco dos bois. No Canto XXIV, continua a odiar Troia desde que Páris ofendeu as deusas e preferiu a que lhe ofereceu o desejo; é ela quem cede o lugar a Tétis ao lado de Zeus.

οὐδʼ ἄρʼ Ἀθηναίην ἐλεφηράμενος λάθʼ Ἀπόλλων / Τυδεΐδην, μάλα δʼ ὦκα μετέσσυτο ποιμένα λαῶν, / δῶκε δέ οἱ μάστιγα, μένος δʼ ἵπποισιν ἐνῆκεν· (23.388-390), e Apolo, ao enganar o Tidida, não passou despercebido a Atena; ela logo foi atrás do pastor de povos, deu-lhe o chicote e pôs força nos cavalos.
Canto XXIII: Os jogos fúnebres

Temas que encarna

Atena encarna a Guerra como ofício divino: força dada, regra imposta, regra suspensa. Encarna o Destino e livre-arbítrio no poder de definir onde acaba o que um mortal pode fazer, e no modo de intervir sem desfazer o que a sorte traçou, como no caso de Heitor. E a Honra e reputação aparece na glória que ela dá a Diomedes e promete a Aquiles.

No Canto V, o poema não diz quem decide até onde um mortal pode ir contra um deus, e responde mostrando Atena: ela põe a regra, mantém a regra enquanto serve e a suspende por uma queixa pessoal contra Ares, que prometeu lutar contra os troianos e mudou de lado. No Canto XXII, o mesmo poder se volta contra Heitor, e o engano de Atena é lido de dois modos: ela o desvia da fuga, mas só porque ele, já sozinho, aceita crer que há alguém ao lado dele. Duas razões convivem para a ação dela, a ordem de Zeus e as escolhas dela mesma. A deusa que aceita ficar fora da guerra é a que, no Canto VIII, guarda o conselho, e a que depois se arma.

Relações

  • Zeus: o pai a quem obedece em parte, que a trata com brandura e a quem ela contesta.
  • Hera: a aliada que a manda ao campo e com quem se arma.
  • Diomedes: o mortal a quem dá força, regra e exceção.
  • Odisseu: o protegido que ela segura, acompanha e ajuda.
  • Aquiles: o herói que ela segura pelos cabelos no Canto I e arma de chama no Canto XVIII.
  • Heitor: o troiano que ela engana no Canto XXII.
  • Apolo: o deus com quem ela combina parar a guerra e que lhe derruba o chicote de Diomedes.
  • Tétis: a deusa de quem ela se ressente por Zeus atender no Canto VIII.
  • Ares: o deus que ela retira do combate, fere e derruba.