Quem é
Escrevente em Yonville quando Emma Bovary chega, depois estudante em Paris, e o amante dela em Rouen na Parte III. O sobrenome é Dupuis, e em Yonville é escriturário do tabelião Guillaumin. o guia da obra o liga a Rodolphe Boulanger pelo vocabulário: o que Léon diz com sinceridade reaparece quase idêntico na boca do outro.
Trajetória
No capítulo 2 da Parte II constrói com Emma, no jantar de chegada, um repertório comum: o mar, cuja contemplação, diz ela, "nos eleva a alma e comunica ideias de infinito", os lagos e cascatas da Suíça de que ele ouviu falar, e os livros em que, diz ele, "o pensamento, enlaçando-se na ficção", se demora nos pormenores. No fim do capítulo 3 da Parte II, sozinho no Pasto, no alto da encosta de Argueil, resume o próprio tédio; a frase fecha o parágrafo da nota desse capítulo que trata do nome e do batismo de Berthe.
No fim do capítulo, Léon, sozinho no Pasto, na encosta de Argueil, resume o próprio tédio:- Que tédio! - dizia ele para consigo. - Que vida aborrecida!
No capítulo 4 da Parte II, nos serões em casa de Homais, forma com Emma uma cumplicidade sem acontecimento: as plantas nas janelas, o tapete de presente que o povoado lê como prova de romance. Acha-a "tão virtuosa e inacessível" que abandona toda esperança, hesita, escreve cartas que rasga e parte para Paris sem se declarar. Na despedida, no capítulo 6 da Parte II, pede para beijar Berthe Bovary.
- Então, à inglesa - disse ela, abandonando-lhe a sua e esforçando-se por rir.
No capítulo 15 da Parte II reaparece no intervalo da ópera em Rouen, anunciado por Charles Bovary.
Não a voltara a apertar depois daquela noite de Primavera em que chovia sobre as folhas verdes, quando se tinham despedido, de pé, junto da janela.
No capítulo 1 da Parte III volta de Paris sem a timidez de escriturário e calcula a cena da sedução, depois de seguir de longe o casal até a estalagem na véspera e passar a noite a meditar num plano.
O aprumo depende do meio onde se está: não se fala na sobreloja como no quarto andar
Leva à catedral as primeiras flores que compra na vida para uma mulher, mas Emma se refugia numa capela para rezar e um guia incansável insiste em mostrar túmulos e relíquias. Ele foge da igreja com ela, e a fuga termina em O fiacre.
Léon fugia, porque tinha a impressão de que o seu amor [...] se iria agora evaporar
Passa com ela três dias no Hotel de Boulogne, no capítulo 3 da Parte III, e as quintas-feiras em Rouen. Quando Emma lhe pede versos, copia um soneto de um álbum, mais pelo desejo de lhe agradar do que por vaidade, e o capítulo 5 inverte os papéis.
era ele quem realmente se comportava como se fosse uma amante
No capítulo 6 da Parte III Homais o arrasta por horas em Rouen enquanto Emma espera, e o tédio chega aos dois.
Conhecia-se já demasiado para ter aquelas surpresas da posse que lhe centuplicam o gozo. Emma estava tão enfastiada de Léon como este cansado dela. Emma encontrava agora no adultério toda a insipidez do casamento
No capítulo 7 da Parte III Emma lhe pede dinheiro depois da penhora, e ele promete e falha. Depois da morte dela se casa, e, no capítulo 11 da Parte III, Charles lhe escreve a felicitação sem saber quem ele foi.
Charles ainda não sabe que Léon foi amante de Emma quando escreve isto na carta de felicitação ao casamento dele.
Como a minha pobre mulher se teria sentido feliz!
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Amor, Linguagem e narração, Sonho e fantasia e Casamento. A nota dos capítulos 1 a 6 da Parte III, na seção "Léon, espelho invertido de Emma", o lê como uma versão mais fraca do mesmo mecanismo dela, ambição sentimental sem coragem para sustentá-la, e registra que ele busca em Emma o vocabulário que a profissão de escriturário nunca lhe deu.
A separação e o reencontro com Emma são registrados pelo mesmo gesto, o aperto de mão: a despedida "à inglesa", sem beijo, no capítulo 6 da Parte II, e a mão dele, que ela "não voltara a apertar" desde aquela noite junto da janela, no intervalo da ópera do capítulo 15.
Relações
- Emma Bovary: a cumplicidade sem declaração da Parte II e o adultério da Parte III.
- Rodolphe Boulanger: o outro amante, com o mesmo vocabulário.
- Charles Bovary: o marido, que o reencontra na ópera e o felicita pelo casamento.
- Guillaumin: o patrão em Yonville.
- Homais: o anfitrião dos serões de Yonville e quem o arrasta em Rouen.
- Berthe Bovary: a criança que ele pede para beijar na despedida.
- Símbolos ligados a ele: O fiacre e Yonville.