Clavis Libri

Madame Bovary · Parte III

Capítulo 4

Resumo do capítulo

Léon foge do cartório num sábado e vai a Yonville, onde encontra Emma Bovary à noite, no beco atrás do jardim, debaixo de uma trovoada; ela promete arranjar um modo de se verem toda semana. Contando com dinheiro, Emma compra a crédito de Lheureux cortinas amarelas para o quarto e sonha com um tapete, e a ama, tia Rolet, passa a almoçar todos os dias na casa dela. Para conseguir a licença semanal, Emma finge uma súbita paixão pelo piano, deixa de tocar quando Charles Bovary acha aulas mais baratas e, quando Homais e as visitas lamentam o talento abandonado, é Charles quem volta a propor as aulas, e ela obtém a permissão de ir a Rouen uma vez por semana.

Emma monta o álibi sozinha, e a frase com que fecha o argumento, dita para justificar a insistência nas aulas, é também a lógica do próprio adultério:

Análise

as lições [...] só aproveitam se forem seguidas

O adultério só vale a pena se for repetido, com regularidade de assinatura, o que já antecipa o vocabulário comercial que vai dominar os capítulos seguintes.

Para discutir Para ter licença de ir toda semana a Rouen, Emma finge paixão pelo piano e defende que as lições "só aproveitam se forem seguidas". Que ironia há em que o argumento do álibi sirva também de regra para o próprio adultério?

Para discutir Depois que Emma deixa de tocar, é Charles quem volta a propor as aulas e quem lhe dá a permissão de ir à cidade. Que parte do segredo de Emma depende da boa vontade do marido, e o que isso diz sobre a cegueira dele: ingenuidade, generosidade ou comodidade?