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Recurso literário

Metáfora

Dizer uma coisa por meio de outra, sem palavra de comparação: em vez de dizer que algo é como outra coisa, diz-se que é. A imagem transfere para o assunto as qualidades da coisa com que foi identificado.

Em Dom Quixote

tende a mira posta em derrubar a máquina mal fundada destes cavaleirescos livros, aborrecidos de tantos e louvados de muitos mais.

A «máquina mal fundada» trata o conjunto dos livros de cavalaria como uma engenharia de estrutura frágil, que basta bater no ponto certo para ruir, e é essa imagem que dá ao livro o seu alvo.

Primeira Parte: O fidalgo e os moinhos, o amigo do autor, no prólogo, sobre o propósito do livro

eu nasci livre, e para poder viver livre escolhi a solidão dos campos. As árvores destas montanhas são minha companhia, as claras águas destes riachos, meus espelhos.
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Primeira Parte: Marcela e a estalagem, Marcela, ao defender-se diante dos pastores

assim, Sancho, pelo que eu quero a Dulcineia del Toboso, vale tanto quanto a mais alta princesa da terra [...] pinto-a na minha imaginação como a desejo, tanto na beleza como na primazia.
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Primeira Parte: A penitência e Micomicona, dom Quixote, a Sancho, depois de saber que o escudeiro conhece Aldonza Lorenzo

não vi nenhum livro de cavalarias que faça um corpo de fábula inteiro com todos os seus membros, de maneira que o meio corresponda ao princípio, e o fim ao princípio e ao meio [...] e por isso dignos de ser desterrados da república cristã, como gente inútil.
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Primeira Parte: A jaula e o cônego, o cônego de Toledo, ao padre, a caminho da aldeia

já que o maligno encantador me persegue, pôs nuvens e cataratas nos meus olhos e, só para eles e não para outros, mudou e transformou a tua sem-igual formosura e rosto no de uma lavradora pobre, se é que também o meu não mudou no de algum monstrengo, para me fazer aborrecível aos teus olhos.
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Segunda Parte: O livro impresso, dom Quixote, de joelhos, diante da lavradora que Sancho apresenta como Dulcineia

quando vi este carro, imaginei que me aparecia alguma grande aventura; e agora digo que é forçoso apalpar as aparências para dar lugar ao desengano.
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Segunda Parte: Espelhos, leões e Camacho, dom Quixote, ao Diabo da carreta das Cortes da Morte

Deus sabe se há Dulcineia ou não no mundo, ou se é fantástica ou não é fantástica; e estas não são das coisas cuja averiguação se há de levar até o cabo. Nem eu engendrei nem pari minha senhora, ainda que a contemple como convém que seja uma dama que contenha em si os dotes que possam fazê-la famosa em todas as partes do mundo.
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Segunda Parte: Os duques e o Cravelenho, dom Quixote, à duquesa, diante do duque

a ínsula que eu vos prometi não é movível nem fugitiva: raízes tem tão fundas, lançadas nos abismos da terra, que não a arrancarão nem mudarão de onde está a três puxões.
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Segunda Parte: Os duques e o Cravelenho, o duque, a Sancho, que se recusa a subir no cavalo de pau

vinde cá, companheiro meu e amigo meu, e suportador de meus trabalhos e misérias: quando eu me avinha convosco e não tinha outros pensamentos que os que me davam os cuidados de remendar vossos aparelhos e de sustentar vosso corpinho, ditosas eram minhas horas, meus dias e meus anos; mas, depois que vos deixei e subi sobre as torres da ambição e da soberba, entraram-me pela alma adentro mil misérias, mil trabalhos e quatro mil desassossegos.
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Segunda Parte: O governo da ilha, Sancho, ao ruço, na cavalariça, ao deixar o governo

Assinatura

A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.

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