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Madame Bovary · Parte I

Capítulo 7

Resumo do capítulo

Antes do baile, Flaubert mede a distância entre marido e mulher com uma imagem que virou referência crítica do romance. Emma Bovary imagina a lua de mel que não teve, em terras de nomes sonoros, e não encontra palavras nem coragem para contá-la a Charles Bovary, cuja conversa a decepciona.

Análise

Charles's conversation was commonplace as a street pavement, and everyone's ideas trooped through it in their everyday garb, without exciting emotion, laughter, or thought, a conversa de Charles era banal como uma calçada, e as ideias de todo mundo desfilavam por ela com suas roupas de todo dia, sem despertar emoção, riso ou pensamento.

Charles não sabe nadar, nem esgrimir, nem atirar, e acha que a mulher é feliz, o que ela ressente. Emma cuida bem da casa, desenha, toca piano, e Charles sobe na própria estima por ter uma esposa assim; a mãe dele, que desaprova os modos finos demais da nora para a posição deles, trava com ela uma guerra de gentilezas trêmulas de raiva. Emma tenta amar Charles por teoria, recitando versos ao luar, e descobre que a vontade de sentir não produz o sentimento. Um guarda-caça curado por Charles lhe dá uma galga italiana, Djali, e nos passeios até o pavilhão abandonado de Banneville ela se pergunta por que se casou. Compara a própria vida com a das companheiras de convento que moram na cidade.

her life was cold as a garret whose dormer window looks on the north, and ennui, the silent spider, was weaving its web in the darkness in every corner of her heart, sua vida era fria como um sótão cuja clarabóia dá para o norte, e o tédio, aranha silenciosa, tecia sua teia na escuridão de cada canto do seu coração.

É nesse vazio, sem nenhum evento ainda ter acontecido, que chega o convite do Marquês de Andervilliers para o baile em La Vaubyessard, motivado por um acaso quase cômico: as cerejas do jardim de Tostes, que o mordomo do Marquês viu ao pagar pela operação de um abscesso que Charles curara. Na quarta-feira o casal parte de charrete, com o baú amarrado atrás.

Para discutir A conversa de Charles é "plana como uma calçada de rua", e as ideias de todo mundo desfilam por ela "sem despertar emoção, riso ou devaneio". Essa monotonia está em Charles, em Emma, ou no que ela espera de uma conversa?

Para discutir O narrador compara a vida de Emma a um sótão cuja janelinha dá para o norte, onde o tédio, "aranha silenciosa", tece a sua teia em cada canto do coração. Por que a imagem do narrador é mais dura do que qualquer queixa que Emma faça em voz alta?