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Madame Bovary · Parte II

Capítulo 3

Resumo do capítulo

Na manhã seguinte Léon cumprimenta Emma Bovary, de roupão, na janela, e passa o dia esperando a hora do jantar, enquanto Homais se desdobra em favores aos Bovary para ter o médico como aliado. Charles Bovary, sem clientes e com o dote esgotado, se consola com a gravidez de Emma, que dá à luz uma menina num domingo, ao nascer do sol, e desmaia ao saber. Depois do batizado, Emma vai ver a filha na casa da ama, Léon a acompanha e voltam juntos pela margem do rio, e ele termina o dia no Pasto, queixando-se do tédio.

O capítulo detalha o cálculo social de Homais: cultivar Charles como aliado depois de ter sido chamado à presença do procurador régio, em Rouen, por exercício ilegal da medicina, garantindo assim silêncio caso o boticário volte a ultrapassar os limites da lei. É o primeiro sinal de que a sociabilidade de Yonville (ver Yonville) é feita de interesse disfarçado de boa vizinhança, o mesmo padrão que Lheureux vai repetir com o crédito.

Berthe Bovary nasce menina, e Emma desmaia com a notícia.

Análise

Ela desejava um rapaz, seria forte e moreno, chamar-se-ia Georges, e esta ideia de ter um filho varão era uma espécie de desejo de desforra de todas as suas frustrações passadas. Um homem, pelo menos, é livre, pode explorar todas as paixões e todas as terras, atravessar os obstáculos, tomar o gosto das venturas mais distantes. Mas uma mulher é continuamente impedida de tudo.

A escolha do nome da filha, Berthe, ouvido em Vaubyessard, onde a marquesa chamou assim uma jovem (ver La Vaubyessard), mostra a mesma lógica: nomear por imitação de um mundo que não é o dela. O batismo é uma cena de comédia que expõe a religião de Yonville como cerimônia social, não fé: o avô Bovary batiza a criança com champanhe derramado na cabeça, o Abade Bournisien se indigna e quase sai, e é aplacado por súplicas, não por reparação.

No fim do capítulo, Léon, sozinho no Pasto, na encosta de Argueil, resume o próprio tédio: - Que tédio! - dizia ele para consigo. - Que vida aborrecida!

Logo em seguida o texto diz de quem Léon se queixa: o farmacêutico, como amigo, e o tabelião Guillaumin, de quem é escriturário, como patrão.

Lamentava-se de viver naquela aldeia, tendo Homais como amigo e Guillaumin como patrão.

Para discutir Emma desejava um filho porque, pensa ela, "Um homem, pelo menos, é livre", e desmaia ao saber que nasceu uma menina. O texto deixa em aberto se isso é um protesto contra a condição das mulheres ou só mais uma fantasia que a realidade desmente: que elementos do capítulo sustentam cada leitura?

Para discutir Emma escolhe o nome da filha por ter ouvido a marquesa, no baile, chamar assim uma jovem. O que um nome tirado de uma festa a que a menina nunca foi diz sobre o lugar que Emma reserva à filha na sua própria história?