Resumo do capítulo
Charles Bovary, endividado, vê Lheureux e Vinçart retomarem a cobrança e a casa se esvaziar: Félicité foge com Théodore levando o guarda-roupa de Emma Bovary, ele vende a prata e os móveis, menos o quarto dela, e acaba rompendo com a mãe. Responde com felicitações à participação do casamento de Léon, acha a carta de ruptura de Rodolphe no sótão e depois, na escrivaninha, as cartas de Léon e o retrato de Rodolphe. Ao encontrar Rodolphe Boulanger numa feira, diz que não lhe quer mal e que foi culpa da fatalidade, e no dia seguinte morre no caramanchão, segurando uma mecha de cabelo de Emma. Berthe Bovary é mandada à avó e depois a uma tia pobre, que a põe numa fábrica de fiação. Homais, por seu lado, vence o cego com uma campanha no jornal, fixa o epitáfio do túmulo de Emma, afugenta três médicos de Yonville e acaba por receber a Legião de Honra.
O capítulo abre com Berthe, a quem ninguém conta a morte da mãe:
Análise
Ela perguntou pela mamã. Responderam-lhe que estava ausente e que Lhe traria brinquedos.
A ironia mais fria do capítulo não é dita por ninguém sobre Emma: é a linha que o próprio Charles escreve, sem saber, ao responder à participação de casamento do antigo amante da mulher.
Como a minha pobre mulher se teria sentido feliz!
Charles ainda não sabe que Léon foi amante de Emma quando escreve isto na carta de felicitação ao casamento dele.
Charles acha, por acaso, no sótão, a velha carta de ruptura de Rodolphe, caída no chão entre umas caixas, e a lê como sinal de um amor platônico; só mais tarde, ao abrir a escrivaninha de Emma, encontra as cartas de Léon e o retrato de Rodolphe.
Coragem, Emma! Tenha coragem! Não quero fazer a infelicidade da sua existência
Quando encontra Rodolphe por acaso, tempos depois, Charles não o acusa. Absolve, e a única frase de efeito que produz na vida inteira soa vazia até para quem a ouve.
Foi culpa da fatalidade!
No dia seguinte, morre sozinho no jardim, segurando uma mecha do cabelo de Emma, e a filha pequena o encontra achando que ele brinca.
E, acreditando que ele estivesse a brincar, empurrou-o levemente. Caiu no chão. Estava morto.
Berthe, a filha, é mandada para a avó, depois para uma tia pobre.
Essa tia é pobre e manda a pequena trabalhar numa fábrica de fiação para ganhar a vida.
E o livro fecha em Homais: o único personagem dos capítulos 7 a 11 da Parte III que nunca amou ninguém o bastante para arriscar algo por isso, e o único recompensado.
Acaba de receber a Legião de Honra.
Para discutir Charles encontra Rodolphe, diz que não lhe quer mal e acrescenta: "Foi culpa da fatalidade!", e o narrador observa que Rodolphe, "que manobrara aquela fatalidade", achou a frase indulgente demais. A mesma palavra serve a quem engana e a quem perdoa: o que isso diz sobre ela e sobre os dois homens?
Para discutir O romance termina com uma frase sobre Homais: "Acaba de receber a Legião de Honra." Ela vem depois da morte de Emma e de Charles e da fábrica de fiação onde Berthe é posta a trabalhar. Que juízo sobre o mundo o livro entrega ao dar a última frase a esse homem?