Resumo do capítulo
O pai Rouault traz a Charles Bovary os setenta e cinco francos pela perna, mais um peru, e o consola da viuvez contando o próprio luto. A morte da primeira esposa libera Charles para desejar sem culpa, e ele volta ao Bertaux, mais livre e mais bem visto na região. Numa tarde de calor, com a casa vazia, Emma Bovary lhe oferece um licor de curaçao na cozinha, ri por não ter sobrado quase nada no próprio copo e lambe o fundo dele. Rouault, que não se incomodaria de se livrar da filha, percebe o rubor de Charles e decide aceitar o pedido. Charles passa três dias adiando o pedido, e é o próprio fazendeiro, na estrada, que combina o sinal: se a resposta for sim, escancarará o postigo da janela, e, passada meia hora e mais dezenove minutos no relógio, ele se abre. O casamento só pode ser feito depois do luto, na primavera seguinte.
Análise
O noivado se arranja entre os dois homens, e o desejo de Emma já aparece fora da medida do mundo dela. Emma eût, au contraire, désiré se marier à minuit, aux flambeaux; mais le père Rouault ne comprit rien à cette idée
, Emma teria preferido, ao contrário, casar-se à meia-noite, à luz de tochas; mas o pai Rouault não entendeu nada dessa ideia.
Para discutir Numa tarde de calor, com a casa vazia, Emma serve o licor, quase não põe nada no próprio copo, ri por não sentir nada e lambe o fundo dele, enquanto Charles a olha em silêncio. Quem conduz essa cena, e o que ela mostra sobre o desejo de cada um dos dois?
Para discutir Emma teria preferido casar-se "à meia-noite, à luz de tochas", e o pai dela não compreendeu nada dessa ideia. O que esse desejo revela sobre o que ela espera do casamento, e por que o narrador o registra só de passagem, no meio dos preparativos de todos os outros?