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Madame Bovary · Parte III

Capítulo 3

Resumo do capítulo

Em Rouen, Emma Bovary e Léon passam três dias no Hotel de Boulogne, de persianas fechadas, e à tarde vão de barco jantar numa ilha. Na volta, ao luar, Léon acha no fundo do barco uma fita de seda, e o barqueiro conta que a viu num grupo de folgazões, entre eles um homem alto de bigode a quem chamavam Adolphe ou Dodolphe; Emma estremece. Na despedida, ela manda Léon escrever para a casa da ama, a tia Rolet, num duplo sobrescrito e pergunta se a procuração está mesmo em ordem, e Léon, sozinho nas ruas, estranha tanto empenho.

Os três dias são narrados como uma lua de mel completa, só que entre Emma e Léon, não entre Emma e o marido. O capítulo é curto e funciona como respiro antes da rotina que se instala no capítulo seguinte: aqui ainda há barco, ilha, canção ao luar, o ponto mais alto da curva, o momento em que a fantasia ainda não colidiu com a logística. Só um velho barqueiro, sem saber o que diz, deixa passar um rastro do passado de Emma:

Análise

Anda lá, conta-nos qualquer coisa…, Adolphe…, Dodolphe… creio eu.

O nome dito pela metade chama Rodolphe Boulanger sem que ninguém o nomeie. Na despedida, o adultério já tem logística de correspondência:

Emma fez-lhe recomendações tão precisas sobre a maneira de utilizar um duplo sobrescrito, que ele ficou muito admirado com a sua astúcia amorosa

Para discutir Na volta do passeio de barco, o barqueiro cita um folgazão a quem chamavam "Adolphe…, Dodolphe… creio eu", e Emma estremece. Por que um nome dito pela metade, por um estranho, pesa mais do que qualquer lembrança que Emma pudesse contar a Léon?

Para discutir Emma dá a Léon instruções tão precisas sobre o duplo sobrescrito que ele fica admirado com a sua "astúcia amorosa". O que a rapidez com que ela domina a técnica do segredo diz sobre Emma, e sobre o que Léon ainda não conhece dela?