Clavis Libri

Madame Bovary · Parte III

Capítulo 10

Resumo do capítulo

O tio Rouault, que recebeu a carta do boticário trinta e seis horas depois da morte, chega a cavalo a Yonville em desespero. Na igreja, entre os cantos, Hippolyte aparece com a perna nova, e Charles Bovary, que se esforça por mostrar coragem, atira uma moeda de cinco francos ao chantre que faz a coleta; o cortejo sai da igreja ao som do De profundis e atravessa o campo até a cova. Abade Bournisien lança a primeira pazada de terra sobre o caixão, Homais passa o hissope e Charles, que tenta se jogar na cova, é retirado. Em casa, o tio Rouault se despede sem querer ver a neta, e à noite o jovem Justin chora sobre a sepultura, até Lestiboudois flagrá-lo saltando o muro.

O pai de Emma Bovary, Rouault, cavalga em pânico e desespero até Yonville (uma das poucas dores no livro que não carrega nenhum cálculo). Antes do enterro, na missa, um dos presentes se anuncia pelo som de um pau ferrado nas lajes da igreja:

Análise

Era Hippolyte, o moço do Leão de Ouro. Pusera a sua perna nova.

No funeral, o som do caixão contra a terra é a única nota de transcendência que o capítulo permite, e vem de baixo, não de cima.

a madeira do caixão, atingida pelas pedras, fez aquele formidável ruído que nos parece ser o retumbar da eternidade.

Para discutir Em plena igreja, um pau ferrado bate nas lajes e o narrador explica: "Era Hippolyte, o moço do Leão de Ouro. Pusera a sua perna nova." O que essa intromissão tira ou dá ao funeral, e quem na igreja, além do leitor, sabe de onde vem aquela perna?

Para discutir O ruído da madeira do caixão atingida pelas pedras é descrito como "o retumbar da eternidade", com um "nos parece" que inclui o leitor. O que significa dar a eternidade ao som da terra sobre o caixão, e por que o narrador faz essa concessão a quem lê?