O narrador interrompe a história para comentar, julgar, dar opinião ou falar diretamente com o leitor.
Em Dom Quixote
todas as coisas que via, com muita facilidade as acomodava a suas desvairadas cavalarias e malandantes pensamentos.
O narrador interrompe a cena para julgar a imaginação do herói, com os adjetivos «desvairadas» e «malandantes», e entrega ao leitor o mecanismo que explica todas as visões do fidalgo.
Primeira Parte: Os galeotes e a serra, o narrador, sobre dom Quixote diante do barbeiro com a bacia
não posso dar a entender, nem posso persuadir-me, de que ao valoroso dom Quixote tenha acontecido pontualmente tudo o que no capítulo anterior fica escrito [...] e se esta aventura parece apócrifa, eu não tenho a culpa; e assim, sem afirmá-la falsa ou verdadeira, a escrevo.
Segunda Parte: Montesinos e o retábulo, Cide Hamete Benengeli, em nota de próprio punho à margem
para mim só nasceu dom Quixote, e eu para ele; ele soube obrar e eu escrever; só nós dois somos feitos um para o outro, a despeito e pesar do escritor fingido e tordesilhesco.
Segunda Parte: A derrota e a morte, Cide Hamete Benengeli, à sua pena, ao fechar o livro
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.