Clavis Libri

Madame Bovary · Parte II

Capítulo 2

Resumo do capítulo

Os Bovary chegam à estalagem do Leão de Ouro, onde Homais, que se convidara a si mesmo, e Léon Dupuis, escriturário do tabelião Guillaumin e entediado em Yonville (ver Yonville), jantam com eles. Durante duas horas e meia à mesa, Emma Bovary e Léon descobrem os mesmos gostos, enquanto Homais descreve a Charles os habitantes do lugar e a casa vaga do fugitivo Yanoda, que os Bovary vão ocupar. Léon diz que irá a Paris no ano seguinte terminar o curso de Direito. Na casa nova, ainda em desordem, Emma dorme pela primeira vez em Yonville.

No jantar, Léon e Emma constroem, frase a frase, um repertório comum: o pôr do sol à beira-mar, que Emma diz elevar a alma com ideias de infinito, os lagos e cascatas da Suíça de que Léon ouviu falar, os livros lidos ao canto da lareira em que, diz ele, "o pensamento, enlaçando-se na ficção", se demora nos pormenores, até parecer que é o próprio leitor quem palpita dentro da roupa das personagens. É um catálogo de lugares-comuns do romantismo de folhetim, tanto quanto uma cena de sedução. Charles Bovary, ao lado, só consegue oferecer frases práticas ("continuamente obrigado a andar a cavalo"), e o contraste de registro já separa o marido do casal que está se formando à mesa.

Análise

o espírito voga mais livremente sobre essa extensão sem limites, cuja contemplação nos eleva a alma e comunica ideias de infinito, de ideal

Ao entrar na casa nova, Emma faz a conta dos lugares desconhecidos em que dormiu (o convento, Tostes, Vaubyessard (ver La Vaubyessard), agora Yonville) e conclui que cada um inaugurou uma fase da vida:

Não acreditava que as coisas se pudessem apresentar da mesma maneira em lugares diferentes, e, uma vez que a parte já vivida havia sido má, certamente haveria de ser melhor a que lhe restava para viver.

Para discutir Durante o jantar, Emma e Léon vão descobrindo gostos idênticos: o pôr do sol à beira-mar, os lagos e cascatas da Suíça, os livros lidos ao canto da lareira. Eles estão descobrindo um ao outro ou recitando o mesmo catálogo? O que muda na cena conforme a resposta?

Para discutir Ao dormir na casa nova, Emma raciocina que, "uma vez que a parte já vivida havia sido má", a que lhe restava viver "haveria de ser melhor". O que há de lógico e o que há de ilusão nesse raciocínio, e o que o leitor já viu nos lugares anteriores que ela parece ignorar?